Polícia investiga denúncia de estupro coletivo em escola municipal de Cabo de Santo Agostinho (PE)
Estudantes de 14 anos relatam terem sido vítimas de grupo de alunos da mesma turma; OUTRO LADO: Procurada, prefeitura não se manifestou

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
A Polícia Civil de Pernambuco investiga a denúncia de duas alunas de 14 anos que teriam sofrido estupro coletivo em uma escola municipal de Cabo de Santo Agostinho.

Segundo a advogada que as representa, Luanny Porto, elas foram violentadas por outros cinco estudantes da mesma turma do colégio, com idades entre 14 e 16 anos.
Uma das vítimas sofreu a agressão na segunda-feira (3). A outra adolescente foi violentada há cerca de um mês, segundo Luanny, e só fez a denúncia na terça-feira (4), após saber que a colega de sala também tinha sido vítima.
A reportagem procurou a Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho, por email, na sexta-feira (7) e no sábado (8), mas não houve manifestação até o momento.

Nos dois casos, relata a advogada, o estupro aconteceu dentro de sala de aula, durante o intervalo, quando os estudantes saem das salas para receber a merenda.
"Por volta do meio-dia, esta adolescente pegou o lanche que leva de casa e foi para a sala de aula, comer lá. Aí foi surpreendida pelo grupo com uma rasteira que a derrubou no chão. Um adolescente segurou a porta e outros quatro a agrediram, cometendo violência sexual", relatou Luanny, em entrevista à Folha neste sábado (8).
A advogada ainda disse que os agressores ameaçaram a vítima, dizendo que matariam a família dela caso contasse o que houve.

"Ainda assim, ela procurou a direção da escola, que disse a ela que eles iriam resolver. A direção não a dispensou, não chamou os pais, ninguém", afirmou Luanny.
A adolescente foi para casa e não relatou aos pais a agressão. No dia seguinte, conta a advogada, não quis ir à aula, mas a mãe insistiu que ela fosse, dizendo que "não iria perder aula sem motivo".
"Por volta das 11h, a mãe recebeu uma mensagem da filha pedindo ajuda. A mãe foi imediatamente para a escola porque não conseguiu falar com ela por telefone. Quando chegou lá, a filha contou o que havia acontecido no dia anterior e foram direto para a direção. Quando chegou na direção, outra barbaridade: a diretora olhou para a menina e a repreendeu por ter contado à mãe, dizendo que havia avisado que cuidaria disso", afirmou Luanny.
A partir daí, a mãe procurou um vereador da cidade, que contratou os serviços jurídicos da advogada para acompanhar a situação.
"De algum modo, uma outra colega de sala soube o que tinha acontecido e se encorajou a contar para sua mãe que, há cerca de um mês, o mesmo fato tinha acontecido com ela. E o mesmo modus operandi, na hora do intervalo, vai para sala de aula, eles começam a agredir, tapa a boca, o nariz, e ameaça matar se contar", afirmou a advogada.
A defesa registrou boletim de ocorrência dos dois casos e as vítimas já tiveram escuta especializada e passaram por exames sexológicos no IML (Instituto Médico Legal). O Conselho Tutelar e a Promotoria de Justiça também foram acionados.
Segundo a advogada, as duas vítimas e suas famílias não receberam qualquer suporte do município e ainda aguardam respostas sobre os pedidos de transferência de escola. Os agressores teriam sido suspensos, diz a defensora.
A Polícia Civil afirmou, por meio de nota, que "por envolver menores de idade, o caso segue sob sigilo e mais informações não podem ser divulgadas para preservar as vítimas".
O Brasil registrou 84.388 casos de estupro e estupro de vulnerável em 2025, o equivalente a 231 ocorrências por dia ou um registro a aproximadamente cada seis minutos. Os dados foram divulgados no mês passado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/policia-investiga-denuncia-de-estupro-coletivo-em-escola-municipal-de-cabo-de-santo-agostinho-pe.shtml.

Cartazes em ato pelo fim da violência contras as mulheres, na praça José Alves Lavouras, antiga praça Gil, em São João do Meriti, no Rio de Janeiro, em julho de 2022 - Eduardo Anizelli/Folhapress · Eduardo Anizelli/Folhapress — Foto: UOL
Compartilhe
Espalhe essa notícia

