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    Plano de Flávio Bolsonaro para educação replica o pai em alfabetização e quer pagar aluno para dar reforço

    Presidenciável do PL propõe que recém-formado não pague nada ao Fies se estiver sem renda

    UOL
    13 de agosto de 2026 às 04:00
    Plano de Flávio Bolsonaro para educação replica o pai em alfabetização e quer pagar aluno para dar reforço
    Homem com cabelo curto e escuro veste terno preto e camisa branca, olhando para frente com expressão neutra. Fundo é preto e desfocado, com outra pessoa parcialmente visível ao lado. — Foto: UOL

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    O plano de governo de Flávio Bolsonaro ( PL ) para educação propõe o método fônico de alfabetização, assim como fez o governo de Jair Bolsonaro (PL), e prevê que estudantes com bom desempenho sejam pagos para dar reforço aos colegas, medida chamada de Programa Acolher.

    O senador e presidenciável Flavio Bolsonaro (PL-RJ) durante evento do PL em que anunciou seu vice na chapa, em Brasília
    O senador e presidenciável Flavio Bolsonaro (PL-RJ) durante evento do PL em que anunciou seu vice na chapa, em Brasília — Foto: UOL · Fonte: UOL

    As propostas do senador, que ainda serão apresentadas à Justiça Eleitoral nesta semana, são intituladas de "Plano para o Brasil Vencer o Atraso", e os principais pontos na área de ensino foram obtidos pela Folha .

    Flávio também propõe alfabetização na idade certa, distribuição de recursos baseada em metas, capacitação contínua de professores, voucher para escolas, ampliação da educação técnica e mudanças no Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) —parte das propostas já está prevista atualmente nas políticas públicas do governo federal.

    Em 2018, o plano de Bolsonaro para educação enfatizava a suposta doutrinação . "Um dos maiores males atuais é a forte doutrinação. […] Mais matemática, ciências e português, SEM DOUTRINAÇÃO E SEXUALIZAÇÃO PRECOCE", dizia o documento, em letras maiúsculas.

    Saiba o que é e como funciona o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil)
    Saiba o que é e como funciona o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Na última eleição, o plano do ex-presidente foi mais discreto nesse ponto, mas ainda tratou do tema ao indicar que "os alunos possam exercer um pensamento crítico sem conotações ideológicas que apenas distorcem a percepção de mundo".

    Com a missão de parecer mais moderado que seu pai , Flávio não destaca a ideologia entre os principais pontos do seu plano, resumidos por sua equipe em alfabetização, reforço escolar e ensino técnico.

    Olavo Nogueira Filho, diretor-executivo do Todos Pela Educação, afirma que o plano acerta nesse quesito –priorizar temas relevantes enquanto Bolsonaro se concentrava em Escola sem Partido , escolas cívico-militares e homeschooling.

    Apoiadores de Flávio Bolsonaro na convenção do PL
    Apoiadores de Flávio Bolsonaro na convenção do PL — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Mas o especialista diz que, ainda assim, as propostas de Flávio preocupam. "Percebo uma compreensão muito limitada dos desafios da educação brasileira, do papel do Ministério da Educação [ MEC ] e das políticas que o país já vem implementando", afirma à Folha .

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    Em relação à alfabetização, Flávio resgata uma medida do governo Bolsonaro , que desenhou a Política Nacional de Alfabetização com base no método fônico, o que gerou repercussão e críticas à época.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Especialistas e secretários de Educação defendem que o MEC não deve impor uma única pedagogia, ignorando práticas positivas de cada rede de ensino. Além disso, há discussões sobre a necessidade de conciliar diferentes metodologias e respeitar a autonomia das redes.

    O plano de Flávio define o método fônico como aquele que "ensina a criança a relacionar sons e letras" e defende que ele representa "uma modernização em relação ao que é adotado hoje no Brasil e alinhando a metodologia de ensino com o que há de melhor no mundo".

    Segundo a equipe do senador, o método fônico será o prioritário, com base em experiências internacionais e evidências científicas que o posicionam como o mais adequado.

    BRASILIA, DF,  BRASIL,  05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    BRASILIA, DF, BRASIL, 05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Olavo Nogueira Filho diz que Flávio "reedita a tônica do primeiro governo Bolsonaro ao reduzir um desafio nacional complexo à discussão sobre métodos de alfabetização". Para ele, a proposta ignora os resultados promissores da agenda atual, "inspirada na experiência bem-sucedida do Ceará, baseada na cooperação entre estados e municípios".

    O presidenciável do PL também repete uma proposta de seu pai em relação a vouchers para creches . "Onde não houver vaga na rede pública, a família poderá utilizar voucher educacional em escola credenciada", diz o plano.

    Bolsonaro chegou a lançar um voucher para creche no âmbito do Auxílio Brasil, mas a ideia não saiu do papel.

    Uma inovação do senador é o Programa Acolher: "Estudantes com bom desempenho poderão receber remuneração para oferecer reforço aos colegas, presencialmente ou por meios digitais".

    "A proposta cria uma rede de apoio próxima ao aluno, oferece renda a quem ensina e reforça o aprendizado de quem atua como tutor", afirma ainda o texto.

    O diretor-executivo do Todos Pela Educação afirma que essa proposta "se assemelha mais a uma iniciativa pontual de uma secretaria de educação de pequeno porte do que a uma estratégia nacional".

    Uma ideia divulgada por Flávio foi comparada ao Fies, implementado em 1999, durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O senador, porém, fala em substituir o financiamento estudantil no ensino superior por um Empréstimo Contingente à Renda, ou seja, com parcelas proporcionais ao que o beneficiário recebe. O modelo atual estabelece uma parcela fixa que leva em conta um limite máximo de comprometimento da renda.

    Outra diferença seria a obrigatoriedade do pagamento –Flávio propõe que o recém-formado só pague a parcela se estiver empregado ou tiver renda. Atualmente, o beneficiário nessa situação ainda tem que pagar um valor mínimo, que gira em torno de R$ 150.

    O plano traz ainda pontos que já são praticados, como desconto em folha do Fies, bolsas de ensino técnico pagas por empresas e financiamento baseado em metas e resultados.

    Hoje parte do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) já é distribuída segundo os resultados obtidos pelas redes de ensino. Auxiliares de Flávio afirmam que todo o Orçamento da educação, incluindo o Fundeb, obedeceria a esse critério, que é em parte questionado porque pode ampliar a desigualdade se não destinar recursos suficientes às escolas que mais precisam.

    O plano prega ainda atendimento específico para estudantes com altas habilidades, escolas abertas durante as férias e ensino de robótica, educação financeira, empreendedorismo e inteligência artificial.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/08/plano-de-flavio-bolsonaro-para-educacao-replica-o-pai-em-alfabetizacao-e-quer-pagar-aluno-para-dar-reforco.shtml.

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    O senador e presidenciável Flavio Bolsonaro (PL-RJ) durante evento do PL em que anunciou seu vice na chapa, em Brasília — Foto: UOL

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