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    Por que frituras devem ser evitadas no cardápio das crianças

    O Ministério da Educação do Reino Unido publicou nesta semana novas regras para a alimentação escolar. Entre as medidas está a proposta de deixar de servir alimentos fritos às crianças. Para Stefan Kabisch, médico pesquisador e especialista em nutrição da Charité de Berlim e do Centro Alemão de Pesquisa em Diabetes, a iniciativa é acertada. Leia mais (09/16/2026 - 18h33)

    Folha de S.Paulo
    16 de setembro de 2026 às 21:33
    Por que frituras devem ser evitadas no cardápio das crianças
    Foto: Folha de S.Paulo

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    O Ministério da Educação do Reino Unido publicou nesta semana novas regras para a alimentação escolar. Entre as medidas está a proposta de deixar de servir alimentos fritos às crianças. Para Stefan Kabisch, médico pesquisador e especialista em nutrição da Charité de Berlim e do Centro Alemão de Pesquisa em Diabetes, a iniciativa é acertada.

    Reino Unido sugere eliminar frituras nas escolas - Adobe Stock · Adobe Stock
    Reino Unido sugere eliminar frituras nas escolas - Adobe Stock · Adobe Stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Preparar alimentos como batatas fritas, carnes ou donuts em uma fritadeira cheia de gordura aquecida a altas temperaturas pode agradar ao paladar, mas traz riscos à saúde .

    Segundo Kabisch, o problema está no tipo de gordura usado na fritura . Em teoria, seria possível utilizar um óleo vegetal mais saudável. Na prática, porém, as temperaturas elevadas exigem o uso de gorduras vegetais refinadas, processadas para suportar o calor sem produzir fumaça nem alterar o sabor dos alimentos.

    Segundo o pesquisador, essas gorduras refinadas tendem a conter mais ácidos graxos saturados. "As gorduras saturadas são um problema porque estimulam processos inflamatórios no organismo, favorecem a resistência à insulina e, dessa forma, contribuem tanto para a obesidade quanto para o diabetes tipo 2", afirma Kabisch.

    Fritura sem óleo
    Fritura sem óleo — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Além disso, os ácidos graxos saturados aumentam o risco de aterosclerose, caracterizada pelo estreitamento ou obstrução das artérias, o que pode provocar infartos e derrames. Outro fator de preocupação é o alto teor de sal presente em muitos alimentos fritos. O consumo excessivo de sal eleva a pressão arterial e, consequentemente, o risco de doenças cardiovasculares.

    Durante a fritura de alimentos ricos em amido, como a batata, pode ocorrer a formação de acrilamida , substância considerada potencialmente cancerígena. Concentrações elevadas do composto são encontradas, entre outros produtos, em chips, batatas fritas, batatas douradas e croquetes.

    A acrilamida traz a cor dourada e o sabor característico aos alimentos fritos e também assados. Em junho, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) divulgou uma série de recomendações sobre a substância. Entre as medidas estão a preferência pelo consumo de batatas cozidas, além de fritar ou assar alimentos a temperaturas mais baixas.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Pesquisadores também identificaram uma associação estatística entre o consumo de alimentos fritos e a ocorrência de depressão. Kabisch, no entanto, recomenda cautela ao interpretar esses resultados. Segundo ele, uma correlação não é suficiente para demonstrar uma relação de causa e efeito.

    A relação pode ser inversa: pessoas com depressão talvez sejam mais propensas a recorrer a refeições rápidas e frituras do que a preparar uma refeição saudável, que exige mais tempo e esforço. Ainda assim, Kabisch não descarta completamente uma possível relação entre alimentos fritos e saúde mental. Isso porque a alimentação influencia o microbioma intestinal, e o intestino, por sua vez, exerce influência sobre o cérebro e a psique.

    Quem reduz o consumo de frituras abre espaço na alimentação para opções mais saudáveis. No fim das contas, o fator mais importante é a quantidade consumida, diz Kabisch: quanto menos, melhor.

    "Não se pode afirmar com total convicção que a dose ideal seja zero", afirma o pesquisador. "Mas o consumo de alimentos fritos deve ser reduzido o máximo possível." Por isso, ele considera "plenamente justificável" uma intervenção desse tipo na alimentação escolar.

    No Brasil, a alimentação escolar é exemplo mundial com o Pnae (Programa Nacional de Alimentação Escolar). A legislação determina que os cardápios respeitem a cultura alimentar local e limitem ultraprocessados. A partir deste ano, no máximo 10% dos alimentos servidos nas escolas públicas poderiam ser processados e ultraprocessados. O governo federal recomenda ainda que esses itens não sejam comprados.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2026/09/por-que-frituras-devem-ser-evitadas-no-cardapio-das-criancas.shtml.

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