Policial preso por liberar muamba tinha empresa transportadora de cargas
Investigador recebia R$ 7,7 mil da Polícia Civil e mantinha CNPJ de transporte rodoviário; ele foi preso na Operação Merx, do Gaeco da SP

O policial civil Bruno Moreno dos Santos ( imagem em destaque ), preso sob suspeita de cobrar propina para liberar cargas de eletrônicos de descaminho , tinha um negócio justamente no ramo dos caminhões que estão no centro de uma investigação sobre transporte rodoviário de cargas.
Documentos obtidos pela coluna mostram que o investigador mantinha um CNPJ cujo objeto social, segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado ( Gaeco ), é justamente o transporte de cargas. A coincidência chamou a atenção dos promotores e, segundo o próprio Ministério Público de São Paulo ( MPSP ), “reclama esclarecimento à luz do objeto da investigação”.
Carro a Polícia Civil durante escolta de carga de descaminho

Parte da propina era paga em dinheiro vivo
Prefeito exonerou então secretário-adjunto de Segurança Urbana
Em rede social, policial incluiu cargo assumido no litoral

Em mensagem, advogado fala sobre pagamento de "acerto" com policiais
Investigador José Adriano Pereira da Silva Nishi
Policial civil foi preso em ação conjunta do Gaeco e Corregedoria da instituição

Bruno foi preso, no último dia 28, na Operação Merx, deflagrada pelo Gaeco com apoio da Corregedoria da Polícia Civil . O grupo é investigado por interceptar caminhões carregados com eletrônicos de descaminho e exigir propina para devolver toda ou parte da mercadoria. A defesa dele não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações.
Bruno aparece diretamente no primeiro dos episódios reconstruídos a partir da apreensão do celular do empresário Thiago Marcel Magnabosco, apontado como líder do grupo responsável pelas cargas. Ele seguia foragido até a publicação desta reportagem.
Em 17 de junho de 2024, Bruno figurou como condutor de uma ocorrência na qual foram oficialmente apreendidos 127 celulares. Segundo o Gaeco, porém, conversas recuperadas pela investigação indicam que a carga era muito maior.

O suposto “acerto” para a liberação teria sido de R$ 400 mil, equivalente a 70% do valor estimado das mercadorias. As mensagens indicam ainda que uma parcela reduzida seria registrada como apreendida para dar aparência de legalidade à abordagem, enquanto o restante seria devolvido. Leia também Alfredo Henrique Viatura virava escolta de muamba após “acerto” com policiais, diz Gaeco Alfredo Henrique Com salário de R$ 27 mil, tenente é preso dando migué em bico da PM Alfredo Henrique Megatraficante que rompeu com PCC é encontrado morto em presídio federal Alfredo Henrique Policial preso em esquema de propina era secretário de Segurança no litoral Patrimônio sob suspeita O patrimônio do investigador também entrou na lupa dos promotores. Em março deste ano, Bruno recebia R$ 7.729,53 brutos da Polícia Civil.
O Gaeco destacou que, menos de dois meses após o episódio de junho de 2024, ele quitou um imóvel adquirido anteriormente. O policial ainda arrematou dois outros imóveis em leilões da Justiça do Trabalho, um em julho de 2024 e outro em maio de 2025.
Para o MPSP, a aquisição recorrente de imóveis em leilões, especialmente em datas próximas aos fatos investigados, é uma forma que pode ser utilizada para conferir aparência lícita a recursos de origem irregular.

Além de Bruno, foram presos os policiais José Adriano Pereira da Silva Nishi e Marcos Vinicius de Souza Melo, além do advogado Sidiclei da Costa Almeida e o empresário Jonathan Renan Vieira.
O policial civil Vagner Ramalho e o empresário Thiago Marcel Magnabosco, apontado pelo MPSP como líder da organização responsável pela introdução clandestina dos eletrônicos, continuavam foragidos até a publicação deste texto.
A defesa dos suspeitos não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações.



Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/colunas/alfredo-henrique/policial-preso-por-liberar-muamba-tinha-empresa-transportadora-de-cargas.

Reprodução/MPSP — Foto: Metrópoles
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