Polícia prende dois últimos acusados de monitorar autoridades para o PCC
Dois homens acusados de integrar uma célula do PCC (Primeiro Comando da Capital) foram presos no interior de São Paulo . Segundo a acusação, o grupo monitorava o promotor Lincoln Gakiya , do Ministério Público , e o coordenador Roberto Medina, responsável por unidades prisionais da região oeste do estado. Leia mais (08/16/2026 - 17h06)

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
Dois homens acusados de integrar uma célula do PCC (Primeiro Comando da Capital) foram presos no interior de São Paulo . Segundo a acusação, o grupo monitorava o promotor Lincoln Gakiya , do Ministério Público , e o coordenador Roberto Medina, responsável por unidades prisionais da região oeste do estado.

Victor Hugo da Silva e Adilson Audinir Oliveira Júnior eram os únicos dos quatro acusados que ainda estavam em liberdade. A Folha procurou o advogado que já representou Victor Hugo no caso, mas não obteve resposta até a publicação deste texto. A reportagem também busca contato da defesa de Adilson.
Em julho, o Ministério Público de São Paulo apresentou denúncia contra quatro suspeitos sob acusação de monitorar autoridades públicas e dar apoio a planos da facção criminosa para cometer assassinatos.
Também foram denunciados Wellison Rodrigo Bispo de Almeida e Sérgio Garcia da Silva. Todos respondem por organização criminosa. À época da denúncia, um advogado que defendeu Wellison num caso de suspeita de tráfico de drogas não quis comentar o caso. A reportagem não identificou a defesa de Sérgio Silva.

As prisões ocorreram na sexta-feira (14), em Presidente Prudente e Álvares Machado, no oeste paulista, durante a Operação Recon. A SSP (Secretaria da Segurança Pública do estado) não informou qual deles foi localizado em cada cidade.
A Promotoria havia pedido a prisão preventiva (sem prazo) dos quatro e a inclusão deles no RDD (regime disciplinar diferenciado), que prevê regras mais rígidas de isolamento e restrição de contato com outros presos.
A investigação aponta que a célula monitorava Gakiya, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado ), e Medina, alvos de ordens de assassinato do PCC há mais de dez anos. No jargão da facção, estão "decretados".

Na denúncia, o Ministério Público afirma haver "um incremento na atuação da facção em detrimento dos agentes públicos, gerando risco iminente a suas vidas".
Os promotores listaram nove processos instaurados no Tribunal de Justiça desde 2019 que mencionam ameaças contra autoridades, informações sobre geolocalização de pessoas monitoradas e ordens de assassinato.
A investigação que levou à identificação do grupo começou após a prisão em flagrante de Victor Hugo, conhecido como VH, sob suspeita de tráfico de drogas, em julho de 2025. A quebra de sigilo do celular dele levou a polícia a encontrar indícios de que integrantes da facção levantavam informações sobre a rotina das autoridades e de seus familiares.
Dados de geolocalização do aparelho apontaram que VH esteve nas imediações da penitenciária e do Poupatempo de Presidente Venceslau, locais de trabalho de Medina e da mulher dele.
Conforme a acusação, VH teria levantado trajetos entre o trabalho e a residência do casal, modelos e placas de veículos e produzido fotos e vídeos da rotina dos dois.
As informações seriam repassadas a Wellison, que vivia em uma chácara em Presidente Bernardes próxima à rota utilizada por Medina para chegar ao trabalho. A análise do celular do suspeito indicou que ele armazenou informações enviadas por VH e fez pesquisas sobre o coordenador e seus familiares nas redes sociais.
Sérgio Silva, por sua vez, seria responsável pelo monitoramento de Gakiya. Em um dos celulares apreendidos com ele, a polícia encontrou imagens de mapas com a localização da sede do Ministério Público em Presidente Prudente, onde o promotor trabalha. A investigação também apontou que ele esteve em endereços próximos ao trajeto diário de Gakiya.
Adilson é apontado pela acusação como colaborador direto de Silva. Segundo a denúncia, ele participou de comunicações reservadas e teria solicitado a exclusão de conversas e auxiliado na ocultação ou destruição de vestígios digitais.
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/policia-prende-dois-ultimos-acusados-de-monitorar-autoridades-para-o-pcc.shtml.

Foto encontrada em celular de VH, vulgo Falcão, mostra armamento pesado; ele é um dos responsáveis pelo monitoramento de autoridades, diz investigação - Policia Civil-24.out.25 · Policia Civil-24.out.25 — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

