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    Populações indígenas da Amazônia têm poucos casos de demência, mas estudo revela que mortalidade deste público influenciou nos dados

    Pesquisa acompanhou 730 adultos Tsimané e Mosetén na Amazônia boliviana por quase cinco anos e identificou 22 novos casos da doença

    CNN Brasil
    23 de setembro de 2026 às 13:22
    Populações indígenas da Amazônia têm poucos casos de demência, mas estudo revela que mortalidade deste público influenciou nos dados
    Foto: CNN Brasil

    Na Amazônia boliviana, duas populações indígenas chamam a atenção de pesquisadores pela baixa prevalência de demência. Entre os Tsimané e os Mosetén , menos de 2% das pessoas vivem com a condição, segundo um novo estudo publicado na revista Alzheimer’s & Dementia .

    O resultado ganha ainda mais importância porque a rotina dessas comunidades é diferente daquela observada em sociedades urbanas e industrializadas. A alimentação, o nível de atividade física e a forma como os moradores organizam o cotidiano estão entre os fatores investigados para entender como essas características podem estar relacionadas ao envelhecimento do cérebro.

    Embora poucas pessoas estejam vivendo com demência, os novos casos identificados durante o acompanhamento não foram tão raros quanto se imaginava.

    Populações indígenas são estudadas por pesquisadores devido à baixa prevalência de demência. • Lucia Barreiros Silva/Pexels · • Lucia Barreiros Silva/Pexels
    Populações indígenas são estudadas por pesquisadores devido à baixa prevalência de demência. • Lucia Barreiros Silva/Pexels · • Lucia Barreiros Silva/Pexels — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Os Tsimané e os Mosetén vivem na região amazônica da Bolívia e apresentam diferenças em relação ao grau de integração à sociedade boliviana. Os Tsimané mantêm um modo de vida mais ligado à subsistência e vivem principalmente em comunidades próximas ao rio Maniqui. Já os Mosetén , apesar de terem relação histórica e linguística com os Tsimané, estão mais integrados à sociedade boliviana.

    O interesse dos pesquisadores por essas populações aumentou após um estudo publicado em 2022 na revista Alzheimer’s & Dementia . A pesquisa avaliou 623 indígenas com 60 anos ou mais e encontrou cinco casos de demência entre 435 Tsimané, uma prevalência de 1,2% , e um caso entre 169 Mosetén, equivalente a 0,6% . Todos os casos identificados ocorreram entre participantes com 80 anos ou mais.

    O estudo apontou que os dois grupos apresentam características que podem ser relevantes para a saúde ao longo do envelhecimento , como níveis elevados de atividade física, baixa frequência de alguns fatores de risco cardiovascular e uma alimentação com menor presença de carboidratos e gorduras processados.

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    Os pesquisadores, porém, trataram esses aspectos como possíveis fatores relacionados ao cenário, e não como uma explicação comprovada para a baixa prevalência de demência.

    A pesquisa mais recente acompanhou 730 adultos que não tinham demência no início da investigação. Após uma mediana de 4,7 anos, foram identificados 22 novos casos . A incidência foi de 7,40 casos por mil pessoas-ano, enquanto a prevalência permaneceu abaixo de 2%.

    O estudo também encontrou mortalidade significativamente maior entre os participantes que já tinham demência no início do acompanhamento. Para os pesquisadores, esse resultado ajuda a entender por que a quantidade de pessoas vivendo com a condição permanece baixa, mesmo com a identificação de novos casos.

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    Nas análises exploratórias, os pesquisadores ainda encontraram associações entre a ocorrência de demência e fatores como a variante genética APOE ε4 , o cálcio na aorta torácica e os níveis de neurofilamento de cadeia leve no sangue. Os autores, porém, ressaltam que esses resultados ainda precisam de investigação.

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    Cruz de 102 metros começa a ser erguida e terá altura equivalente a um prédio de 30 andares e três vezes o tamanho do Cristo Redentor — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
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    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/curiosidades/populacoes-indigenas-da-amazonia-tem-poucos-casos-de-demencia-mas-estudo-revela-que-mortalidade-deste-publico-influenciou-nos-dados/.

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