Plano de negócios de 'Dark Horse' previa bilheteria maior que a de 'Minha Mãe é uma Peça 3', recorde no Brasil
O plano de negócios do filme " Dark Horse ", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, previa um desempenho de bilheteria superior ao de "Minha Mãe é uma Peça 3", exibido em 2019 e recorde de resultado no cinema brasileiro. Leia mais (09/11/2026 - 14h15)

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O plano de negócios do filme " Dark Horse ", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, previa um desempenho de bilheteria superior ao de "Minha Mãe é uma Peça 3", exibido em 2019 e recorde de resultado no cinema brasileiro.

A informação consta em um relatório da PF (Polícia Federal) no inquérito do caso do Banco Master , tornado público nesta sexta-feira (11). O senador Flávio Bolsonaro ( PL -RJ), candidato à Presidência nas eleições de 2026, é formalmente investigado nas apurações sobre a produção de "Dark Horse" .
Segundo a PF, o plano de negócios do filme, encontrado nas conversas extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro , projetava três cenários de desempenho de bilheteria: de US$ 45 milhões, considerado mais pessimista; de US$ 70 milhões, apontado como conservador; e de US$ 100 milhões, visto como otimista.
O cenário mais pessimista, segundo a cotação mais recente, equivale a mais de R$ 381 milhões, enquanto o mais otimista, R$ 509 milhões.

"Para situar a dimensão dessas projeções, o maior resultado de bilheteria da história do cinema nacional foi obtido por 'Minha Mãe é uma Peça 3' (2019), com aproximadamente R$ 120 milhões —equivalente, à época, a cerca de US$ 30 milhões. O cenário otimista projetado para Dark Horse superaria esse recorde histórico nacional em mais de três vezes, situando-se na faixa de desempenho de grandes produções hollywoodianas de bilheteria global", diz o relatório.
No documento, a PF afirma que há discrepância entre as projeções e "qualquer parâmetro realista do mercado cinematográfico nacional".
"O aparente descompasso entre o valor previsto para a produção de Dark Horse e os parâmetros usualmente praticados no mercado audiovisual brasileiro constitui circunstância objetiva que, embora não caracterize por si só qualquer ilícito penal, reforça a necessidade de aprofundamento da investigação acerca da efetiva destinação dos recursos e da compatibilidade econômica da operação financeira identificada", afirma a PF no relatório.

A projeção foi enviada a Vorcaro pelo publicitário Thiago Miranda, que atuou como interlocutor na montagem do filme, segundo as investigações.
Em julho, a Folha noticiou que Flávio era um dos alvos da PF na apuração do Dark Horse e também que os investigadores suspeitam que parte do dinheiro arrecadado para o filme tenha sido usada para bancar as despesas do irmão de Flávio, Eduardo Bolsonaro , que atualmente vive nos Estados Unidos.
Como revelou o site The Intercept, Flávio negociou diretamente com Vorcaro o repasse de pelo menos US$ 24 milhões (hoje, aproximadamente R$ 122,7 milhões) para a produção do filme.

Deste montante, foram pagos efetivamente no mínimo US$ 12,3 milhões (hoje, cerca de R$ 62,9 milhões), segundo documentos da investigação noticiados pela revista piauí. De acordo com o The Intercept, Eduardo teria orientado Thiago Miranda a enviar o máximo possível de recursos aos Estados Unidos.
Segundo a PF, mesmo a participação de profissionais estrangeiros na produção de Dark Horse não justificaria o orçamento elevado.
"Mesmo considerados esses fatores, a magnitude dos valores identificados —US$ 24 milhões previstos em contrato e US$ 12,3 milhões já remetidos— permanece significativamente destoante dos referenciais disponíveis do mercado audiovisual nacional e, somada às demais circunstâncias descritas, reforça a necessidade investigativa de verificar a compatibilidade econômica e a efetiva destinação dos recursos", diz a PF no relatório.
A Folha não conseguiu localizar o contato da produtora Europa Filmes, responsável pela distribuição de Dark Horse no Brasil.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/plano-de-negocios-de-dark-horse-previa-bilheteria-maior-que-a-de-minha-mae-e-uma-peca-3-recorde-no-brasil.shtml.

O ator Jim Caviezel em cena do trailer de 'Dark Horse', filme sobre Jair Bolsonaro - Reprodução · Reprodução — Foto: Folha de S.Paulo
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