Por que as Casas Bahia pediram recuperação judicial? Veja o que empresa diz
Companhia informou, via fato relevante, que pedido de reestruturação foi protocolado e não deve interferir nas operações de canais já existentes

O grupo varejista Casas Bahia anunciou, no domingo (16), via fato relevante, que protocolou seu pedido de recuperação judicial. Segundo a companhia, a atitude foi tomada devido à piora das condições financeiras da companhia.
No documento, a empresa alega que o ambiente macroeconômico desafiador, marcado pela alta taxa de juros , a restrição do crédito , o aumento do custo financeiro e a pressão sobre consumo e capital de giro foram fatores relevantes para a tomada de decisão.
“Nesse cenário de liquidez restrita, o ajuizamento do pedido de recuperação judicial mostra-se necessário e configura mais um passo na direção da reestruturação financeira da Companhia, buscando preservar a continuidade das atividades empresariais, proteger a geração de valor futuro e viabilizar uma solução ordenada para o equacionamento de suas obrigações”, afirmaram as Casas Bahia na nota.

A companhia ainda adicionou que pretende manter suas operações em todos os canais existentes, priorizando atendimento aos clientes e consumidores, que deverão acontecer normalmente após o pedido de recuperação.
A ação não atinge somente as Casas Bahia. No comunicado, o grupo informa que o pedido de recuperação judicial protocolado inclui as demais empresas do grupo:
O pedido recuperação judicial chega após a companhia registrar um prejuízo de R$ 10 bilhões de reais no segundo trimestre , 18 vezes maior ante o mesmo período do ano passado.

No balanço, a empresa também não tinha descartado a possibilidade da necessidade de protocolar uma recuperação judicial.
Anos antes, em abril de 2024, a varejista Casas Bahia já havia pedido recuperação extrajudicial para dívidas que somavam R$ 4,1 bilhões . O Juízo da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo homologou o plano apresentado pela companhia após dois meses.
A companhia adiou por duas vezes a divulgação dos resultados financeiros. Marcada inicialmente para 12 de agosto, a publicação foi postergada para o dia 14 do mesmo mês. Chegado o dia, a empresa novamente não compartilhou os informes.

No domingo (16), a varejista publicou os resultados, que apresentaram um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões entre maio e junho .
A publicação também acontece em meio às polêmicas de que a Casas Bahia deve fechar 298 lojas . A informação, inicialmente veiculada na mídia, foi confirmada pela empresa nos documentos do balancete .
Casas Bahia pede recuperação judicial após confirmar fechamento de lojas | MORNING CALL

O sindicato dos trabalhadores da varejista se posicionou perante a notícia dos fechamentos.
Em nota, o Secor (Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região ) manifestou sua preocupação com o fechamento das quase 300 lojas e disse que tomará as medidas necessárias para garantir os direitos dos trabalhadores.
“Os comerciários não podem arcar com prejuízos decorrentes de decisões empresariais tomadas sem o devido diálogo e transparência”, disse o presidente do Secor, Luciano Pereira Leite, em nota.

Relatos recebidos pelo sindicato ainda constatam que os funcionários foram pegos de surpresa, que ainda aguardam o desenrolar do processo e que esperam por informações detalhadas sobre os procedimentos de seguro-desemprego e demais direitos previstos legislação trabalhista e na convenção coletiva da categoria.


Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/negocios/por-que-as-casas-bahia-pediram-recuperacao-judicial-veja-o-que-empresa-diz/.

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