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    Pode ser que eu divida com Trump, ironiza Navi Pillay sobre Nobel da Paz recebido; veja vídeo

    A jurista sul-africana Navi Pillay ironizou nesta sexta-feira (9) ao receber a notícia de que vencera o Prêmio Nobel da Paz dizendo, ao ser aplaudida por colegas, que poderia dividir a láurea com o presidente dos Estados Unidos , Donald Trump . Leia mais (10/09/2026 - 12h03)

    Folha de S.Paulo
    9 de outubro de 2026 às 15:03
    Pode ser que eu divida com Trump, ironiza Navi Pillay sobre Nobel da Paz recebido; veja vídeo
    Pessoa de pele morena clara, cabelos curtos e escuros, usando óculos e brincos, veste blazer azul claro sobre camiseta branca, acena com a mão direita levantada, em ambiente interno com parede de madeira ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo

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    A jurista sul-africana Navi Pillay ironizou nesta sexta-feira (9) ao receber a notícia de que vencera o Prêmio Nobel da Paz dizendo, ao ser aplaudida por colegas, que poderia dividir a láurea com o presidente dos Estados Unidos , Donald Trump .

    A jurista sul-africana Navi Pillay após anúncio de que venceu o Prêmio Nobel da Paz, em um tribunal de Nuremberg, onde participava de conferência - Frank Boxler/AFP · Frank Boxler/AFP
    A jurista sul-africana Navi Pillay após anúncio de que venceu o Prêmio Nobel da Paz, em um tribunal de Nuremberg, onde participava de conferência - Frank Boxler/AFP · Frank Boxler/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No ano passado, primeiro ano de seu segundo mandato, o americano fez campanha pública de pressão ao Comitê Norueguês do Nobel, responsável pelo prêmio, para ser o vencedor. Ele afirma que "parou oito guerras", incluindo na conta conflitos que não terminaram (como a guerra Israel - Hamas , hoje em trégua frágil), que já estavam em vias de chegar a uma saída negociada (Armênia e Azerbaijão) ou que já não são conflitos ativos há anos (Sérvia e Kosovo).

    A declaração de Pillay tem peso também pela posição dela em órgãos constantemente atacados pelo republicano e aliados no cenário internacional. A jurista integrou o Tribunal Penal Internacional (TPI), que hoje tem mandado de prisão aberto para o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, e o presidente russo, Vladimir Putin, e foi chefe de Direitos Humanos da ONU. Ela também foi uma das juízas dos casos de genocídio em Ruanda.

    O TPI é uma das instituições de direito internacional mais criticada pelo governo Trump, que não admite a possibilidade de que cidadãos americanos sejam processados por um tribunal fora do país.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em julho, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, anunciou uma ofensiva contra a corte , que afirmou ser "uma ameaça intolerável à soberania americana" que estava "travando uma guerra" contra os EUA. A atual presidente do tribunal, a japonesa Tomoko Akane, é alvo de sanções de Washington .

    Desde que voltou à Casa Branca, o presidente americano ataca instituições internacionais como a ONU e agências específicas da organização. Ele retirou os EUA da OMS e da Unesco, por exemplo, e tem desmontado o aparato de ajuda externa americano, simbolizado mas não limitado ao encerramento da Usaid, agência de auxílio internacional do país.

    O republicano também tem buscado atuar na arena internacional misturando força bruta e negociações bilaterais. Exemplo disso são casos em que Washington teve sucesso em seus objetivos, como a captura de Nicolás Maduro e a tutela da ditadura venezuelana sob Delcy Rodríguez, mas também os que, até o momento indicam fracasso, caso da guerra contra o Irã.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Foi da Venezuela que saiu a frustração de Trump em 2025. O prêmio foi concedido à opositora da ditadura María Corina Machado , que posteriormente deu a medalha a Trump como reconhecimento do apoio do americano à causa democrática no país latino-americano, para pouco depois se ver alijada do processo de transição iniciado, sob tutela de Washington, com outros membros da oposição e reconhecendo a liderança de Delcy.

    Outro efeito da diplomacia de Trump tem sido a construção de órgãos multilaterais paralelos ao aparato do direito internacional que já existe sob a ONU e outras entidades.

    Em Gaza, criou o "Conselho de Paz", reunindo países em sua maioria árabes e muçulmanos da região e de fora do Oriente Médio , para promover seu próprio plano para o fim do conflito e a reconstrução do território palestino.

    O grupo obteve sucesso em efetivar um cessar-fogo, que no entanto reduziu apenas a intensidade do conflito e retirou os reféns israelenses de Gaza, com centenas de palestinos mortos desde então por ataques. Forças de Israel seguem no território e o Hamas continua armado, apesar do plano prevendo que a retirada e o desarmamento.

    Trump também mobiliza aliados na América Latina sob a iniciativa de segurança Escudo das Américas, a partir da qual justifica ações militares americanas no continente contra grupos criminosos considerados terroristas pelos EUA sem passar por órgãos de segurança globais de deliberação.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/10/pode-ser-que-eu-divida-com-trump-ironiza-navi-pillay-sobre-nobel-da-paz-recebido.shtml.

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    A jurista sul-africana Navi Pillay após anúncio de que venceu o Prêmio Nobel da Paz, em um tribunal de Nuremberg, onde participava de conferência - Frank Boxler/AFP · Frank Boxler/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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