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    “Podemos ter IAs soltas por aí fazendo coisas absurdas”, diz especialista

    Dario Amodei, CEO da Anthropic, defendeu desaceleração no desenvolvimento da tecnologia

    CNN Brasil
    15 de setembro de 2026 às 20:42
    “Podemos ter IAs soltas por aí fazendo coisas absurdas”, diz especialista
    Foto: CNN Brasil

    O CEO da Anthropic, Dario Amodei, defendeu publicamente uma desaceleração no desenvolvimento da inteligência artificial. Ele recebeu o apoio de executivo de empresas rivais do setor, como Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk, da xAI.

    Amodei também pediu mais tempo para tornar seus sistemas seguros antes que cheguem ao mundo.

    A declaração veio no mesmo ano que a Anthropic espera abrir capital, com uma avaliação estimada em US$ 2 trilhões. E apenas dois meses após agentes de IA da OpenAI terem escapado de um ambiente de testes e invadido os sistemas da Hugging Face. O incidente foi seguido de outros semelhantes, de empresas como Meta, DeepSeek e a própria Anthropic.

    Inteligência artificial • Imagem gerada por IA · • Imagem gerada por IA
    Inteligência artificial • Imagem gerada por IA · • Imagem gerada por IA — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Mas o que motivou o alerta só agora, depois de meses?

    Para Álvaro Machado, neurocientista e colunista de inteligência artificial da CNN , um dos fatores principais por trás das preocupações é o fato da tecnologia ter resolvido um dos grandes problemas da história da matemática: o problema de Navier-Stokes, que permanecia em aberto há quase 90 anos. O responsável foi o modelo GPT-6 Astra, o mais avançado da desenvolvedora.

    Segundo ele, tanto esse feito quanto o ataque cibernético da OpenAI, em julho, são sinais de que uma superinteligência está sendo desenvolvida.

    CEO da Anthropic defende desaceleração de IA para garantir segurança
    CEO da Anthropic defende desaceleração de IA para garantir segurança — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Machado também destacou que os laboratórios estão apostando em IAs capazes de melhorar a si próprias, com modelos que criam versões subsequentes de forma cada vez mais rápida. "Com esse aprendizado contínuo, a gente pode ter IAs soltas por aí fazendo coisas absurdas", alertou.

    Para além das questões científicas, o especialista apontou que há uma dimensão política e econômica relevante no movimento por regulação. Segundo ele, uma legislação tenderia a impactar de forma muito mais severa as empresas que oferecem modelos abertos do que as grandes corporações, que têm maior capacidade de adaptação.

    "A lógica é que essa regulação incide de maneira muito mais impactante sobre os modelos abertos do que sobre essas grandes empresas, porque elas têm como se adaptar", afirmou.

    Anthropic retoma testes de IA após ataque hacker
    Anthropic retoma testes de IA após ataque hacker — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Nos últimos dias, ex-pesquisadores de desenvolvedoras de IA chamaram atenção para os riscos da tecnologia.

    Primeiro, Jacob Coxon, ex-OpenAI e Anthropic, revelou que se demitiu após perceber que nenhuma das duas empresas estaria agindo com responsabilidade, além de "apostarem" com a vida humana.

    Nesta terça-feira (15), Bilal Chughtai, ex-Google DeepMind, também publicou que pediu demissão da empresa porque acredita que "a IA tem o potencial de nos matar e talvez estejamos ficando sem tempo para evitar esse desfecho".

    IA da Anthropic engana humanos em teste para instalar código malicioso
    IA da Anthropic engana humanos em teste para instalar código malicioso — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Machado, porém, distinguiu os riscos concretos da tecnologia de cenários exagerados. Para ele, o caminho mais perigoso e realista envolve invasões cibernéticas , como ataques de ransomware a hospitais e empresas. "Isso gera dolo e pode até levar à morte de pessoas", afirmou.

    No entanto, considerou como "mínima ou nula" a possibilidade de a IA destruir a humanidade em um horizonte razoável, argumentando que barreiras práticas — como o fato de armas nucleares não estarem conectadas à internet e a existência de regulação sobre patógenos sintéticos — tornam esses cenários altamente improváveis.

    O especialista também abordou a existência de plataformas como a 'Rent-a-Human', nas quais agentes de IA contratam freelancers para realizar tarefas. Em 2024, o ChatGPT, na versão GPT-4, contratou autonomamente uma pessoa para resolver um CAPTCHA.

    CEO da Anthropic defende desaceleração de IA para garantir segurança
    CEO da Anthropic defende desaceleração de IA para garantir segurança — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A questão da responsabilidade jurídica também é central no debate sobre o envolvimento das IAs na tomada de decisões.

    Machado explicou que, em caso de erro por parte da tecnologia, a responsabilidade primária recai sobre a empresa fornecedora, assim como ocorre com fabricantes de automóveis em casos de defeito. "As empresas estão com medo desses desalinhamentos acontecerem e elas serem responsabilizadas na justiça e terminarem com bilhões de dólares em prejuízo", explicou.

    Segundo ele, há um jogo de bastidores envolvendo o desejo de segurar o avanço das IAs chinesas e evitar responsabilizações legais.

    Anthropic retoma testes de IA após ataque hacker
    Anthropic retoma testes de IA após ataque hacker — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
    IA da Anthropic engana humanos em teste para instalar código malicioso
    IA da Anthropic engana humanos em teste para instalar código malicioso — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/inteligencia-artificial/podemos-ter-ias-soltas-por-ai-fazendo-coisas-absurdas-diz-especialista/.

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