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    Polícia do ES aumenta quantidade de munição e altera modelo de celular apreendido em imagens geradas por IA; veja comparações

    À esquerda é a foto original. A da direita é a imagem gerada por IA e divulgada pela polícia: mais munição e ambiente todo modificado Initial plugin text Imagens de apreensões geradas por inteligência artificial (IA) e divulgadas pelas polícias Civil e Militar do Espírito Santo mostram uma quantidade maior de munições e até alteração no modelo de um celular apreendido. Esses são apenas alguns dos erros cometidos pela polícia do estado que foram detectados pelo g1 em um levantamento exclusivo realizado ao longo do mês de agosto, que analisou os materiais distribuídos pelas assessorias das corpo

    G1
    24 de setembro de 2026 às 07:00
    Polícia do ES aumenta quantidade de munição e altera modelo de celular apreendido em imagens geradas por IA; veja comparações
    Foto: G1

    Imagens de apreensões geradas por inteligência artificial (IA) e divulgadas pelas polícias Civil e Militar do Espírito Santo mostram uma quantidade maior de munições e até alteração no modelo de um celular apreendido.

    Esses são apenas alguns dos erros cometidos pela polícia do estado que foram detectados pelo g1 em um levantamento exclusivo realizado ao longo do mês de agosto, que analisou os materiais distribuídos pelas assessorias das corporações a veículos de imprensa, revelando que as imagens divulgadas não são fotografias documentais autênticas.

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    À esquerda é a foto original. A da direita é a imagem gerada por IA e divulgada pela polícia: mais munição e ambiente todo modificado — Foto 1: Divulgação/Sesp — Foto 2: Divulgação/Sesp
    À esquerda é a foto original. A da direita é a imagem gerada por IA e divulgada pela polícia: mais munição e ambiente todo modificado — Foto 1: Divulgação/Sesp — Foto 2: Divulgação/Sesp — Foto: G1 · Fonte: G1

    As diferenças nas imagens foram identificadas após a Secretaria de Segurança Pública (Sesp) disponibilizar os arquivos originais e admitir erro no uso da tecnologia .

    Em uma das fotografias originais, aparecem 18 munições sobre a mesa. Na versão modificada por IA e encaminhada aos veículos de imprensa, são 24 — seis unidades a mais. Em outro registro, há um celular da marca Motorola, enquanto a imagem gerada por IA mostra um aparelho com o símbolo da Apple, criadora do iPhone.

    As comparações mostram, ainda, alterações na aparência e na disposição de outros objetos apreendidos. Quando analisada com mais detalhes, é possível perceber também distorções em notas de Real, além de erros nos números das cédulas. Veja o antes e depois:

    Imagem Divulgação/Sesp
    Imagem Divulgação/Sesp — Foto: G1 · Fonte: G1

    Comparação entre imagem original e gerada por IA divulgada pelas forças de segurança do Espírito Santo. — Foto: Arte g1

    🔍 Além dessas imagens, há outros registros onde também foram encontrados erros e distorções em cédulas, drogas e armamentos apreendidos. Há casos onde a Efígie do Real aparece com o rosto deformado ou até mesmo trocado por uma figura de um homem.

    Imagens de munição incompletas e até embalagem de um produto apreendido ficou ilegível após a polícia passar a foto pela IA.

    Imagem Divulgação/Sesp
    Imagem Divulgação/Sesp — Foto: G1 · Fonte: G1

    EXCLUSIVO: veja as fotos modificadas por IA pela polícia e divulgadas com erros em cédulas, munições e drogas

    Os exames técnicos — feitos por especialistas e ferramentas de detecção de IA — revelam também itens duplicados e armas mecanicamente incoerentes. Veja nas fotos abaixo os erros encontrados:

    Imagem gerada por IA e divulgada pela PM do ES apresenta número maior de munições apreendidas em comparação à foto original — Foto: Arte/g1

    Imagens divulgadas pela Sesp apresentam alterações feitas com IA
    Imagens divulgadas pela Sesp apresentam alterações feitas com IA — Foto: G1 · Fonte: G1

    Imagem gerada por IA divulgada pela PM do ES alterou modelo de celular apreendido — Foto: Arte/g1

    Alteração pode gerar questionamentos, diz especialista

    Segundo o advogado criminalista Israel Domingos Jorio, a inclusão de itens que não foram efetivamente apreendidos pode trazer consequências práticas e gerar questionamentos sobre a fidelidade dos registros policiais .

    “A polícia pode ser instada a prestar contas sobre materiais que jamais foram apreendidos, mas que constavam nas fotos”, explicou.

    Ainda de acordo com o especialista, a divergência também pode ser usada para questionar a confiabilidade de outros registros relacionados à apreensão . Ele ressaltou, no entanto, que a alteração da fotografia não configura crime de forma automática.

    Segundo ele, uma eventual responsabilização criminal dependeria das circunstâncias do caso e, entre outros elementos, da comprovação de que houve intenção de inserir informações falsas para tornar mais grave uma acusação.

    “Se ficasse caracterizado que a foto foi intencionalmente modificada para aumentar a gravidade do fato apurado — por exemplo, se colocassem uma quantidade maior de droga, mais armas ou armas de calibre proibido — aí a gente poderia trabalhar com a ideia de que estão trazendo para o processo uma informação falsa que pode gerar uma responsabilidade penal mais severa.”

    Não há, até o momento, indicação de que as seis munições tenham sido acrescentadas e que o modelo de celular tenha sido alterado intencionalmente à imagem com o objetivo de agravar uma acusação.

    Por nota, a Sesp reconheceu os erros e informou que determinou uma apuração interna para identificar se mais imagens foram modificadas.

    A secretaria destacou ainda que "já orientou as áreas responsáveis para que recursos de inteligência artificial generativa não sejam utilizados em fotografias destinadas à divulgação de materiais apreendidos, de forma a garantir a fidelidade dos registros apresentados à sociedade" (veja a nota na íntegra ao final da reportagem).

    Para o cientista político Alexandre Rocha, as divergências entre os registros originais e as imagens modificadas impactam na confiabilidade das instituições.

    “Embora tenham as imagens reais, gera uma falta de credibilidade. Não é que não seja permitido usar a IA para apresentar melhor os resultados, mas é preciso ter o mínimo de razoabilidade e de credibilidade para a transparência e prestação de contas para a sociedade”.

    Publicado originalmente por G1. Leia a matéria completa em https://g1.globo.com/es/espirito-santo/noticia/2026/09/24/policia-do-es-aumenta-quantidade-de-municao-e-altera-modelo-de-celular-apreendido-em-imagens-geradas-por-ia-veja-comparacoes.ghtml.

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    À esquerda é a foto original. A da direita é a imagem gerada por IA e divulgada pela polícia: mais munição e ambiente todo modificado — Foto 1: Divulgação/Sesp — Foto 2: Divulgação/Sesp — Foto: G1

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