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    Policiais civis simulavam apreensões e escoltavam carga de contrabando em SP, diz Ministério Público

    A investigação do Ministério Público sobre um grupo de policiais civis suspeitos de receber propina para facilitar esquemas de contrabando diz que os agentes simulavam apreensões de produtos ilícitos e escoltavam cargas de alto valor usando viaturas da própria corporação. Leia mais (08/28/2026 - 16h14)

    Folha de S.Paulo
    28 de agosto de 2026 às 19:14
    Policiais civis simulavam apreensões e escoltavam carga de contrabando em SP, diz Ministério Público
    Foto: Folha de S.Paulo

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    A investigação do Ministério Público sobre um grupo de policiais civis suspeitos de receber propina para facilitar esquemas de contrabando diz que os agentes simulavam apreensões de produtos ilícitos e escoltavam cargas de alto valor usando viaturas da própria corporação.

    Imagem anexada ao inquérito mostra viatura da Polícia Civil em suposta escolta a produtos contrabandeados; arquivo foi localizado com investigado - Reprodução MP-SP · Reprodução MP-SP
    Imagem anexada ao inquérito mostra viatura da Polícia Civil em suposta escolta a produtos contrabandeados; arquivo foi localizado com investigado - Reprodução MP-SP · Reprodução MP-SP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O caso culminou numa operação deflagrada nesta sexta-feira (28) que apura os crimes de corrupção passiva e ativa e lavagem de dinheiro. Além do Ministério Público, a Corregedoria da Polícia Civil participou das diligências.

    Sete pessoas tiveram prisão preventiva (sem prazo para ser encerrada) decretada, quatro de policiais civis, em decisão que autorizou buscas em 18 endereços. Entre os alvos estão as delegacias de Embu das Artes, Santana de Parnaíba e o 2º distrito policial de Cotia.

    A investigação é conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado ) e começou em dezembro de 2024, a partir da prisão de Thiago Marcel Magnabosco, detido pela PF (Polícia Federal).

    O que diz o Anuário da Segurança Pública de 2026
    O que diz o Anuário da Segurança Pública de 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Apontado como líder de uma organização criminosa especializada nos crimes de contrabando e descaminho, Magnabosco guardava em seu aparelho celular mensagens que conectam o esquema a policiais civis de São Paulo .

    A primeira negociação teria ocorrido em junho de 2024, quando um caminhão que carregava cerca de R$ 600 mil em produtos contrabandeados foi abordado pela Polícia Civil de São Paulo e permaneceu sob custódia de dois agentes, Bruno Moreno dos Santos e José Adriano da Silva Nishi. Segundo o Gaeco, eles cobraram R$ 400 mil para liberar a carga.

    A Justiça decretou a prisão preventiva tanto de Santos como de Nishi. Outros dois alvos são os policiais civis Vagner Ramalho e Marcos Vinícius de Souza Melo. A Folha não identificou nesta sexta-feira a defesa dos investigados.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Não foi o único caso. Segundo o Gaeco, ocorrências do gênero ocorreram em julho e agosto e contaram com a atuação do advogado Sidiclei da Costa Almeida, apontado como intermediador de propina entre a quadrilha e os policiais civis.

    Em um dos casos, agentes apreenderam apenas 250 aparelhos celulares numa carga que transportava mais de 4.000 itens –segundo o Gaeco, isso ocorreu para dar aparência de legalidade às diligências.

    Em outro, ainda conforme as investigações, agentes apreenderam um caminhão repleto de aparelhos contrabandeados na rodovia Castelo Branco (SP-280) e liberaram a carga dias depois, após receberem cerca de R$ 700 mil em propina.

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    O Gaeco diz que houve uma operação de resgate para a mercadoria que contou inclusive com escolta dos policiais Ramalho e Melo.

    "Além da omissão quanto aos deveres funcionais, os valores pagos a título de ‘propina’ garantiram que a carga ilícita chegasse regularmente à cidade de São Paulo, sob escolta da própria Polícia Civil, evitando eventual fiscalização pela Polícia Rodoviária Federal", escreveram os promotores do Gaeco na representação que culminou na operação desta sexta.

    A apreensão da carga na rodovia Castelo Branco não se deu por acaso: na verdade, segundo o Gaeco, o veículo já vinha sendo monitorado pelo investigador Vagner Lima, que usou o sistema do Muralha Paulista para consultar a localização do caminhão 13 vezes.

    As pesquisas se deram antes mesmo de o veículo chegar à circunscrição de Barueri, onde Lima trabalhava. Para o Ministério Público, trata-se de algo "incompatível com abordagem casual e coerente com os limites funcionais das atribuições policiais naquela localidade". Lima foi afastado do cargo.

    As estimativas do Gaeco apontam para pelo menos R$ 2,3 milhões pagos a título de propina aos agentes que, "traindo a função pública para a qual foram investidos, solicitaram e receberam valores indevidos".

    Assinada pelo juiz Djalma Moreira Gomes Júnior, a decisão que autorizou a operação desta sexta diz que os fatos revelam "elevado grau de gravidade concreta, pois envolvem possível utilização da própria função pública para obtenção de proveito econômico ilícito".

    Ainda segundo o magistrado, o caso tem potencial para comprometer a própria credibilidade das instituições encarregadas da repressão criminal.

    "Há veementes indicativos de que os investigados integram organização criminosa e praticaram crimes de corrupção passiva, corrupção ativa [e] lavagem de capitais."

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/policiais-civis-simulavam-apreensoes-e-escoltavam-carga-de-contrabando-em-sp-diz-ministerio-publico.shtml.

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