Policial ajudou candidato preso a ocultar provas de homicídio, diz MPSP
Emerson Dias Rocha (Podemos) foi condenado por matar um homem em 1998, mas não chegou a cumprir pena; ele foi preso nesta quinta-feira (20) por suspeita de ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital)

Uma denúncia do MPSP (Ministério Público de São Paulo) revelou que um investigador da Polícia Civil atuou para proteger Emerson Dias Rocha (Podemos) — candidato a deputado estadual —, durante um processo que investigou um homicídio e uma tentativa de homicídio, ocorridos em 1998.
Emerson foi preso nesta quinta-feira (20) por suspeita de ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital). Em 2008, o candidato já havia sido condenado pela tentativa de homicídio , porém nunca chegou a cumprir a pena.
Segundo o documento obtido pela CNN Brasil , o policial Flávio Marzagão Cassaguerra ajudou Emerson a sumir com a caminhonete usada nos crimes e, anos depois, teria usado de “graves ameaças” para coagir testemunhas a mentirem à polícia, como forma de proteger o candidato.

À época dos fatos, em novembro de 1998, Emerson teria assassinado um homem a tiros e tentou matar uma mulher após uma briga de trânsito na avenida Nazaré, em São Paulo.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o canditado contou com a ajuda direta do investigador de polícia Flávio Marzagão Cassaguerra –– até então lotado no 80º DP (Vila Joaniza) –– para sumir com as provas.
Segundo o documento, o caso teve início durante a madrugada, quando Emerson dirigia uma caminhonete e, ao realizar uma manobra de marcha à ré, atingiu uma mulher . Após ela reclamar da conduta, teria sido agredida fisicamente pelo acusado .

Um homem que presenciou as agressões, posteriormente identificado como Dimitry Muniz de Lima, interveio para proteger a mulher e conseguiu afastá-la de Emerson. Os dois deixaram o local correndo e seguiram até um ponto de ônibus, onde permaneceram por cerca de 30 minutos.
Em seguida, Emerson teria retornado ao local, descido da caminhonete e efetuado disparos contra as vítimas. Dimitry foi atingido pelas costas e morreu. A mulher foi socorrida por equipes médicas e sobreviveu.
Para o Ministério Público, Emerson agiu por motivo fútil e com recurso que dificultou a defesa das vítima s, que teriam sido perseguidas e atacadas de surpresa. Segundo a denúncia, Dimitry foi morto porque Emerson não teria gostado da intervenção dele durante a briga com a mulher.

Veja: Candidato a deputado preso em SP foi condenado por tentativa de homicídio
Após os disparos, o candidato fugiu e, segundo o documento, contou com a ajuda do investigador de polícia Flávio Marzagão Cassaguerra –– então lotado no 80º DP –– para ocultar a caminhonete usada no crime.
De acordo com a acusação, Emerson e o policial entregaram o veículo a um homem e o orientaram sobre como ele deveria responder aos questionamentos da polícia a respeito da posse da caminhonete.

Anos após os crimes, em outubro de 2003, na Praça Alfredo Isso, em São Paulo, Flávio Marzagão Cassaguerra teria procurado o homem que recebeu o veículo e feito “grave ameaça” para favorecer Emerson .
Segundo o documento, o investigador exigiu que o homem mantivesse a versão apresentada anteriormente à polícia e atribuísse a outra pessoa a autoria dos crimes.
Em outra ocasião, ainda de acordo com a denúncia, Flávio teria telefonado para uma testemunha e marcado um encontro. Ele teria dito que ela prestaria um novo depoimento à autoridade policial e que, como Emerson estava preso, deveria afirmar que não o conhecia. Caso contrário, segundo o relato, “iria ficar ruim para ela” .

Em 29 de outubro de 2003, Flávio teve sua prisão preventiva decretada sob a acusação de coação no curso do processo , em razão às ameaças feitas contra as testemunhas do homicídio de Dimitry Muniz de Lima. Naquela data, ele constava oficialmente como custodiado no PEPC (Presídio Especial da Polícia Civil).
O candidato a deputado estadual em São Paulo, Emerson Dias da Rocha (Podemos), foi preso em uma operação do MPSP (Ministério Público de São Paulo) por uma suposta ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital), na manhã desta quinta-feira.
Conhecido como “ Filipinho “, ele foi alvo de um mandado de prisão durante a Operação Cátaros. Segundo as investigações, ele possui extensa ficha criminal e integraria um esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa.

Veja quem é o candidato a deputado estadual preso por ligação com o PCC | BASTIDORES CNN

Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/policial-ajudou-candidato-preso-a-ocultar-provas-de-homicidio-diz-mpsp/.

Suspeito morre após tentativa de roubo a PMs perto da avenida Faria Lima — Foto: CNN Brasil
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