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    Por que os EUA não conseguem sair de guerras

    Conflito mais longo da história americana, no Afeganistão, oferece lições para quem tenta evitar confronto sem fim no Irã

    UOL
    31 de agosto de 2026 às 03:00
    Por que os EUA não conseguem sair de guerras
    FILE ? A U.S. Army helicopter over Kabul, Afghanistan, on May 2, 2021. The group has promised moderation even while reinstituting its harsh rule of Afghanistan; now, the revelation that the Taliban were sheltering Al Qaeda?s leader is likel — Foto: UOL

    Contextualiza um acontecimento e aprofunda a compreensão de seus diversos ângulos

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    Um helicóptero do Exército dos Estados Unidos sobrevoando Cabul, no Afeganistão - Jim Huylebroek - 2.mai.21/The New York Times · Jim Huylebroek - 2.mai.21/The New York Times
    Um helicóptero do Exército dos Estados Unidos sobrevoando Cabul, no Afeganistão - Jim Huylebroek - 2.mai.21/The New York Times · Jim Huylebroek - 2.mai.21/The New York Times — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Durante grande parte da Guerra do Afeganistão , a única coisa mais difícil para os Estados Unidos do que vencer era sair do conflito.

    A guerra mais longa do país terminou em caos e derrota cinco anos atrás. Centenas de milhares de afegãos, desesperados para escapar dos insurgentes do Talibã , invadiram o aeroporto de Cabul . Treze militares americanos morreram em um atentado suicida no local.

    Mas, desde então, os temores que impediram três presidentes de encerrar a guerra se mostraram infundados. O Afeganistão não se tornou um refúgio para terroristas nem uma plataforma de lançamento para ataques nos EUA.

    Conheça Habib Aseel e Yama Shahab, afegãos que fugiram do Talibã e lutam para retomar carreira no Brasil
    Conheça Habib Aseel e Yama Shahab, afegãos que fugiram do Talibã e lutam para retomar carreira no Brasil — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Hoje, as Forças Armadas dos EUA estão atoladas em uma nova guerra no Irã . Mais uma vez, as perspectivas de uma vitória militar parecem sombrias. Até o presidente Donald Trump deu a entender que gostaria de deixar a guerra, apenas para mudar de rumo e defender a permanência.

    "Não precisamos estar lá", disse ele em um pronunciamento no Salão Oval. "Não precisamos do petróleo deles. Não precisamos de nada do que eles têm. Mas estamos lá para ajudar nossos aliados."

    A longa guerra no Afeganistão levanta questões difíceis para os generais e formuladores de políticas que avaliam os próximos passos no Irã : por que foi tão difícil sair do Afeganistão? O que a longa luta para aceitar a derrota naquele país revela sobre a situação do governo Trump no Irã?

    A fundadora e CEO da StandWithUs, grupo pró-Israel, em entrevista à Folha
    A fundadora e CEO da StandWithUs, grupo pró-Israel, em entrevista à Folha — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Os EUA enfrentaram questões sobre quando sair em praticamente todas as guerras que travaram desde sua ascensão como potência global após a Segunda Guerra Mundial. "Muito do que fizemos nas últimas décadas foi, na realidade, policiar o império", disse Andrew R. Hoehn, analista sênior da Rand Corp., um centro de estudos que pesquisa questões de segurança.

    Na maioria dos casos, tropas americanas foram à guerra para impor ordem em um mundo turbulento ou para defender valores americanos. "Não estamos travando conflitos existenciais", disse Hoehn.

    A morte de Osama bin Laden , em maio de 2011, ofereceu a melhor oportunidade para deixar o Afeganistão. O responsável pelos ataques terroristas do 11 de Setembro estava morto, e uma década de ataques com drones havia dizimado sua organização. Os insurgentes do Talibã, que haviam governado o Afeganistão e abrigado a Al Qaeda antes da invasão americana, mostravam-se praticamente impossíveis de eliminar.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Líderes políticos e de diplomacia temiam pela credibilidade dos EUA no cenário internacional e pelos custos que poderiam pagar nas urnas pela derrota em uma guerra.

    Em 2011, o contingente de tropas americanas já começara a diminuir no Afeganistão, e o Talibã percebeu que precisava apenas sobreviver às tropas americanas e à disposição do exausto público dos EUA de continuar pagando pela guerra.

    À medida que a perspectiva de derrotar o Talibã se tornava mais remota, os líderes políticos americanos mudaram seus objetivos. Concentraram-se em reduzir o número de baixas, cortar os custos da guerra e manter vivo o corrupto e impopular governo afegão.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Eles são como um médico em uma unidade de terapia intensiva que sabe que o paciente vai morrer", disse Rosemary Kelanic, diretora do programa para o Oriente Médio da Defense Priorities, que defende uma política externa americana mais comedida. "Só esperam que o paciente morra depois que o turno deles acabar. Não querem que aconteça sob sua responsabilidade."

    A guerra continuou por mais uma década após a morte de Bin Laden, tirando a vida de outros 868 militares. Os comandantes americanos que lideraram tropas nos anos finais da guerra sentiam que estavam sendo colocados em uma situação destinada ao fracasso.

    Em um podcast recente, o general Austin S. Miller, último comandante americano no Afeganistão, lembrou de seu estado de espírito quando foi escolhido para o cargo, em 2018. Esperava sair de sua missão "muito cansado" e com uma "reputação diminuída".

    Sua situação, brincou em tom sombrio, era bem resumida por uma letra da banda de rock Steely Dan: "Sou um tolo por fazer seu trabalho sujo".

    O secretário de Defesa, Pete Hegseth, prometeu neste ano que a guerra no Irã seria muito diferente das longas guerras no Afeganistão e no Iraque . Hegseth havia sido enviado aos dois conflitos quando era um jovem oficial da Guarda Nacional do Exército. A experiência o deixou revoltado e desiludido.

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    "Ouçam de mim, um dos centenas de milhares que lutaram no Iraque e no Afeganistão, que viram políticos tolos anteriores, como Bush, Obama e Biden , desperdiçarem a credibilidade americana", disse Hegseth a jornalistas em março.

    Aquelas guerras foram atoleiros, disse ele. A guerra no Irã, prometeu, seria diferente —"focada a laser", letal, rápida e "decisiva".

    "Isso não é o Iraque", insistiu Hegseth. "Isso não será interminável."

    O Irã respondeu aos ataques devastadores fechando o estreito de Hormuz. O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, admitiu que as bombas e mísseis americanos provavelmente não seriam suficientes para derrotar o Irã ou mesmo reabrir a importante via marítima ao tráfego comercial.

    "O poder aéreo tem limites", disse ele em depoimento ao Senado, "e precisamos estar sempre atentos a eles".

    Agora, o governo aposta que um bloqueio da Marinha americana às exportações iranianas pelo estreito, combinado com sanções econômicas, conseguirá o que os ataques aéreos anteriores não conseguiram. Há sinais iniciais de aumento no número de navios e nas exportações de petróleo que transitam pelo estreito.

    Apesar dos ganhos modestos, os líderes militares americanos já não falam em uma vitória rápida. Em vez disso, descrevem uma campanha que pressionaria o Irã por meses ou mais.

    Questionado sobre por quanto tempo a Marinha, já sobrecarregada por longos períodos de missão, poderia sustentar o bloqueio, Hegseth respondeu: "Podemos mantê-lo pelo tempo que for necessário —indefinidamente."

    O desafio para as Forças Armadas americanas se assemelha ao que enfrentaram no Afeganistão. Os insurgentes do Talibã lutavam pela própria sobrevivência. O mesmo vale para os líderes do Irã. Para os Estados Unidos, os riscos são muito menores —e os custos de sair também.

    Hegseth marcou na quarta-feira (26) o quinto aniversário do fim da Guerra do Afeganistão concedendo a três fuzileiros navais aposentados condecorações de bravura de grau superior. Dois dos três sofreram graves ferimentos causados por estilhaços no atentado suicida no aeroporto de Cabul. Apesar dos ferimentos, eles continuaram ajudando os feridos a chegar a um local seguro.

    Em seu discurso, Hegseth elogiou o heroísmo deles. "Quando os perversos procuraram espalhar o terror, esses homens se ergueram como leões diante do portão —firmes em seu propósito, ferozes em sua determinação e inabaláveis em sua coragem", disse.

    A cerimônia também cumpriu um propósito secundário. Ela apresentou a derrota das Forças Armadas americanas na longa e insatisfatória Guerra do Afeganistão como uma vitória dos soldados que foram enviados para lutar. "Vocês são a vanguarda de uma força letal, orgulhosa e invicta", disse Hegseth aos fuzileiros. Ele lhes entregou as medalhas que haviam recebido com anos de atraso.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/por-que-os-eua-nao-conseguem-sair-de-guerras.shtml.

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    Um helicóptero do Exército dos Estados Unidos sobrevoando Cabul, no Afeganistão - Jim Huylebroek - 2.mai.21/The New York Times · Jim Huylebroek - 2.mai.21/The New York Times — Foto: UOL

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