Plano de Flávio Bolsonaro usa escândalo do INSS para desgastar Lula
O plano de governo do presidenciável do PL , o senador Flávio Bolsonaro (RJ), promete combater e prevenir fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) como parte de sua estratégia de explorar na campanha eleitoral o escândalo dos descontos fraudulentos que envolveu Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha , filho do presidente Lula ( PT ). Leia mais (08/13/2026 - 22h06)

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
O plano de governo do presidenciável do PL , o senador Flávio Bolsonaro (RJ), promete combater e prevenir fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) como parte de sua estratégia de explorar na campanha eleitoral o escândalo dos descontos fraudulentos que envolveu Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha , filho do presidente Lula ( PT ).

Ao apresentar suas propostas para a área, Flávio exime o governo Jair Bolsonaro (PL) e culpa a gestão petista pelo esquema de corrupção , alvo da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS no Congresso.
Auxiliares do candidato apostam em Lulinha e no escândalo do INSS como pontos centrais de desgaste para Lula durante a campanha. Também por isso, escolheram como candidato a vice-presidente o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), relator da CPI do INSS que propôs em seu parecer final o indiciamento do filho de Lula.
O texto fala em "farra do INSS", uma "explosão de descontos indevidos que triplicou os valores roubados de idosos, pensionistas e beneficiários de programas sociais em 2023 e 2024", anos da gestão do PT.

"Foi a mobilização da oposição, após a CPI do INSS e contra a resistência do governo Lula, que conseguimos aprovar o fim definitivo dos descontos associativos, em novembro de 2025", diz ainda o plano.
A proposta de Flávio é reeditar um pacote antifraude da Previdência, nos moldes de uma MP (medida provisória) editada pelo governo Bolsonaro em 2019, e "mudar a governança do consignado para que a fraude não se repita, revendo quem opera esses descontos e como são autorizados".
No fim de julho, os ministros André Mendonça e Flávio Dino , do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizaram a abertura de inquéritos contra Lulinha para apurar suspeitas de tráfico de influência. Também vieram à tona pagamentos da empresária Roberta Luchsinger ao ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola , que é amigo de Lulinha.

Receba no seu email o que de mais importante acontece na capital federal
Em abril de 2025, durante o governo Lula , uma operação deflagrada pela Polícia Federal e pela CGU (Controladoria-Geral da União) mirou um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS. A investigação apontou uma soma de R$ 6,3 bilhões em valores descontados, entre 2019 e 2024, abrangendo os governos Bolsonaro e Lula.
Depois da operação, o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto , pediu demissão do cargo após ordem do presidente Lula. A revelação do esquema também culminou na demissão do então ministro da Previdência, Carlos Lupi ( PDT ).
No plano de governo, Flávio menciona a MP 871 , editada em 17 de janeiro de 2019, a chama de MP Antifraudes e diz que o governo Bolsonaro foi o primeiro a tentar restringir os descontos sem consentimento dos aposentados.
A MP incluiu uma regra para que o desconto de associações em aposentadorias e pensões fosse autorizado anualmente. Durante a tramitação no Congresso, a iniciativa foi alterada pelos parlamentares duas vezes até ser eliminada completamente em uma terceira ocasião. Bolsonaro poderia apresentar vetos ao texto, mas decidiu sancionar a MP na íntegra .
Entre as 11 entidades investigadas pela operação da PF, cinco haviam firmado acordos com o INSS durante o governo Bolsonaro . O próprio relatório final da CPI afirma que, nesse período, decretos e mudanças internas ampliaram o acesso de entidades e fragilizaram o sistema, permitindo "que o esquema de descontos indevidos deixasse de ser uma prática isolada para se tornar um modelo de exploração sistêmica".
Como mostrou a Folha , mensagens interceptadas pela PF mostram "fortes indícios" de que o esquema criminoso envolvendo José Carlos Oliveira, ex-presidente do INSS, estava "em pleno funcionamento" no período em que ele era ministro do Trabalho e Previdência de Bolsonaro. À CPI, ele negou participação em fraudes.
O desconto de mensalidades de associações e sindicatos vem de governos anteriores, mas atingiu patamares bilionários após 2022, explodindo durante o governo Lula, com movimentações políticas no Congresso que impediram o endurecimento de regras para barrar débitos ilegais.
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
As principais notícias da semana sobre o cenário jurídico e conteúdos exclusivos
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/08/plano-de-flavio-bolsonaro-usa-escandalo-do-inss-para-desgastar-lula.shtml.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seu vice, Alfredo Gaspar (PL-AL), que foi relator da CPI do INSS - Evaristo Sá - 5.ago.26/AFP · Evaristo Sá - 5.ago.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

