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    Por que o mal viraliza e o bem precisa se explicar?

    No domingo (30), eu publiquei no meu perfil um vídeo de um atendimento que fiz há alguns meses , a sobrancelha da Ju, uma cliente que teve câncer no nariz e precisou reconstruir parte do rosto. Na época, ela tinha pouco mais de 3.000 seguidores e era praticamente desconhecida. Fiz aquilo de graça, sem pensar em nada além de ajudar. Leia mais (09/02/2026 - 12h30)

    Folha de S.Paulo
    2 de setembro de 2026 às 15:30
    Por que o mal viraliza e o bem precisa se explicar?
    Foto: Folha de S.Paulo

    Multiempreendedora e fundadora do Natalia Beauty Group

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    Natalia Martins durante atendimento a cliente - Reprodução/Natalia Martins no Instagram · Reprodução/Natalia Martins no Instagram
    Natalia Martins durante atendimento a cliente - Reprodução/Natalia Martins no Instagram · Reprodução/Natalia Martins no Instagram — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No domingo (30), eu publiquei no meu perfil um vídeo de um atendimento que fiz há alguns meses , a sobrancelha da Ju, uma cliente que teve câncer no nariz e precisou reconstruir parte do rosto. Na época, ela tinha pouco mais de 3.000 seguidores e era praticamente desconhecida. Fiz aquilo de graça, sem pensar em nada além de ajudar.

    Em poucas horas, o vídeo passou de 2 milhões de visualizações. Entre os comentários, apareceram os de sempre, "cadê quem julgou a Nat outro dia?", "ela fez isso porque a Ju já é famosa". A própria Ju respondeu por mim, lembrando que naquele momento ela era totalmente desconhecida e só depois do vídeo publicado que ganhou milhares de seguidores.

    O que mais me marcou nisso foi perceber como o bem quase sempre pede desculpas para existir. Ele precisa de prova, de testemunha, de alguém jurando que aconteceu antes da fama, antes do algoritmo, antes de qualquer interesse. Já o mal não precisa se justificar, basta acontecer, e as pessoas correm para repassar, comentar, se indignar juntas.

    À esquerda, mulher sentada com faixa rosa na cabeça recebe preparação facial de outra mulher com blusa floral. À direita, profissional com luvas e máscara aplica micropigmentação na sobrancelha da cliente, com legenda 'água fria'.
    À esquerda, mulher sentada com faixa rosa na cabeça recebe preparação facial de outra mulher com blusa floral. À direita, profissional com luvas e máscara aplica micropigmentação na sobrancelha da cliente, com legenda 'água fria'. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Não sei dizer exatamente quando isso ficou tão desequilibrado. Talvez sempre tenha sido assim, e a internet só tenha dado um megafone para o desequilíbrio. Julgar alguém dá uma sensação estranha de alívio, quase de justiça feita, mesmo quando a gente nem conhece a história inteira. Perdoar, elogiar, acreditar no outro exige mais paciência, mais tempo parado, e o que é parado não viraliza.

    Eu também já me peguei nesse lugar, comentando por dentro, julgando por dentro, sentindo aquele gostinho amargo de achar que enxerguei algo que os outros não viram, e depois vem a vergonha de ter sentido prazer nisso. Ninguém está livre desse impulso, na minha opinião. A diferença é quem para ao perceber que sentiu e quem simplesmente age.

    Todo mundo já sentiu isso em algum momento, aquela vontade de comentar algo ruim sobre alguém, um misto de indignação e prazer que a gente raramente admite sentir. Ao mesmo tempo, cada vez mais gente parece cansada disso, cansada de abrir o celular e só encontrar motivo para brigar com um desconhecido.

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    Uma parte de mim quer acreditar que o vídeo da Ju viralizando é sinal de alguma coisa mudando, de gente precisando respirar entre tanta notícia ruim. Outra parte não quer ser ingênua a esse ponto. Talvez as duas coisas sejam verdadeiras ao mesmo tempo, o mal ainda vence em alcance, e o bem ainda resiste em quem presta atenção de verdade.

    A pergunta que sobra é essa, para mim e para vocês. Vocês sentem que o mundo está mais generoso ou mais cruel? E o que fazem, na prática, quando bate aquela vontade de julgar alguém que nem conhecem direito?

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/natalia-beauty/2026/09/por-que-o-mal-viraliza-e-o-bem-precisa-se-explicar.shtml.

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