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    Por que olhar apenas o “colesterol ruim” nem sempre é suficiente

    Colesterol LDL continua sendo um dos principais fatores de risco para infarto e AVC, mas a cardiologia moderna mostra que ele é apenas uma parte da história. A cardiologista Dra. Ana Paula Garcia explica por que a prevenção cardiovascular está cada vez mais personalizada

    CNN Brasil
    8 de agosto de 2026 às 06:43
    Por que olhar apenas o “colesterol ruim” nem sempre é suficiente
    Foto: CNN Brasil

    Durante muitos anos, a conversa sobre colesterol parecia simples: bastava olhar o resultado do LDL, conhecido como “colesterol ruim”, para decidir se estava tudo bem ou se era preciso iniciar tratamento.

    Hoje sabemos que essa avaliação é muito mais complexa. Duas pessoas podem apresentar exatamente o mesmo valor de LDL e, ainda assim, ter riscos completamente diferentes de sofrer um infarto ou um acidente vascular cerebral (AVC). Isso acontece porque o colesterol é apenas uma das peças que compõem o quebra-cabeça da saúde cardiovascular.

    A cardiologia entrou na era da prevenção personalizada, em que o objetivo não é tratar apenas um número, mas entender o risco real de cada indivíduo.

    O que é e quais são os tipos de colesterol? • Fonte: Freepik · • Fonte: Freepik
    O que é e quais são os tipos de colesterol? • Fonte: Freepik · • Fonte: Freepik — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O LDL permanece como um dos principais responsáveis pela formação das placas de gordura nas artérias, processo conhecido como aterosclerose. Quanto maior a exposição ao colesterol elevado ao longo da vida, maior tende a ser o risco de desenvolver doenças cardiovasculares.

    Entretanto, outros fatores influenciam diretamente essa evolução. Idade, pressão alta, diabetes, tabagismo, obesidade, histórico familiar de infarto precoce , doença renal crônica e estilo de vida podem aumentar ou reduzir esse risco, mesmo quando o colesterol apresenta valores semelhantes entre duas pessoas.

    É justamente por isso que a decisão de iniciar ou intensificar um tratamento nunca deve ser baseada apenas em um exame isolado.

    Abuso de álcool, mesmo raro, triplica risco de fibrose no fígado
    Abuso de álcool, mesmo raro, triplica risco de fibrose no fígado — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Nos últimos anos, a cardiologia passou a incorporar novas ferramentas para refinar a avaliação de risco em pacientes selecionados.

    Entre elas estão a lipoproteína(a), uma partícula cuja concentração é determinada principalmente pela genética e que pode aumentar o risco cardiovascular mesmo em pessoas com colesterol aparentemente controlado.

    Outro exame é a apolipoproteína B (ApoB), que estima a quantidade de partículas potencialmente capazes de penetrar na parede das artérias e participar da formação das placas de aterosclerose.

    Alimentos vendidos como saudáveis podem ter sódio em excesso; entenda
    Alimentos vendidos como saudáveis podem ter sódio em excesso; entenda — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Já o escore de cálcio coronariano, obtido por tomografia computadorizada, permite identificar a presença de calcificações nas artérias do coração antes mesmo do aparecimento de sintomas.

    Esses exames não fazem parte do check-up de rotina de toda a população. Eles são indicados em situações específicas, quando existe dúvida sobre o risco cardiovascular ou necessidade de definir estratégias mais individualizadas de prevenção.

    Um dos conceitos mais importantes da cardiologia atual é o de carga acumulada de colesterol. Isso significa que o organismo sofre os efeitos do colesterol elevado ao longo de décadas, muitas vezes sem provocar qualquer sintoma.

    Comer carne vermelha aumenta o risco de diabetes tipo 2?
    Comer carne vermelha aumenta o risco de diabetes tipo 2? — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Quando o infarto ou o AVC acontecem, a aterosclerose geralmente já vem se desenvolvendo silenciosamente há muitos anos.

    Por isso, identificar precocemente pessoas com maior risco permite iniciar mudanças no estilo de vida e, quando necessário, tratamento medicamentoso antes que as artérias sofram danos mais importantes.

    Quanto mais cedo o colesterol é controlado em quem realmente precisa, maior tende a ser a redução do risco cardiovascular ao longo da vida.

    Alimentos vendidos como saudáveis podem ter sódio em excesso; entenda
    Alimentos vendidos como saudáveis podem ter sódio em excesso; entenda — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A medicina está deixando para trás a ideia de que todos os pacientes devem receber exatamente a mesma abordagem.

    Hoje, o objetivo é compreender o perfil de risco de cada pessoa e decidir quais exames, metas e tratamentos fazem sentido para aquela realidade.

    Alguns pacientes precisarão apenas reforçar hábitos saudáveis . Outros se beneficiarão de medicamentos para reduzir o colesterol. Em grupos específicos, exames complementares ajudarão a definir se é necessário intensificar a prevenção.

    Comer carne vermelha aumenta o risco de diabetes tipo 2?
    Comer carne vermelha aumenta o risco de diabetes tipo 2? — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Essa é a principal mudança da cardiologia moderna: tratar pessoas, e não apenas resultados de laboratório.

    No Dia Nacional de Combate ao Colesterol, a mensagem mais importante é que o colesterol continua sendo um grande vilão das doenças cardiovasculares, mas a prevenção eficaz depende de uma avaliação muito mais ampla, individualizada e baseada em evidências.

    *Texto escrito pela cardiologista Dra. Ana Paula Andrade Garcia (CRM-SP 151.840)

    Abuso de álcool, mesmo raro, triplica risco de fibrose no fígado
    Abuso de álcool, mesmo raro, triplica risco de fibrose no fígado — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/saude/por-que-olhar-apenas-o-colesterol-ruim-nem-sempre-e-suficiente/.

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