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    PM do RJ matou homem esquizofrênico em frente à família; veja vídeo

    Câmeras corporais mostram que José Plácido Silio Neto estava rendido e PM do Rio, ainda assim, atirou; ele morreu na véspera do último natal

    Metrópoles
    6 de setembro de 2026 às 05:00
    PM do RJ matou homem esquizofrênico em frente à família; veja vídeo
    Foto: Metrópoles

    Um policial militar do Rio de Janeiro matou, na madrugada do dia 21 de dezembro de 2025, um homem esquizofrênico na frente de sua família. Imagens das câmeras corporais dos agentes envolvidos na ocorrência e obtidas com exclusividade pela coluna mostram que José Plácido Silio Neto estava em surto e levou dois tiros na porta de sua casa . Ele morreu três dias depois, na véspera do Natal.

    A ocorrência foi registrada como tentativa de homicídio contra o policial que matou José Plácido, o cabo Paulo da Silva Costa .

    Na abordagem e em meio ao surto esquizofrênico, José Plácido acertou a cabeça do PM com um pedaço de madeira. As imagens mostram que o policial foi atrás da vítima e mandou que ele largasse o pedaço de madeira. Diante da recusa, o PM atirou uma vez e, quando José Plácido já estava caído, atirou de novo. Seu colega de ocorrência chega a dizer: “já deu, já deu, tá bom [sic]”.

    Reprodução
    Reprodução — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    O PM foi informado por parentes que José Plácido tinha doença mental

    José Plácido ficou estirado na frente da casa da família e depois foi arrastado até o camburão

    O segundo policial envolvido na ocorrência é Ed Carlos da Silva Brito. Ele também desferiu um tiro contra José Plácido no momento em que o outro militar foi acertado na cabeça pelo pedaço de madeira. O tiro, entretanto, não acertou a vítima.

    policia militar do rio de janeiro (PM do Rio)
    policia militar do rio de janeiro (PM do Rio) — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    No registro de ocorrência, o policial Paulo da Silva Costa diz que atirou contra José Plácido porque ele “manteve conduta ofensiva” e que estava posicionado “para um novo ataque”. As imagens das câmeras corporais, entretanto, mostram que os tiros já foram em um momento em que a vítima estava afastada dos militares e parada.

    Os registros também revelam que os militares sabiam, desde o início da ocorrência, que José Plácido tinha problemas mentais . A informação foi dada por uma tia da vítima, que estava no portão da casa no momento da confusão. A PM-RJ havia sido acionada porque José Plácido, durante o surto, bateu na própria mãe, Midian dos Santos Silio.

    Imobilizado no chão com dois tiros na barriga, José Plácido foi arrastado pelo cabo Paulo da Silva Costa até a viatura. O PM xingou a vítima diversas vezes e depois obrigou que ele, mesmo ferido, entrasse por conta própria na viatura. “Bora, bora, filha da puta [sic]”, disse Paulo da Silva Costa e, em seguida, chutou José Plácido.

    PM do RJ matou homem esquizofrênico em frente à família; veja vídeo - destaque galeria
    PM do RJ matou homem esquizofrênico em frente à família; veja vídeo - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A conduta dos policiais nunca foi investigada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro . O caso virou um processo criminal em que o autor do crime era José Plácido, mas foi extinto devido à morte do então apontado como “réu”. A família, agora, pede a responsabilização do policial na Justiça.

    O Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos (Nudedh), da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, pediu à Polícia Civil e ao Ministério Público do Rio de Janeiro que investiguem o caso como homicídio e uso abusivo da força pelo PM. O responsável é o defensor Lucas Nunes, subcoordenador do Nudedh.

    No pedido, o defensor público anexou as imagens das câmeras corporais, que mostram que o policial militar não agiu em legítima defesa e reforçam que os militares envolvidos na ocorrência foram informados, desde o início, que a vítima era portadora de “graves transtornos mentais”.

    José Plácido ficou estirado na frente da casa da família e depois foi arrastado até o camburão
    José Plácido ficou estirado na frente da casa da família e depois foi arrastado até o camburão — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Procurada, a Defensoria Pública informou que presta assistência jurídica à família de José Plácido Silio Neto e que requisitou que o caso seja investigado como homicídio doloso.

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