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    Por que quem já tem tanto ainda quer mais?

    Segundo reportagens, o Banco Master teria patrocinado um fórum jurídico em Londres que reuniu Alexandre de Moraes , Dias Toffoli , Paulo Gonet e Andrei Rodrigues, com degustação de whisky Macallan em um clube privado. Em março de 2025, antes de assumir a relatoria do caso, André Mendonça também recebeu Vorcaro em uma reunião reservada para tratar de precatórios de interesse do banco. Leia mais (09/08/2026 - 12h00)

    Folha de S.Paulo
    8 de setembro de 2026 às 15:00
    Por que quem já tem tanto ainda quer mais?
    Foto: Folha de S.Paulo

    Economista pela UFPE e especialista em gestão pública no Insper. Estudou economia comportamental na Warwick University (Reino Unido) e é associada do Livres

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    O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes durante sessão em Brasília - Gabriela Biló - 10.mar.26/Folhapress · Gabriela Biló - 10.mar.26/Folhapress
    O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes durante sessão em Brasília - Gabriela Biló - 10.mar.26/Folhapress · Gabriela Biló - 10.mar.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo reportagens, o Banco Master teria patrocinado um fórum jurídico em Londres que reuniu Alexandre de Moraes , Dias Toffoli , Paulo Gonet e Andrei Rodrigues, com degustação de whisky Macallan em um clube privado. Em março de 2025, antes de assumir a relatoria do caso, André Mendonça também recebeu Vorcaro em uma reunião reservada para tratar de precatórios de interesse do banco.

    Além desses encontros, Vorcaro teria aprovado cartões de R$ 300 mil para dois filhos de Moraes, feito aportes em um fundo ligado a um resort do qual uma empresa da família de Toffoli fora sócia e repassado recursos a um fundo associado a "Dark Horse" , filme sobre Jair Bolsonaro cujo financiamento teria sido negociado por Flávio Bolsonaro . O escritório da família Moraes afirma que os cartões não foram utilizados, enquanto Toffoli nega ter recebido recursos.

    Os episódios seguem sob apuração, mas suscitam a dúvida: por que quem já tem dinheiro e poder continua buscando privilégios com tão pouco receio de que isso venha a público?

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Parte da resposta está na comparação social: mesmo quem já é muito rico tende a medir sua posição em relação às pessoas de seu meio, não em relação ao país inteiro. Em um experimento na Finlândia, descobrir que ganhavam mais ou menos do que pessoas da mesma ocupação, escolaridade, idade ou município mudou a forma como os participantes avaliavam a própria renda. Já a posição na distribuição nacional teve um efeito dez vezes menor e estatisticamente nulo. Quando puderam escolher, 45% quiseram conhecer sua posição em relação aos colegas de profissão, enquanto menos de 6% optaram pela comparação nacional, segundo um estudo de Xiaogeng Xu e outros pesquisadores .

    Assim, entre pessoas muito ricas, o patrimônio distingue menos, pois todos no grupo já possuem fortunas. A posição de cada um pode depender da proximidade com o poder. Reunir ministros do STF , o procurador-geral da República e o diretor-geral da PF em um clube privado sinalizaria um acesso que nem todo rico tem.

    Esse mecanismo explica por que o desejo por mais pode sobreviver à riqueza já adquirida. Já no plano moral, a busca por status torna-se problemática quando o acesso ao poder leva alguém a acreditar que as regras valem apenas para os outros.

    Essa pretensão é tão antiga que foi incorporada a uma das narrativas fundadoras da cultura ocidental. No Gênesis, Adão e Eva comem o fruto, atraídos pela promessa de serem como Deus e de deter o conhecimento sobre o bem e o mal. Depois de comerem, os dois percebem que estão nus e se escondem. Quando Deus pergunta o que aconteceu, Adão responde: "Foi a mulher que me deste", culpando Eva e, sobretudo, o próprio Deus.

    Similarmente, no caso Master, em vez de explicações sobre os vínculos, benefícios e decisões revelados, ouvimos ataques aos investigadores e tentativas de transferir a responsabilidade ou de mudar de assunto. Claro que as objeções processuais devem ser examinadas, mas definitivamente não dispensam respostas quanto à natureza das relações com Daniel Vorcaro .

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    A pretensão de estar acima das regras ajuda a explicar a aparente displicência. Quem se acostuma a ver telefonemas abrirem portas e relações removerem obstáculos pode acreditar que os mesmos vínculos conterão uma investigação.

    Por isso, freios e contrapesos precisam frustrar essa expectativa de proteção. Na prática, a PF deve investigar sem interferências; as autoridades citadas precisam esclarecer os contatos e os benefícios; eventuais impedimentos devem ser examinados formalmente; e o Congresso deve fiscalizar sem oferecer blindagem nem transformar a apuração em vingança partidária. Nenhum cargo ou alinhamento político pode blindar alguém da investigação ou colocá-lo acima da justiça.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/deborah-bizarria/2026/09/por-que-quem-ja-tem-tanto-ainda-quer-mais.shtml.

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    O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes durante sessão em Brasília - Gabriela Biló - 10.mar.26/Folhapress · Gabriela Biló - 10.mar.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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