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    Polícia da África do Sul encontra nono corpo de mulher em dois meses

    Temo de um possível assassino em série aumentou entre a população, enquanto autoridades investigam se existe relação entre as mortes

    CNN Brasil
    18 de setembro de 2026 às 20:24
    Polícia da África do Sul encontra nono corpo de mulher em dois meses
    Foto: CNN Brasil

    O nono corpo de uma mulher foi descoberto na África do Sul em dois meses, alimentando o medo em um país que já enfrenta níveis alarmantes de violência contra as mulheres.

    O corpo mais recente foi encontrado na manhã de quinta-feira (17) em Dawn Park, Ekurhuleni, uma região de Joanesburgo.

    Alguns dos casos apresentam semelhanças, mas os investigadores ainda não sabem se as nove mortes estão relacionadas ou se um assassino em série pode estar envolvido.

    Polícia da África do Sul investigando um dos nove assassinatos de mulheres que ocorreram nos últimos meses • Reprodução/REUTERS · • Reprodução/REUTERS
    Polícia da África do Sul investigando um dos nove assassinatos de mulheres que ocorreram nos últimos meses • Reprodução/REUTERS · • Reprodução/REUTERS — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    "As mulheres estão aterrorizadas", disse à CNN Sabrina Walter, fundadora da Women For Change, uma organização sem fins lucrativos sul-africana que faz campanha contra a violência de gênero e o feminicídio.

    "As mulheres aqui vêm mudando seu modo de vida há anos apenas para sobreviver. O que está acontecendo em Ekurhuleni intensificou esse medo", relatou.

    O presidente Cyril Ramaphosa afirmou que as mortes estão causando "medo e incerteza", especialmente entre as mulheres. Ele pontuou ter instruído a polícia a priorizar os casos e a não poupar esforços para levar os responsáveis ​​à justiça.

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    A polícia aumentou as patrulhas e reforçou o efetivo nas áreas afetadas.

    A África do Sul já enfrentou casos de assassinatos em série de mulheres anteriormente.

    Enquanto os investigadores trabalham para esclarecer o ocorrido, a polícia aconselhou as mulheres de Kempton Park e arredores, onde vários dos corpos foram encontrados, a evitar correr ou caminhar sozinhas em áreas isoladas e a sair em grupo sempre que possível.

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    A polícia afirmou que a recomendação era uma medida de precaução enquanto as investigações prosseguiam e não tinha como objetivo restringir a liberdade das mulheres.

    No entanto, o alerta gerou frustração entre as mulheres, que dizem já estarem mudando seus hábitos para se proteger.

    "As mulheres estão cansadas de ouvir que precisam ficar mais alertas. Nós já estamos alertas", ressaltou Walter.

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    Lebogang Kgari, gerente financeira, está entre aquelas que mudaram suas rotinas.

    Uma das mulheres assassinadas, Elizabeth "Tsontso" Moselakgomo, de 38 anos, desapareceu após sair para correr no início deste mês. Seu corpo foi encontrado dias depois.

    Naeemah Abrahams, pesquisadora de destaque na área sobre feminicídio do Conselho de Pesquisa Médica da África do Sul, afirma que os casos de Ekurhuleni estão chamando a atenção para um problema que ocorre em todo o país, muitas vezes sem receber a devida atenção pública.

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    Um estudo nacional de 2024, realizado pelo Conselho de Pesquisa Médica da África do Sul, estimou que quase sete mulheres foram assassinadas por dia no país entre 2020 e 2021.

    A pesquisa revelou que 60% delas foram mortas por parceiros íntimos e que a taxa de feminicídio cometido por parceiros íntimos na África do Sul era cinco vezes superior à média global.

    “Isso nos mostra que, muito provavelmente, o feminicídio na África do Sul não está diminuindo. Quaisquer que sejam as intervenções existentes, elas não são eficazes. Ou então, as intervenções de que dispomos são inadequadas", disse Abrahams à CNN .

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    Abrahams defende que o assassinato de qualquer mulher deveria desencadear uma investigação rigorosa — e não apenas os casos que acabam sendo associados a uma série de crimes.

    “Quando um segundo corpo é encontrado, isso deve servir de alerta”, afirmou Abrahams, defendendo a atuação de investigadores com treinamento especializado nesses casos.

    No entanto, a pesquisadora ressalta que a responsabilidade de prevenir a violência não deve recair sobre as mulheres.

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    “É muito injusto exigir sempre que as mulheres mudem seu comportamento para se protegerem. É o comportamento dos homens que precisa mudar", ponderou.

    Em novembro de 2025, as autoridades classificaram formalmente a violência de gênero e o feminicídio como um desastre nacional, exigindo uma resposta coordenada do governo.

    Contudo, ativistas e pesquisadores afirmam que essa declaração precisa, agora, resultar em ações concretas. Walter afirma que a África do Sul já possui leis e políticas para enfrentar a crise, mas que elas precisam ser colocadas em prática.

    “As mulheres não sobrevivem de declarações. Precisamos de orçamento. Precisamos de implementação. Precisamos de instituições que funcionem. Precisamos de prevenção. Precisamos de responsabilização", disse Walter.

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/policia-da-africa-do-sul-encontra-nono-corpo-de-mulher-em-dois-meses/.

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    Polícia da África do Sul investigando um dos nove assassinatos de mulheres que ocorreram nos últimos meses • Reprodução/REUTERS · • Reprodução/REUTERS — Foto: CNN Brasil

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