Pondé comenta Aristóteles e filósofos citados por ministros em sessão do STF; veja vídeo
Afinal, Aristóteles realmente afirmou que a ironia serve para descontrair o ambiente, como colocou o ministro Flávio Dino ? Citado cinco vezes pelo ministro, o filósofo da Grécia Antiga não esteve sozinho ao longo da sessão no STF (Supremo Tribunal Federal), nesta terça (15), que discutiu se Alexandre de Moraes deve ser investigado. Leia mais (09/17/2026 - 18h14)

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Afinal, Aristóteles realmente afirmou que a ironia serve para descontrair o ambiente, como colocou o ministro Flávio Dino ? Citado cinco vezes pelo ministro, o filósofo da Grécia Antiga não esteve sozinho ao longo da sessão no STF (Supremo Tribunal Federal), nesta terça (15), que discutiu se Alexandre de Moraes deve ser investigado.

Foram diversas as referências culturais movimentadas pelos ministros do Supremo que, em meio a bate-bocas , citaram Thomas Hobbes e Dieter Grimm, e também Fábio Porchat, Chico César e Clarice Lispector.
Para falar do uso da filosofia por parte dos ministros ao longo da sessão tanto histórica quanto tensa , a TV Folha convidou o colunista Luiz Felipe Pondé para comentar esses momentos filosóficos e e mostrar o que estas citações e referências nos contam a respeito da crise do STF, do caso Master e da corrida eleitoral.
"A resposta é que a República está à venda, independente de qual filósofo se citar", resume o escritor, ensaísta e doutor em filosofia pela USP.
O ministro undamentou sua declaração de impedimento citando o filósofo do direito Dieter Grimm. Para Pondé, citando Grimm, Kassio remete à noção de que deve se autolimitar para preservar a imagem do tribunal, independentemente de sua culpabilidade.
O decano da corte citou a terzietà (terceiridade, em português) do jurista italiano Luigi Ferrajoli: a exigência de que o julgador seja estritamente um terceiro alheio e afastado das pretensões das partes.
Pondé aponta que Gilmar usa essa argumentação para levantar dúvidas quanto à intenção de Mendonça em suas ações como relator do caso.
Em diálogo com o presidente Edson Fachin, o ministro Flávio Dino disse que "a ironia serve para discontrair o ambiente", atribuindo a autoria desse pensamento ao filósofo grego Aristóteles.
Segundo Pondé, essa não é exatamente a posição aristotélica sobre o conceito de ironia que, para o grego, seria um gesto oposto ao da arrogância. "O irônico faz o movimento de diminuir o próprio conhecimento. A gente nem pode dizer que a ironia visa tornar o ambiente leve. Ela visa produzir uma suspeita", diz Pondé.
Em outro momento da sessão, Dino voltou a citar Aristóteles: para o filósofo grego, moderação e ponderação seriam virtudes republicanas a se enaltecer.
Pondé confirma que Dino faz uma referência correta. "Aristóteles de fato fala isso. Para ele, a virtude suprema de um líder é a prudência. E uma das formas de ser prudente é sempre seguir a norma e não a opinião de uma pessoa", diz Pondé.
Na terceira menção ao filósofo clássico grego, Dino disse: "Eu sou daqueles que acham que a corrupção não justifica um combate corrupto à corrupção. E não me refiro a corrupção no sentido de improbidade, mas no sentido aristotélico —formas corrompidas de exercício de poder".
A citação foi correta e também é um clássico do debate moral e jurídico, segundo Pondé.
Em sua quarta citação a Aristóteles, o ministro disse: "Atribuição de relatorias e mudança de relatorias ao critério de um indivíduo? Nós estamos rasgando toda a filosofia política, de Aristóteles até os processualistas contemporâneos. Desde a distinção basilar de governo de lei e governo dos homens".
Segundo Pondé, o conceito é uma das primeiras coisas que se aprende em ciência política na graduação, e está citado corretamente.
A quinta citação de Dino a Aristóteles menciona o silogismo, uma forma de raciocínio em que duas premissas necessariamente levam a uma conclusão verdadeira.
Aqui, o ministro alude à "guerra de todos contra todos", expressão associada ao filósofo inglês Thomas Hobbes para descrever o estado de natureza, uma condição de conflito e insegurança que, segundo ele, caracteriza a ausência de uma autoridade comum capaz de impor regras e garantir a segurança.
Para Pondé, Dino citou Hobbes de forma correta e clássica na intenção de dizer que Fachin não está exercendo a função de responsabilidade do que seria "o soberano".
O presidente do STF, Edson Fachin, cita o cientista político norte-americano Stephen Holmes: "Os protocolos salvam. O método salva".
Segundo Pondé, a citação é correta. "Ao me colocar abaixo da lei, da norma, da regra, eu estou dizendo o quê? Porque sou ministro do STF, não posso fazer o que eu quiser. Isso passa para as pessoas que ele está se contendo, o que gera credibilidade. Uma instituição que tem credibilidade é poderosa.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/tv/2026/09/ponde-comenta-aristoteles-e-filosofos-citados-por-ministos-em-sessao-do-stf-veja-video.shtml.

Foto: Folha de S.Paulo
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