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    Podcast esmiúça história de Asma Al-Assad, que quis ser a 'Diana da Síria'

    O quanto sabemos sobre as esposas de ditadores? Algumas entraram para o folclore por seus hábitos extravagantes de consumo, como a filipina Imelda Marcos, célebre por sua imensa coleção de sapatos de grife. Outras, pela influência que acumularam nos bastidores dos regimes de seus maridos, como Jiang Qing, a "Madame Mao", que durante anos foi a mulher mais poderosa da China maoísta. Leia mais (08/12/2026 - 04h00)

    Folha de S.Paulo
    12 de agosto de 2026 às 07:00
    Podcast esmiúça história de Asma Al-Assad, que quis ser a 'Diana da Síria'
    Mulher jovem de cabelo castanho cumprimenta com aperto de mão mulher idosa de cabelo branco vestindo casaco azul. Homem de terno escuro observa ao fundo em sala decorada com quadro e lustre. — Foto: Folha de S.Paulo

    Expressa juízo de valor sobre a obra cultural comentada e destaca seus elementos positivos e negativos

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    A primeira-dama Asma Al-Assad e o ditador sírio Bashar Al-Assad são recebidos pela rainha Elizabeth 2ª, em 2002, durante visita do casal à terra natal de Asma - Kirsty Wigglesworth -17.dez.02/AFP · Kirsty Wigglesworth -17.dez.02/AFP
    A primeira-dama Asma Al-Assad e o ditador sírio Bashar Al-Assad são recebidos pela rainha Elizabeth 2ª, em 2002, durante visita do casal à terra natal de Asma - Kirsty Wigglesworth -17.dez.02/AFP · Kirsty Wigglesworth -17.dez.02/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O quanto sabemos sobre as esposas de ditadores? Algumas entraram para o folclore por seus hábitos extravagantes de consumo, como a filipina Imelda Marcos, célebre por sua imensa coleção de sapatos de grife. Outras, pela influência que acumularam nos bastidores dos regimes de seus maridos, como Jiang Qing, a "Madame Mao", que durante anos foi a mulher mais poderosa da China maoísta.

    Asma al-Assad , casada com Bashar al-Assad , que foi ditador da Síria, quase conseguiu um feito muito mais raro: o de construir uma boa imagem pública.

    No início de 2011, a revista Vogue publicou um extenso perfil sobre Asma. Com o título "Rosa do deserto", a revista de moda descreve a primeira-dama como dinâmica, jovem, glamourosa e "muito chique —a mais fresca e magnética das primeiras-damas". Elogiada por seu "estilo Ocidental", ela é um contraponto ao "luxo e ostentação do poder no Oriente Médio " e pretende modernizar o país, diz a Vogue.

    Asma al-Assad (centro), caminha ao lado do marido (à esq.) e dos três filhos: Zein, Hafez e Karim, em Aleppo, em 2022 - AFP · AFP
    Asma al-Assad (centro), caminha ao lado do marido (à esq.) e dos três filhos: Zein, Hafez e Karim, em Aleppo, em 2022 - AFP · AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Menos de duas semanas depois da publicação, a Primavera Árabe chegou à Síria , com protestos pedindo a queda de Bashar, à frente do regime desde a morte de seu pai, o também ditador Hafez al-Assad, em 2000. A eclosão das manifestações gerou uma crise de reputação não apenas no palácio dos Assad, mas também nos corredores da revista.

    A mítica editora Anna Wintour liderou uma operação para recolher todas as edições com o perfil da primeira-dama síria das bancas. Um detalhe torna a situação toda mais surreal: o texto havia sido emplacado por uma assessoria dos Estados Unidos especializada em melhorar a imagem de ditadores mundo afora.

    São bastidores como estes que a jornalista Chloe Hajimatheou explora em "We Call Her Emma" (Nós a chamamos de Emma), o recém-lançado podcast do jornal inglês The Observer que traça um perfil de Asma Al-Assad. Para os britânicos, a figura da primeira-dama síria tem um apelo de curiosidade adicional: ela é nascida e criada em Londres.

    Cadáveres de detentos com sinais de tortura são encontrados na Síria
    Cadáveres de detentos com sinais de tortura são encontrados na Síria — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    É daí, aliás, que advém o título da série. Até o casamento, Asma era conhecida em Acton, o bairro londrino de classe média onde morava com os pais, um médico e uma dona de casa sírios, como Emma Akhras. Formada em ciência da computação no King's College, Emma/Asma trabalhou no mercado financeiro, primeiro no Deutsche Bank e depois no J.P. Morgan até que, em 2000, desapareceu do trabalho.

    Os colegas vêm a saber que ela está na Líbia, onde ficará por três semanas hospedada… em uma das propriedades do ditador Muamar Gaddafi no deserto. Está acompanhada do noivo, o oftalmologista e futuro ditador Bashar. Voltou apenas para pegar suas coisas e mudar, de vez, para a Síria.

    Ao longo de seis episódios, a jornalista vai e volta na questão central: Asma foi uma vítima do regime sírio, enganada para entrar em um casamento com um homem autoritário do qual não conseguiu mais sair, ou participante ativa das atrocidades que o governo encabeçado pelo marido viria a cometer?

    Sírios comemoram queda do regime de Assad no país e pelo mundo
    Sírios comemoram queda do regime de Assad no país e pelo mundo — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Durante os primeiros anos na Síria, a jovem primeira-dama passa a realizar uma série de compromissos públicos ligados a causas sociais e a dar entrevistas com a voz suave e contida, o que faz com que seja comparada à princesa Diana. À medida que se torna claro que as promessas de modernização e abertura com as quais Bashar chegou ao poder não irão se concretizar, a postura de Asma também parece ir mudando.

    A situação fica dramática quando a Primavera Árabe degringola, de vez, em uma guerra civil sanguinária, que matou mais de meio milhão de pessoas ao longo de 13 anos. O conflito terminou com uma surpreendente queda do regime e a fuga da família Assad para Moscou —narrada em detalhes no podcast do Observer.

    Nesta terça-feira (11), Bashar al-Assad foi condenado à morte pelos crimes cometidos durante a guerra civil. Ele, Asma e os filhos continuam exilados na Rússia.

    Cinco adultos jovens caminham juntos por uma rua estreita com construções antigas e parcialmente destruídas ao redor. Eles vestem roupas formais e casuais claras, e parecem conversar enquanto caminham lado a lado. O cenário inclui paredes d
    Cinco adultos jovens caminham juntos por uma rua estreita com construções antigas e parcialmente destruídas ao redor. Eles vestem roupas formais e casuais claras, e parecem conversar enquanto caminham lado a lado. O cenário inclui paredes d — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Hajimatheou vai ao Líbano e à Síria para entender as ligações da primeira-dama com as atividades do marido. Lá, conversa com ex-funcionários, trabalhadores de orfanato, parentes exilados. O ponto mais alto (e mais difícil) é a entrevista com uma mulher, casada com um combatente das forças rebeldes aos 13 anos. Grávida e com o filho de 18 meses nos braços, ela é presa pelo governo dois anos depois. Detalhar mais seria dar spoiler.

    "We Call Her Emma" traz os bastidores da ascensão e queda de um dos casais mais poderosos do Oriente Médio, mantendo-se longe da tentação de, por um lado, julgar sem provas, e, por outro, de se deslumbrar com a figura glamourosa da "rosa do deserto".

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    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/podcast-esmiuca-historia-de-asma-al-assad-que-quis-ser-a-diana-da-siria.shtml.

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    A primeira-dama Asma Al-Assad e o ditador sírio Bashar Al-Assad são recebidos pela rainha Elizabeth 2ª, em 2002, durante visita do casal à terra natal de Asma - Kirsty Wigglesworth -17.dez.02/AFP · Kirsty Wigglesworth -17.dez.02/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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