Brasil

    Plano de Flávio restringe trans no esporte e reforça pauta antiaborto

    Documento também defende escolas cívico-militares, "vida desde a concepção" e medidas contra o que chama de "censura e doutrinação"

    Metrópoles
    13 de agosto de 2026 às 21:45
    Plano de Flávio restringe trans no esporte e reforça pauta antiaborto
    Foto: Metrópoles

    O plano de governo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) propõe restringir a participação de atletas trans em categorias femininas de competições esportivas . O documento também defende a ampliação das escolas cívico-militares e promete combater o que chama de “doutrinação político-partidária” nas salas de aula.

    Intitulado “Para o Brasil Vencer o Atraso” , o documento reúne propostas para áreas como segurança, economia, educação, saúde, infraestrutura e gestão pública. O plano deve ser protocolado ainda nesta quinta-feira (13/8) no Tribunal Superior Eleitoral ( TSE ), junto com o pedido de registro da candidatura à Presidência do senador.

    O texto não usa os termos “trans” ou “transgênero”. Ao tratar do esporte feminino, porém, afirma que atletas que “não nasceram do sexo feminino” mantêm, “mesmo após tratamento hormonal”, o que o plano classifica como “vantagens físicas”.

    Luis Nova/Metrópoles @LuisGustavoNova
    Luis Nova/Metrópoles @LuisGustavoNova — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Com esse argumento, o plano propõe reservar as categorias femininas, da base ao alto rendimento, a atletas do sexo feminino. “Vamos assegurar que a categoria feminina, da base ao alto rendimento, seja disputada por atletas do sexo feminino”, diz o documento.

    Na prática, a medida restringiria a participação de mulheres trans nessas categorias. O texto afirma que a proposta busca proteger as mulheres e a “lisura da competição de agendas ideológicas”.

    O avanço de políticas voltadas à população trans é uma das pautas mais contestadas pelas bancadas evangélica e de oposição no Congresso, grupos que apoiam majoritariamente a candidatura de Flávio Bolsonaro.

    Eleições 2026
    Eleições 2026 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A mesma linha conservadora aparece nas propostas para a educação. Flávio promete ampliar as escolas cívico-militares, que, segundo o documento, “uniram disciplina e bom desempenho onde foram implantadas”.

    O plano também defende que a escola respeite os valores transmitidos pelas famílias, sem fazer, porém, uma defesa do homeschooling. “Quem decide sobre os valores que o filho recebe são os pais”, afirma o texto.

    O documento promete uma educação “livre de doutrinação político-partidária” e diz que os professores devem receber formação “para ensinar bem, e não para militar em sala de aula”. O plano não detalha quais conteúdos ou condutas seriam considerados doutrinação ou militância.

    Flavio Bolsonaro participa do debate com os candidatos a presidente do Brasil para a eleição de 2026 no evento da Confederação Nacional da Indústria CNI metropoles 1
    Flavio Bolsonaro participa do debate com os candidatos a presidente do Brasil para a eleição de 2026 no evento da Confederação Nacional da Indústria CNI metropoles 1 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    O documento também apresenta o “respeito à vida desde a concepção” como um valor inegociável . A formulação indica uma posição contrária ao aborto, que não é mencionado explicitamente, mas o plano não detalha propostas para mudar a legislação sobre o tema.

    Na cultura, Flávio promete aperfeiçoar as leis de incentivo, corrigir o que chama de distorções e ampliar o espaço para artistas de outras regiões do país. O documento também afirma que pretende levar a arte ao público “sem subordiná-la a agendas políticas”. O texto não explica o que seria considerado uma agenda política nem como esse critério seria aplicado.

    O plano também propõe um “Tesouraço na Censura”. A medida prevê acabar com estruturas estatais que, segundo o documento, funcionem como um “Ministério da Verdade” e sejam encarregadas de “vigiar, rotular ou punir o que as pessoas dizem”.

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    O texto também promete revogar atos do atual governo que, na avaliação do programa, teriam sido usados para silenciar críticos. Nesse trecho, o documento não cita quais estruturas ou atos seriam atingidos.

    Na área institucional, o programa propõe limitar decisões individuais de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) , rever o alcance de ações constitucionais e restringir quem pode apresentá-las à Corte. O plano afirma que a mudança busca evitar que a “caneta de um só ministro” se sobreponha ao Congresso.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/brasil/plano-de-flavio-restringe-trans-no-esporte-e-reforca-pauta-antiaborto.

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