Por que Matthew McConaughey decidiu passar dois dias lendo suas piores críticas
Matthew McConaughey, vencedor do Oscar e com fortuna estimada em US$ 200 milhões, reuniu duas décadas de críticas negativas sobre seu trabalho e passou um fim de semana no deserto lendo todas elas. | Getty Images " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/10/DESPITE-HIS-200-MILLION-SUCCESS-MATTHEW-MCCONAUGHEY-SPENT-A-WEEKEND-IN-THE-DESERT-READING-20-YEARS-OF-BAD-REVIEWSHE-SAYS-SOME-OF-THEM-HAD-A-POINT.jpg?fit=1280%2C853&quality=70&strip=all" />Experiência ajudou o ator a diferenciar críticas motivadas por preconceito de feedbacks capazes de acelerar o desenvolvimen

Matthew McConaughey, vencedor do Oscar e com fortuna estimada em US$ 200 milhões, reuniu duas décadas de críticas negativas sobre seu trabalho e passou um fim de semana no deserto lendo todas elas. | Getty Images
Matthew McConaughey tem um Oscar, uma fortuna estimada em US$ 200 milhões e duas décadas de críticas acumuladas, tanto positivas quanto negativas. Mas, apesar do sucesso, decidiu fazer algo incomum: reuniu todas as piores críticas já escritas sobre ele, foi para o deserto por um fim de semana e leu uma por uma.
“Transformei tudo em um livro grosso, não as críticas positivas, mas as negativas, e sentei para lê-las”, contou o ator em uma entrevista recente ao podcast Build or Break .

“Era a única coisa que levei comigo, e passei dois dias olhando para aquilo. Foi difícil.”
A experiência levou McConaughey a concluir que existem dois tipos de críticos, e que apenas um deles merece atenção.
“Em algumas críticas, percebi logo na primeira frase que a pessoa já tinha algo contra mim. Não importava se tinha visto o filme ou não. Ela simplesmente não gostava de mim e já iria escrever uma crítica negativa”, afirmou.

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Mas nem toda avaliação desfavorável era motivada por implicância.
“Li algumas e pensei: ‘Essa pessoa tem razão’. Era alguém que realmente gostava do meu trabalho, mas não recebeu da minha atuação aquilo que eu esperava transmitir. Onde foi que eu falhei?”

Para o ator, esse é o verdadeiro significado de uma crítica construtiva.
“Essa pessoa estava analisando o trabalho de forma objetiva. Elogiava algumas coisas, mas também apontava onde eu tinha ficado abaixo do esperado.”
A partir daí, surgiu a pergunta mais importante:

Segundo ele, algumas pessoas sempre desejarão o fracasso dos outros.
“Alguns vão falar mal de você não importa o que faça, porque simplesmente não gostam de você, do seu sucesso ou do que você representa”, disse. “Mas há críticos muito bons, que apontam de forma construtiva o que você fez de errado. E com isso você pode aprender.”
Para McConaughey, a lição vale para qualquer profissão: por maior que seja o sucesso alcançado, sempre há espaço para melhorar. O desafio é separar o feedback relevante do simples ruído.

A viagem ao deserto do oeste do Texas, próximo à cidade de Marfa, ocorreu por volta de 2018 ou 2019, quando o ator escrevia sua autobiografia Greenlights , segundo sua equipe. Naquele momento, ele já acumulava mais de duas décadas de carreira, impulsionada por trabalhos como Jovens, Loucos e Rebeldes ( Dazed and Confused ), Interestelar ( Interstellar ) e a série True Detective .
McConaughey está longe de ser o único profissional de sucesso a buscar feedback constante.
O ator Jason Bateman, da série Ozark , afirmou em entrevista à Esquire que lê todas as críticas de seus filmes e programas de TV porque considera importante entender como seu trabalho é recebido pelo público.
“Faço esses projetos para consumo público, então me importo com o que as pessoas pensam deles”, afirmou.
No mundo corporativo, a lógica é semelhante.
Apesar de comandar uma empresa avaliada em trilhões de dólares, Jensen Huang, CEO da Nvidia, diz que continua extremamente autocrítico. O executivo afirma trabalhar sete dias por semana e viver em um estado permanente de preocupação com os riscos para o negócio.
“Ninguém sofre melhor do que eu”, disse recentemente. “Para fazer algo extraordinário, você precisa sofrer. Não é um passeio no parque.”
Huang também afirma que está “ainda aprendendo a ser um bom CEO” e que faz questão de criticar o trabalho de seus colaboradores para ajudá-los a evoluir.
“Você não pode me mostrar algo sem receber algum tipo de crítica”, afirmou.
Já Patrice Louvet, CEO da Ralph Lauren, também defende feedbacks diretos e sem suavizações excessivas. Segundo ele, enfrentar fraquezas de forma rápida ajuda tanto empresas quanto carreiras a evoluir.
A importância da capacidade de lidar com críticas chegou até os processos de contratação. Gagan Biyani, CEO da plataforma educacional Maven e cofundador da Udemy, passou a incluir feedbacks ao vivo durante entrevistas de emprego.
Segundo ele, a reação do candidato costuma dizer muito sobre seu potencial.
“Se a pessoa trava ou se ofende, isso indica que ela não se encaixa na empresa”, afirmou. “Se encara aquilo com entusiasmo, há mais chances de funcionar.”
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