Pobreza se enfrenta com método, metas e continuidade
Nasci numa favela em Guarulhos (SP) e sempre soube, por experiência própria , como a extrema pobreza limita a vida de uma pessoa, de uma família. Foi do inconformismo com essa realidade injusta que, há 15 anos, nasceu a Gerando Falcões , hoje um ecossistema de superação da pobreza e dignidade, que conecta soluções nos territórios às políticas públicas. Leia mais (10/01/2026 - 08h00)

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Nasci numa favela em Guarulhos (SP) e sempre soube, por experiência própria , como a extrema pobreza limita a vida de uma pessoa, de uma família. Foi do inconformismo com essa realidade injusta que, há 15 anos, nasceu a Gerando Falcões , hoje um ecossistema de superação da pobreza e dignidade, que conecta soluções nos territórios às políticas públicas.
Esse trabalho tem mostrado que superar a pobreza exige urgência para quem precisa e consistência para quem executa. O Brasil está prestes a escolher quem formulará políticas que afetam milhões de famílias, e o combate à pobreza ganha a visibilidade sazonal de costume.
O tema, no entanto, é importante demais para vir à tona apenas em períodos eleitorais e precisa ser um compromisso de Estado, antes, durante e, sobretudo, depois das eleições. É necessário enfrentá-lo de forma contínua se quisermos resultados em escala, com eficiência e efetividade.

O país já deu passos relevantes. Contamos com o Suas (Sistema Único de Assistência Social) e o CadÚnico, por exemplo. O desafio é fazer essa estrutura funcionar de forma integrada, criando uma ponte com as demandas locais.
Aprendi, primeiro na favela e depois no trabalho da Gerando Falcões , que não existe solução única para a pobreza. Ela deve ser entendida como um problema multidimensional, que envolve moradia, renda, educação, segurança alimentar , primeira infância e autonomia das mulheres . Superar a pobreza exige respostas à altura dessa complexidade.
Destaco cinco compromissos como fundamentais para governos futuros: O primeiro é conhecer para agir: instituir diagnóstico territorial das vulnerabilidades, integrado ao CadÚnico . União, estados e municípios precisam estabelecer metas, mecanismos de responsabilização e planos locais de monitoramento para garantir que cada família seja identificada, acompanhada e efetivamente alcançada pelo Estado.

Acompanhar o processo é o segundo compromisso. Mas acompanhar de verdade, ou seja, qualificar o Paif (Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família), com parâmetros nacionais para planos individualizados e indicadores capazes de medir a trajetória de cada família.
O terceiro é proteger mais quem mais precisa. Os entes federativos devem compartilhar responsabilidades e financiamento para assegurar acesso efetivo ao cuidado na primeira infância, à segurança alimentar e à autonomia econômica das mulheres , com ações articuladas e metas verificáveis.
O quarto é promover inclusão produtiva. Trabalho digno , empreendedorismo e crédito orientado precisam se transformar em caminhos reais de geração de renda. Isso exige ligar capacidades às oportunidades locais e articular governo, setor privado, sociedade civil e lideranças comunitárias em instâncias permanentes de decisão.

O quinto compromisso é assegurar transparência. A superação da pobreza deve constituir um eixo estruturante dos planos de governo e ganhar um marco regulatório, com metas, responsáveis, cronograma e previsão orçamentária. Sem a devida prestação de contas, não há como medir resultados e corrigir rotas.
Foi para reunir esses compromissos em torno de um pacto que lançamos uma carta aberta aos candidatos de 2026 . O documento apresenta cinco compromissos em uma agenda suprapartidária e aberta a candidaturas de diferentes espectros políticos.
O documento, de adesão voluntária, traz um recado claro: quem pretende governar deve dizer como enfrentar a pobreza, com método, metas e continuidade. O contrário da pobreza não é riqueza. É dignidade.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/papo-de-responsa/2026/10/pobreza-se-enfrenta-com-metodo-metas-e-continuidade.shtml.

Edu Lyra, fundador da Gerando Falcões, fez imersão de quatro dias na Favela Marte, em São José do Rio Preto (SP) - Yan Marcelo Carpenter/ Diuvulgação · Yan Marcelo Carpenter/ Diuvulgação — Foto: Folha de S.Paulo
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