Brasil

    Plano de Flávio Bolsonaro usa escândalo do INSS para desgastar Lula

    O plano de governo do presidenciável do PL , o senador Flávio Bolsonaro (RJ), promete combater e prevenir fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) como parte de sua estratégia de explorar na campanha eleitoral o escândalo dos descontos fraudulentos que envolveu Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha , filho do presidente Lula ( PT ). Leia mais (08/13/2026 - 22h06)

    Folha de S.Paulo
    14 de agosto de 2026 às 01:06
    Plano de Flávio Bolsonaro usa escândalo do INSS para desgastar Lula
    Dois homens em trajes formais apertam as mãos com expressão séria, cercados por outros três homens ao fundo em ambiente interno com iluminação escura. — Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    O plano de governo do presidenciável do PL , o senador Flávio Bolsonaro (RJ), promete combater e prevenir fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) como parte de sua estratégia de explorar na campanha eleitoral o escândalo dos descontos fraudulentos que envolveu Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha , filho do presidente Lula ( PT ).

    O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seu vice, Alfredo Gaspar (PL-AL), que foi relator da CPI do INSS - Evaristo Sá - 5.ago.26/AFP · Evaristo Sá - 5.ago.26/AFP
    O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seu vice, Alfredo Gaspar (PL-AL), que foi relator da CPI do INSS - Evaristo Sá - 5.ago.26/AFP · Evaristo Sá - 5.ago.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ao apresentar suas propostas para a área, Flávio exime o governo Jair Bolsonaro (PL) e culpa a gestão petista pelo esquema de corrupção , alvo da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS no Congresso.

    Auxiliares do candidato apostam em Lulinha e no escândalo do INSS como pontos centrais de desgaste para Lula durante a campanha. Também por isso, escolheram como candidato a vice-presidente o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), relator da CPI do INSS que propôs em seu parecer final o indiciamento do filho de Lula.

    O texto fala em "farra do INSS", uma "explosão de descontos indevidos que triplicou os valores roubados de idosos, pensionistas e beneficiários de programas sociais em 2023 e 2024", anos da gestão do PT.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Foi a mobilização da oposição, após a CPI do INSS e contra a resistência do governo Lula, que conseguimos aprovar o fim definitivo dos descontos associativos, em novembro de 2025", diz ainda o plano.

    A proposta de Flávio é reeditar um pacote antifraude da Previdência, nos moldes de uma MP (medida provisória) editada pelo governo Bolsonaro em 2019, e "mudar a governança do consignado para que a fraude não se repita, revendo quem opera esses descontos e como são autorizados".

    No fim de julho, os ministros André Mendonça e Flávio Dino , do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizaram a abertura de inquéritos contra Lulinha para apurar suspeitas de tráfico de influência. Também vieram à tona pagamentos da empresária Roberta Luchsinger ao ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola , que é amigo de Lulinha.

    BRASILIA, DF,  BRASIL,  05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    BRASILIA, DF, BRASIL, 05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Receba no seu email o que de mais importante acontece na capital federal

    Em abril de 2025, durante o governo Lula , uma operação deflagrada pela Polícia Federal e pela CGU (Controladoria-Geral da União) mirou um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS. A investigação apontou uma soma de R$ 6,3 bilhões em valores descontados, entre 2019 e 2024, abrangendo os governos Bolsonaro e Lula.

    Depois da operação, o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto , pediu demissão do cargo após ordem do presidente Lula. A revelação do esquema também culminou na demissão do então ministro da Previdência, Carlos Lupi ( PDT ).

    No plano de governo, Flávio menciona a MP 871 , editada em 17 de janeiro de 2019, a chama de MP Antifraudes e diz que o governo Bolsonaro foi o primeiro a tentar restringir os descontos sem consentimento dos aposentados.

    A MP incluiu uma regra para que o desconto de associações em aposentadorias e pensões fosse autorizado anualmente. Durante a tramitação no Congresso, a iniciativa foi alterada pelos parlamentares duas vezes até ser eliminada completamente em uma terceira ocasião. Bolsonaro poderia apresentar vetos ao texto, mas decidiu sancionar a MP na íntegra .

    Entre as 11 entidades investigadas pela operação da PF, cinco haviam firmado acordos com o INSS durante o governo Bolsonaro . O próprio relatório final da CPI afirma que, nesse período, decretos e mudanças internas ampliaram o acesso de entidades e fragilizaram o sistema, permitindo "que o esquema de descontos indevidos deixasse de ser uma prática isolada para se tornar um modelo de exploração sistêmica".

    Como mostrou a Folha , mensagens interceptadas pela PF mostram "fortes indícios" de que o esquema criminoso envolvendo José Carlos Oliveira, ex-presidente do INSS, estava "em pleno funcionamento" no período em que ele era ministro do Trabalho e Previdência de Bolsonaro. À CPI, ele negou participação em fraudes.

    O desconto de mensalidades de associações e sindicatos vem de governos anteriores, mas atingiu patamares bilionários após 2022, explodindo durante o governo Lula, com movimentações políticas no Congresso que impediram o endurecimento de regras para barrar débitos ilegais.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    As principais notícias da semana sobre o cenário jurídico e conteúdos exclusivos

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/08/plano-de-flavio-bolsonaro-usa-escandalo-do-inss-para-desgastar-lula.shtml.

    Imagem 1
    1 / 3

    O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seu vice, Alfredo Gaspar (PL-AL), que foi relator da CPI do INSS - Evaristo Sá - 5.ago.26/AFP · Evaristo Sá - 5.ago.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)