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    Poli-USP cria laboratório de inclusão com novas tecnologias para autistas

    Historicamente associada ao rigor técnico das ciências exatas e a discussões teóricas, a Escola Politécnica da USP abre suas portas para a diversidade. Leia mais (09/20/2026 - 12h00)

    Folha de S.Paulo
    20 de setembro de 2026 às 15:00
    Poli-USP cria laboratório de inclusão com novas tecnologias para autistas
    Pessoa de costas, usando óculos e camisa azul, sentada em frente a monitor de computador exibindo imagem digital. Ambiente interno com outras pessoas desfocadas ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Historicamente associada ao rigor técnico das ciências exatas e a discussões teóricas, a Escola Politécnica da USP abre suas portas para a diversidade.

    Estudante com autismo durante aula do projeto Plataforma Digital da Sociedade Autista, na Poli-USP - Zanone Fraissat/Folhapress · Zanone Fraissat/Folhapress
    Estudante com autismo durante aula do projeto Plataforma Digital da Sociedade Autista, na Poli-USP - Zanone Fraissat/Folhapress · Zanone Fraissat/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Com a "Plataforma Digital da Sociedade Autista", projeto de pesquisa e inovação, alunos e professores trocam testes de bancada tradicionais pela criação de protótipos tecnológicos, treinamentos e ferramentas que buscam melhorar a realidade de pessoas neurodivergentes.

    Uma das iniciativas é o curso de capacitação para o mercado de trabalho, realizado por meio de um projeto de extensão universitária. Nesse treinamento, dentro do campus paulistano, 50 alunos autistas, dos três níveis de necessidade de suporte , lidam com ferramentas de inteligência artificial , planilhas e outras tecnologias.

    A formação termina no final de setembro, e os alunos que já estarão trabalhando em empresas parceiras serão acompanhados por mais três meses.

    Poli da USP desenvolve inovações para pessoas autistas
    Poli da USP desenvolve inovações para pessoas autistas — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Renata Borga Casella, 30, que faz a oficina, é formada em biomedicina e diz que vai tentar migrar para a área de tecnologia . "Gostei muito de aprender PowerPoint, Excel e a mexer no Gemini."

    Em uma outra frente inclusiva, o professor e pesquisador colaborador Emanuel Santana, com dois filhos autistas, desenvolveu um modelo nacional de prancha de comunicação aumentativa e alternativa para pessoas do espectro ou com dificuldade de fala, o Adapte Board .

    O modelo nacional pode ser baixado gratuitamente em smartphones e computadores. Facilita com figuras e sinais visuais a interação de autistas mais severos e pode ser personalizado pelo usuário e enviado para quem eles desejarem se comunicar.

    Conheça protótipos criados por alunos da Poli-USP para pessoas autistas
    Conheça protótipos criados por alunos da Poli-USP para pessoas autistas — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "A gente coloca a acessibilidade na palma da mão da pessoa, no dispositivo que ela já tem. Foi pensando para ter perenidade e ser muito mais sustentável que os modelos importados", afirma Emanuel.

    A movimentação inclusiva levou para as atividades de exatas profissionais de outras áreas. Um deles é Eduardo Mancebo, arquiteto de formação pela FAU- USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo), mas já há 25 anos especialista em orientação prática de indivíduos no espectro.

    Ele ajudou o aluno de engenharia da computação Lucas Felipe Pereira Domingues a desenvolver um dispositivo, suportado por inteligência artificial, que auxilia autistas a compor músicas de forma terapêutica e educativa. O programa ajuda desde na ideia da letra da canção até a criação de uma melodia e, por fim, na entrega de uma música pronta.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Como a geração de áudio por IA demora cerca de dois minutos, os criadores perceberam que deixar o usuário esperando diante de uma tela estática gerava desconforto sensorial e ansiedade. Por isso, integraram à tela de espera um jogo de estourar bolhas e um guia de respiração guiada.

    "Temos que gerar um impacto para que a sociedade cresça conosco e com nossos alunos. Com isso você aproveita duas coisas: o aluno começa a ser cidadão e pensa, desde a sua formação, como poderia realmente ajudar a sociedade para não entrar em sonhos científicos de aplicações etéreas", diz o professor Jorge Luis Risco Becerra, da Poli, um dos responsáveis pela iniciativa.

    Com mais informações acerca de autismo , alunos da disciplina de circuitos digitais foram desafiados a desenvolver tecnologias que poderiam ser úteis no dia a dia dessa população. Visitaram uma unidade de apoio a neurodivergentes e, no meio deste ano, apresentaram 24 novidades em uma feira de conhecimento.

    logo do produto folha de redação
    logo do produto folha de redação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Entre as iniciativas está o SensiLogic, pulseira que acompanha os batimentos cardíacos e traduz sinais de estresse em alertas visuais. Outra é o Aces, que se volta ao ambiente, identificando frequências e ruídos capazes de causar incômodo sensorial.

    A comunicação aparece de maneiras distintas no Expressa e no LiteralMente. O primeiro permite que pessoas que não se comunicam verbalmente formem mensagens por meio de palavras selecionadas com botões físicos. O segundo trabalha uma camada menos evidente da linguagem, interpretando entonações, intenções e sentidos não expressos literalmente. Juntos, os projetos abordam tanto a possibilidade de se expressar quanto a de compreender o que o outro pretende comunicar.

    Já o Aventura Financeira amplia o campo da acessibilidade ao propor o aprendizado de escolhas econômicas por meio de um tabuleiro eletrônico. Ao simular decisões relacionadas a trabalho, estudo, despesas e consumo, o jogo mostra que inclusão não se limita a adaptações clínicas ou escolares: envolve também preparar crianças e adolescentes para situações práticas da vida.

    "Os alunos conseguiram criar artefatos que podem se transformar em protótipos de uso real", diz Becerra.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2026/09/poli-usp-cria-laboratorio-de-inclusao-com-novas-tecnologias-para-autistas.shtml.

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    Estudante com autismo durante aula do projeto Plataforma Digital da Sociedade Autista, na Poli-USP - Zanone Fraissat/Folhapress · Zanone Fraissat/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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