Polícia indicia 13 por linchamento de ciclista em Copacabana (RJ)
Inquérito aponta que vítima foi alvo de falsa acusação de furto e espancada por mais de seis minutos; um dos suspeitos está foragido

A Polícia Civil do Rio de Janeiro concluiu o inquérito sobre a morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira , linchado na madrugada de 12 de agosto, em Copacabana, na zona Sul do Rio. Ao todo, 13 pessoas foram indiciadas pela investigação , que foi encaminhada ao Ministério Público na última quarta-feira (2).
Segundo o relatório final da 12ª DP (Copacabana), a violência começou após uma falsa acusação de furto envolvendo a bicicleta que estava com Cláudio. A investigação aponta que o homem foi cercado e agredido por diferentes pessoas antes de morrer.
Cinco homens, que participaram diretamente da agressão, foram indiciados por homicídio triplamente qualificado . Um outro homem, que presenciou as agressões, foi indiciado por omissão de socorro . Uma mulher que teria manuseado uma arma branca utilizada no crime foi indiciada por lesão corporal . Além deles, outras seis pessoas foram indiciadas por exercício ilegal da profissão , após o inquérito identificar uma estrutura de segurança clandestina que atuaria na região de Copacabana.

De acordo com o inquérito, Davi Santos Machado e os entregadores Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva teriam desferido mais de 30 golpes com um pedaço de madeira, além de socos e chutes contra a vítima, que foi levada para uma rua e acabou acuado na escadaria de um edifício.
A investigação aponta ainda que Wellington Luiz Santos de Souza chegou ao local durante as agressões. Segundo testemunhas, ele perguntou se Cláudio era ladrão e, após ouvir uma resposta afirmativa, disse: “Ladrão tem que morrer mesmo” .
Na sequência, ainda de acordo com o inquérito, Wellington deu um chute na cabeça da vítima. Ele teve a prisão decretada e está foragido.

O laudo necroscópico apontou que Cláudio morreu em decorrência de traumatismo cranioencefálico grave , hemorragia interna e lesões traumáticas no baço e no rim.
A Polícia Civil utilizou imagens do sistema de monitoramento urbano para reconstruir a dinâmica do crime e identificar a participação dos envolvidos.
Segundo a investigação, imagens também mostram os agressores mexendo nos bolsos da vítima e fotografando o corpo após as agressões.

Celulares apreendidos com Aluísio da Silva Filho e Davi Santos Machado também foram analisados pelos investigadores. O conteúdo, segundo a polícia, revelou comunicações relacionadas à vigilância informal realizada na região.
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Davi Santos Machado, Jorge Luiz Ricardo Dias, Felipe Eduardo dos Santos Silva, Ailton José da Silva e Wellington Luiz Santos de Souza foram indiciados por homicídio triplamente qualificado. Todos eles teriam participado diretamente das agressões à vítima.

A Polícia Civil atribuiu ao crime as qualificadoras de motivo fútil, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
Já João Cleber de Souza Santiago foi indiciado por omissão de socorro. Segundo a investigação, ele teria presenciado as agressões e não acionado ajuda imediatamente.
Rayane de Sousa Batista Silva foi indiciada por lesão corporal. De acordo com a Polícia Civil, ela devolveu a um dos agressores o porrete utilizado durante o espancamento.

Além do linchamento, o inquérito identificou uma estrutura de segurança clandestina que atuaria na região de Copacabana.
Segundo depoimento reunido pela investigação, a rede seria coordenada por Aluísio da Silva Filho e cobraria R$ 120 por semana de comerciantes . Os pagamentos seriam realizados em dinheiro ou por Pix.
Aluísio, Davi, Jorge e Antônio Marcos Pires Sudre da Silva foram indiciados pelo exercício ilegal de atividade, previsto no artigo 47 da Lei das Contravenções Penais.

O inquérito também indiciou lojistas apontados como financiadores da estrutura. Entre eles estão Antonia Sandra Rodrigues Ferreira, Antonio Gonçalves, Lucilene Barros e Antônio Ivan Alves Pereira.
No dia seguinte ao linchamento, Davi Santos Machado compareceu à delegacia levando a bicicleta usada por Cláudio. Em depoimento, ele afirmou que pretendia localizar o proprietário por meio de grupos de WhatsApp.
A investigação, no entanto, concluiu que a bicicleta pertencia à irmã da vítima e que a suspeita sobre a procedência do veículo serviu como ponto de partida para a abordagem que terminou no linchamento.

Com o relatório final, a Polícia Civil encerrou a investigação e encaminhou o caso ao Ministério Público, responsável pelas próximas medidas na esfera judicial.
Entre os 13 indiciados, somente os cinco que participaram diretamente das agressões foram alvo de mandado de prisão: quatro deles já estão presos. Apenas Cláudio Rafael Landeiro segue sendo procurado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro.
A CNN Brasil tenta contato com a defesa dos indiciados. O espaço segue aberto.

Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/rj/policia-indicia-13-por-linchamento-de-ciclista-em-copacabana-rj/.

Imagens captadas pelas câmeras da Prefeitura do Rio registram momentos anteriores ao linchamento contra o ciclista • Reprodução · • Reprodução — Foto: CNN Brasil
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