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    Policial preso por liberar muamba tinha empresa transportadora de cargas

    Investigador recebia R$ 7,7 mil da Polícia Civil e mantinha CNPJ de transporte rodoviário; ele foi preso na Operação Merx, do Gaeco da SP

    Metrópoles
    2 de setembro de 2026 às 07:30
    Policial preso por liberar muamba tinha empresa transportadora de cargas
    Foto: Metrópoles

    O policial civil Bruno Moreno dos Santos ( imagem em destaque ), preso sob suspeita de cobrar propina para liberar cargas de eletrônicos de descaminho , tinha um negócio justamente no ramo dos caminhões que estão no centro de uma investigação sobre transporte rodoviário de cargas.

    Documentos obtidos pela coluna mostram que o investigador mantinha um CNPJ cujo objeto social, segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado ( Gaeco ), é justamente o transporte de cargas. A coincidência chamou a atenção dos promotores e, segundo o próprio Ministério Público de São Paulo ( MPSP ), “reclama esclarecimento à luz do objeto da investigação”.

    Carro a Polícia Civil durante escolta de carga de descaminho

    Reprodução/MPSP
    Reprodução/MPSP — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Parte da propina era paga em dinheiro vivo

    Prefeito exonerou então secretário-adjunto de Segurança Urbana

    Em rede social, policial incluiu cargo assumido no litoral

    Homem pardo - Metrópoles
    Homem pardo - Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Em mensagem, advogado fala sobre pagamento de "acerto" com policiais

    Investigador José Adriano Pereira da Silva Nishi

    Policial civil foi preso em ação conjunta do Gaeco e Corregedoria da instituição

    Policial preso por liberar muamba tinha empresa transportadora de cargas - destaque galeria
    Policial preso por liberar muamba tinha empresa transportadora de cargas - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Bruno foi preso, no último dia 28, na Operação Merx, deflagrada pelo Gaeco com apoio da Corregedoria da Polícia Civil . O grupo é investigado por interceptar caminhões carregados com eletrônicos de descaminho e exigir propina para devolver toda ou parte da mercadoria. A defesa dele não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações.

    Bruno aparece diretamente no primeiro dos episódios reconstruídos a partir da apreensão do celular do empresário Thiago Marcel Magnabosco, apontado como líder do grupo responsável pelas cargas. Ele seguia foragido até a publicação desta reportagem.

    Em 17 de junho de 2024, Bruno figurou como condutor de uma ocorrência na qual foram oficialmente apreendidos 127 celulares. Segundo o Gaeco, porém, conversas recuperadas pela investigação indicam que a carga era muito maior.

    Carro a Polícia Civil durante escolta de carga de descaminho
    Carro a Polícia Civil durante escolta de carga de descaminho — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    O suposto “acerto” para a liberação teria sido de R$ 400 mil, equivalente a 70% do valor estimado das mercadorias. As mensagens indicam ainda que uma parcela reduzida seria registrada como apreendida para dar aparência de legalidade à abordagem, enquanto o restante seria devolvido. Leia também Alfredo Henrique Viatura virava escolta de muamba após “acerto” com policiais, diz Gaeco Alfredo Henrique Com salário de R$ 27 mil, tenente é preso dando migué em bico da PM Alfredo Henrique Megatraficante que rompeu com PCC é encontrado morto em presídio federal Alfredo Henrique Policial preso em esquema de propina era secretário de Segurança no litoral Patrimônio sob suspeita O patrimônio do investigador também entrou na lupa dos promotores. Em março deste ano, Bruno recebia R$ 7.729,53 brutos da Polícia Civil.

    O Gaeco destacou que, menos de dois meses após o episódio de junho de 2024, ele quitou um imóvel adquirido anteriormente. O policial ainda arrematou dois outros imóveis em leilões da Justiça do Trabalho, um em julho de 2024 e outro em maio de 2025.

    Para o MPSP, a aquisição recorrente de imóveis em leilões, especialmente em datas próximas aos fatos investigados, é uma forma que pode ser utilizada para conferir aparência lícita a recursos de origem irregular.

    Parte da propina era paga em dinheiro vivo
    Parte da propina era paga em dinheiro vivo — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Além de Bruno, foram presos os policiais José Adriano Pereira da Silva Nishi e Marcos Vinicius de Souza Melo, além do advogado Sidiclei da Costa Almeida e o empresário Jonathan Renan Vieira.

    O policial civil Vagner Ramalho e o empresário Thiago Marcel Magnabosco, apontado pelo MPSP como líder da organização responsável pela introdução clandestina dos eletrônicos, continuavam foragidos até a publicação deste texto.

    A defesa dos suspeitos não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações.

    Prefeito exonerou então secretário-adjunto de Segurança Urbana
    Prefeito exonerou então secretário-adjunto de Segurança Urbana — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Em rede social, policial incluiu cargo assumido no litoral
    Em rede social, policial incluiu cargo assumido no litoral — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Em mensagem, advogado fala sobre pagamento de "acerto" com policiais
    Em mensagem, advogado fala sobre pagamento de "acerto" com policiais — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/colunas/alfredo-henrique/policial-preso-por-liberar-muamba-tinha-empresa-transportadora-de-cargas.

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