Política

    Planos de governo de Lula e Flávio prometem seguro e crédito ao agro

    Adversários, postulantes ao Planalto convergem na necessidade de reduzir endividamento no setor

    Poder360
    22 de agosto de 2026 às 17:00
    Planos de governo de Lula e Flávio prometem seguro e crédito ao agro
    Foto: Poder360

    Adversários, postulantes ao Planalto convergem na necessidade de reduzir endividamento no setor

    Tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como o seu principal adversário na corrida presidencial, Flávio Bolsonaro (PL), defendem em seus planos de governo a ampliação do crédito e do seguro rural como instrumentos para proteger produtores de perdas e elevar a competitividade do agronegócio brasileiro.

    As propostas se dão em um cenário de deterioração financeira no campo. A inadimplência entre produtores chegou a 8,8% no 1º trimestre de 2026, alta de 1,2 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025. Produtores rurais se queixam de custos elevados, oscilação dos preços das commodities e restrição ao crédito. Fatores que pressionam o caixa e a capacidade de pagamento das dívidas.

    Produtores rurais se queixam de custos elevados, oscilação dos preços das commodities e restrição ao crédito
    Produtores rurais se queixam de custos elevados, oscilação dos preços das commodities e restrição ao crédito — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    Os 2 candidatos tratam o agronegócio como um setor estratégico para a economia e convergem na necessidade de torná-lo mais competitivo no mercado internacional. O plano de Lula afirma que o agro é “ fundamental ” para a balança comercial e para o PIB. Flávio o apresenta como responsável pela segurança alimentar do país e por parte relevante do abastecimento mundial. Esse 2º papel, no plano de Lula, é atribuído especialmente à agricultura familiar, que não é citada por Flávio.

    O Poder360 analisou ambas as propostas, leia o que cada candidato sugere para o setor. As íntegras dos planos estão aqui:

    Flávio propõe ampliar o seguro rural e recorrer à securitização e à reorganização das dívidas do setor. Segundo o programa, essas medidas dariam aos produtores um horizonte de planejamento superior a um ano. A capacidade de armazenamento das safras também seria expandida, com o objetivo de melhorar os preços recebidos no campo e manter a oferta de alimentos ao longo do ano.

    agro
    agro — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    No programa petista, a resposta passa principalmente pelo reforço do Plano Safra, com mais recursos e juros compatíveis com a rentabilidade das atividades agropecuárias. Lula lançou em 30 de junho a edição de 2026/2027, que disponibilizou o volume recorde de R$ 525 bilhões para a agricultura empresarial. Assim como Flávio, o presidente também defende reduzir a burocracia para a obtenção de crédito.

    O fortalecimento do seguro rural é outro ponto de convergência. Lula, porém, detalha a intenção de negociar com o setor produtivo um instrumento destinado a cobrir perdas sistêmicas decorrentes de quebras severas de safra. Flávio não especifica um mecanismo para catástrofes, mas relaciona a expansão da cobertura à previsibilidade da produção e à estabilidade dos preços dos alimentos.

    A preocupação com a saúde financeira do campo cresce diante da maior frequência de eventos climáticos extremos, associados às mudanças climáticas. Para enfrentá-los, Lula promete um programa nacional de resiliência com irrigação, conservação dos solos, agricultura de precisão, plantio direto e sistemas de alerta. Flávio concentra suas propostas na expansão das áreas irrigadas e na criação de polos no Matopiba e no semiárido para combater secas acentuadas.

    O impacto do clima no agro ganhou destaque em 2026 por conta do El Niño. O fenômeno climático já está em vigor e deve chegar a patamar “muito forte”, segundo a Noaa (Agência Climática Americana) no fim do ano –chance é de 95%.

    Ao alterar os regimes de chuva e temperatura globais, o El Niño pode provocar estiagens em algumas regiões e precipitações excessivas em outras, ampliando o risco de perdas –as chamadas quebras de safra, no jargão do setor– e de novo endividamento.

    Flávio afirma que buscará “ soluções diplomáticas eficazes ” contra sanções impostas por Estados Unidos, China e Europa aos produtos brasileiros. A ideia é uma crítica direta à Lula e algo que o candidato do PL declara repetidamente: a mal gerência diplomática do atual presidente fecha mercados para os setores produtivos.

    Em seu plano, Flávio defende uma diplomacia que ele chama de “ pragmática ” e orientada pelo interesse dos produtores. Promete negociações com diferentes blocos para abrir mercados, reduzir barreiras e integrar a agroindústria brasileira às cadeias globais de valor.

    Lula promete “ continuar ” a abertura de mercados e ampliar missões empresariais ao redor do globo. O plano cita como resultado do atual mandato a abertura de 656 mercados para produtos agropecuários e defende a diversificação dos compradores como forma de proteger o setor de “ incertezas geopolíticas ”.

    O agro enfrenta simultaneamente barreiras em 3 de seus principais mercados.

    O tarifaço dos Estanos Unidos à produtos brasileiros recebeu algumas concessões do governo de Donald Trump (Republicanos), como o café, a carne e o suco de laranja, mas ainda atinge boa parte das exportações do agro brasileiro –cerca de 36,5%, segundo a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

    Na China, a carne bovina brasileira já havia preenchido 79% de sua cota anual em junho, com tarifa adicional de 55% para volumes excedentes. Muito possivelmente o limite será batido com cargas que já estão em trânsito em direção ao país.

    Já a União Europeia determinou um veto às carnes brasileiras por considerar insuficientes as garantias sobre o controle do uso de antimicrobianos.

    Tanto Lula quanto Flávio prometem a redução da dependência do agronegócio brasileiro em fertilizantes importados. Para os candidatos, o contexto geopolítico do momento, que elevou os preços desse insumo necessário para a produção agrícola, é um indicativo que o Brasil precisa de uma política de proteção contra preços internacionais.

    No caso de Flávio, o plano defende o aproveitamento das reservas brasileiras de potássio e fosfato e a produção de fertilizantes a partir do gás natural.

    Lula faz o mesmo, mas atribui protagonismo à Petrobras e cita a retomada de unidades em Sergipe, Bahia e Paraná e das obras de uma fábrica em Mato Grosso do Sul. O petista propõe ainda estimular bioinsumo, especialmente na agricultura familiar, para reduzir o uso e a importação de fertilizantes químicos.

    Apesar de ambos darem importância ao tema, a regularização fundiária é ponto de discordância nos planos dos candidatos. Na agenda de Flávio, o debate está centrado na titulação do pequeno proprietário. O candidato pretende retomar o ritmo do governo de Jair Bolsonaro, período em que, segundo o plano, foram emitidos mais de 450 mil documentos de imóveis rurais. A medida é apresentada como forma de facilitar o acesso ao crédito, estimular investimentos e assegurar o direito de propriedade, que não deveria admitir “ relativizações ”.

    O programa de Lula também relaciona a regularização à segurança jurídica, com atenção especial à região Norte, mas adota uma abordagem mais ampla de acesso à terra. Além de dar “ continuidade à reforma agrária ”, o documento fala em assentar famílias acampadas, estruturar os assentamentos existentes e ampliar o crédito fundiário. A agenda inclui ainda a titulação de territórios quilombolas e a regularização das áreas ocupadas por povos e comunidades tradicionais.

    A diferença entre os candidatos fica mais evidente no tratamento das terras indígenas. Flávio enfatiza o uso econômico desses territórios ao defender que indígenas e quilombolas tenham autonomia para decidir sobre atividades produtivas, respeitadas as regras ambientais, além de indenizações ou compensações por restrições ao usufruto. Lula concentra sua proposta na proteção territorial, com a continuidade das demarcações e das operações de desintrusão para retirar invasores quando necessário.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/planos-de-governo-de-lula-e-flavio-prometem-seguro-e-credito-ao-agro/.

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    Produtores rurais se queixam de custos elevados, oscilação dos preços das commodities e restrição ao crédito — Foto: Poder360

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