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    Planta nativa cresce perto de ninhal e dificulta reprodução de fragatas em Alcatrazes

    Planta nativa cresce perto de ninhal e dificulta reprodução de fragatas em Alcatrazes Gabriel Pavan Sabino Em setembro, o Terra da Gente participou de uma expedição embarcada ao Arquipélago de Alcatrazes, no litoral de São Paulo. Com autorização do ICMBio, nossa equipe desembarcou na Ilha de Alcatrazes, a principal do arquipélago, para fazer uma trilha e conhecer de perto parte da biodiversidade do local. Durante a subida, uma planta chamou a atenção por sua relação e os imapctos na reprodução das fragatas. 📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram Com ramos compridos e espinhosos, ela

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    12 de outubro de 2026 às 14:23
    Planta nativa cresce perto de ninhal e dificulta reprodução de fragatas em Alcatrazes
    Foto: G1

    Planta nativa cresce perto de ninhal e dificulta reprodução de fragatas em Alcatrazes — Foto: Gabriel Pavan Sabino

    Em setembro, o Terra da Gente participou de uma expedição embarcada ao Arquipélago de Alcatrazes, no litoral de São Paulo. Com autorização do ICMBio, nossa equipe desembarcou na Ilha de Alcatrazes, a principal do arquipélago, para fazer uma trilha e conhecer de perto parte da biodiversidade do local. Durante a subida, uma planta chamou a atenção por sua relação e os imapctos na reprodução das fragatas .

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    Com ramos compridos e espinhosos, ela crescia sobre árvores e arbustos, formando um emaranhado de folhas e galhos. Conhecida como limãozinho-bravo ( Seguieria americana ), a trepadeira é nativa do Brasil e ocorre naturalmente na própria ilha .

    Mas por que uma planta que faz parte daquele ambiente precisa de manejo?

    A resposta está na relação com uma das aves que vivem e se reproduzem em Alcatrazes. A Seguieria americana tem crescido de forma intensa nas proximidades do ninhal das fragatas ( Fregata magnificens ), cobrindo árvores utilizadas pelas aves para construir seus ninhos.

    Conhecida como limãozinho-bravo (Seguieria americana), a trepadeira é nativa do Brasil e ocorre naturalmente na própria ilha — Foto: Gabriel Pavan Sabino

    Com a vegetação mais fechada e os galhos entrelaçados, encontrar um local adequado para pousar e se reproduzir fica mais difícil.

    O fenômeno é objeto de um estudo que investiga como a planta se tornou tão abundante em determinadas áreas da ilha e quais são as consequências dessa expansão para o ambiente.

    A pesquisa tem como principal autor o biólogo e botânico Gabriel Pavan Sabino, doutorando no Programa de Pós-Graduação em Biologia Vegetal da Unicamp, e conta com a coorientação de Victor de Andrade Kamimura, biólogo e doutor em Ciências Biológicas, na área de Biologia Vegetal, pela Unesp.

    A Seguieria tem crescido de forma intensa nas proximidades do ninhal das fragatas, cobrindo árvores utilizadas pelas aves para construir seus ninho — Foto: Gabriel Pavan Sabino

    O trabalho também aponta que o manejo seletivo pode ajudar a recuperar espaços utilizados pelas fragatas, sem que seja necessário eliminar uma espécie nativa.

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    Como uma planta nativa se tornou dominante?

    Para entender o avanço da Seguieria americana em Alcatrazes, é preciso olhar para a história de ocupação humana da ilha. A região onde hoje está o ninhal fica na porção oeste do arquipélago, que passou por mudanças na vegetação ao longo do tempo.

    Na década de 1910, a instalação de casas para faroleiros e a abertura de áreas para cultivos de subsistência, como cana-de-açúcar, banana e mandioca, modificaram o ambiente. A retirada da vegetação original pode ter aberto espaço e alterado as condições para o crescimento de determinadas espécies.

    Estudos indicam que expansão da planta esteja associada com a superdominância e o histórico de perturbações humanas na região — Foto: Gabriel Pavan Sabino

    Outro fator é a extração histórica de guano, material formado pelo acúmulo das fezes das aves e utilizado como fertilizante. Essa atividade retirou nutrientes do ambiente insular. Com o fim da exploração, esses nutrientes voltaram a se acumular no solo.

    Segundo Gabriel Pavan Sabino, os dados não permitem apontar um único acontecimento como responsável pela expansão da planta. O que a pesquisa encontrou foi uma associação entre a superdominância e o histórico de perturbações humanas na região .

    “Então, talvez seja mais preciso pensar em uma sequência de eventos e alterações, e não em um único gatilho histórico”, afirma.

    O Arquipélago de Alcatrazes fica a cerca de 35 km a 40 km da costa de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo — Foto: Gabriel Pavan Sabino

    A pesquisa identificou que a Seguieria ocorre em densidades muito altas nas áreas com histórico de perturbação humana, enquanto aparece de forma esparsa em locais sem esse histórico recente.

    Registros de expedições científicas realizadas entre 1920 e 2017 também ajudam a compreender o fenômeno. A espécie não foi registrada com a mesma abundância observada atualmente, o que sugere que a expansão intensa é relativamente recente.

    Para Gabriel, o ponto central não é a origem da planta, mas a forma como ela passou a ocupar o ambiente.

    “Usamos o termo ‘superdominância’ para diferenciar esse fenômeno da invasão por plantas exóticas. Estamos dizendo que, naquele contexto específico, uma espécie nativa tornou-se dominante a ponto de alterar a estrutura da comunidade e afetar outros grupos de espécies”, explica.

    Publicado originalmente por G1. Leia a matéria completa em https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2026/10/12/planta-nativa-cresce-perto-de-ninhal-e-dificulta-reproducao-de-fragatas-em-alcatrazes.ghtml.

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