Por que morremos
perspectiva da morte é tão aterradora para nossa espécie que aqueles que se põem a vender produtos para evitar ou adiar o desfecho final não precisam se esforçar muito para prosperar. É como se pedí...

Jornalista, foi editor de Opinião. É autor de "Pensando Bem…"
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A perspectiva da morte é tão aterradora para nossa espécie que aqueles que se põem a vender produtos para evitar ou adiar o desfecho final não precisam se esforçar muito para prosperar. É como se pedíssemos para ser enganados. De drogas milagrosas e rotinas saudáveis a propostas mais exóticas como congelar o corpo à espera de curas futuras ou fazer um download de consciência em disco rígido, sempre haverá alguém disposto a acreditar e comprar.
Um antídoto contra essas engabelações é "Por Que Morremos", de Venki Ramakrishnan. O autor é um cientista de primeira —ganhou um Nobel por desvendar segredos do ribossomo — e não está vendendo nada. Minto. Ele está vendendo o livro, mas a obra não traz promessas mirabolantes que exijam pagamentos continuados.
Ramakrishnan começa com a biologia do envelhecimento. A morte não precisaria ser inevitável. Há espécies, como algumas águas-vivas, que podem ser descritas como imortais . Mas, quando olhamos para seres mais complexos de reprodução sexuada, o envelhecimento se torna quase universal. Um primeiro balde de água fria é que parece haver um limite máximo de tempo de vida para humanos, que estaria em torno dos 110 anos.

O autor vai além e mostra o que efetivamente funciona para prolongar a vida. E aí outra má notícia. É a restrição calórica . Bichos e pessoas que comem muito pouco, no limite da inanição, vivem mais. Muita gente, com muita razão, recusaria esse tipo de barganha envolvendo um dos grandes prazeres da vida.
Há drogas que também parecem funcionar. Mas seria uma temeridade recomendar a um humano saudável que as tomasse continuamente. Os efeitos adversos, que existem, não são ainda de todo conhecidos.
Ramakrishnan, que é didático sem deixar de ser técnico, também avança para as searas mais futuristas, como a criogenia e a transferência de consciência. Aborda ainda as questões éticas e econômicas relacionadas a uma putativa imortalidade.
Não deixe de ler o livro antes de comprar seu próximo suplemento alimentar infalível.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/colunas/helioschwartsman/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2026/08/por-que-morremos.shtml.

Ilustração para coluna de Hélio Schwartsman - Annette Schwartsman · Annette Schwartsman — Foto: UOL
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