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    Plano contra seca extrema no Amazonas une ciência e ribeirinhos para salvar botos

    Com sensores instalados em lagos, imagens de satélite e a participação de comunidades ribeirinhas do Amazonas , pesquisadores e órgãos ambientais criaram uma rede de monitoramento para identificar, com antecedência, os potenciais impactos das secas extremas sobre os mamíferos aquáticos da amazônia . Leia mais (08/18/2026 - 05h00)

    Folha de S.Paulo
    18 de agosto de 2026 às 08:00
    Plano contra seca extrema no Amazonas une ciência e ribeirinhos para salvar botos
    Homem com chapéu de palha está em barco pequeno no rio, lançando rede de pesca na água durante o dia. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Com sensores instalados em lagos, imagens de satélite e a participação de comunidades ribeirinhas do Amazonas , pesquisadores e órgãos ambientais criaram uma rede de monitoramento para identificar, com antecedência, os potenciais impactos das secas extremas sobre os mamíferos aquáticos da amazônia .

    Assistentes de campo realizam contenção física do boto-vermelho para captura científica no lago Amanã, no Amazonas, em outubro de 2025 - Miguel Monteiro · Miguel Monteiro
    Assistentes de campo realizam contenção física do boto-vermelho para captura científica no lago Amanã, no Amazonas, em outubro de 2025 - Miguel Monteiro · Miguel Monteiro — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A estratégia busca transformar informações científicas em respostas rápidas para proteger os animais e as comunidades. A mudança ocorreu após a mortandade de 209 botos durante a seca extrema de 2023 a 2024, quando o lago Tefé, na cidade de mesmo nome, atingiu 40,9°C.

    A tragédia revelou a necessidade de buscar estratégias de prevenção. Uma das principais iniciativas é o projeto Lagos Sentinelas da Amazônia, coordenado pelo pesquisador Ayan Fleischmann, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.

    O programa monitora cinco lagos por meio de estações meteorológicas, sensores submersos e imagens de satélite.

    Boto-vermelho no lago de Tefé, no Amazonas; cerca de 209 morreram na seca severa de 2023 e 2024
    Boto-vermelho no lago de Tefé, no Amazonas; cerca de 209 morreram na seca severa de 2023 e 2024 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os equipamentos registram temperatura da água e do ar, nível dos rios, oxigênio dissolvido, radiação solar, chuvas e ventos para identificar condições que possam levar a eventos extremos. Segundo Fleischmann, a iniciativa reúne 17 instituições e cerca de 70 pesquisadores.

    Um dos diferenciais do programa é transformar moradores locais em parte do sistema de monitoramento. Mais de 200 comunitários em 52 comunidades ribeirinhas, quilombolas e tradicionais, participaram das oficinas.

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    Mais de cem botos morreram no lago Tefé, no Amazonas, em 2023
    Mais de cem botos morreram no lago Tefé, no Amazonas, em 2023 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A ideia é simples: quem vive diariamente nos lagos percebe mudanças que escapam muitas vezes aos equipamentos.

    Os moradores são treinados para atuar como sentinelas ambientais, identificando alterações na água, mudanças no comportamento dos animais e sinais precoces de eventos extremos. O conhecimento tradicional preveniu uma devastação ainda maior em 2023 . Moradores construíram um pari, uma barreira feita com estacas, para impedir que botos entrassem em uma região crítica do lago Tefé. Também foram os barqueiros da região que garantiram o deslocamento seguro das equipes científicas durante a seca severa.

    Além do monitoramento ambiental, pesquisadores capturaram 17 botos-vermelhos ( Inia geoffrensis ) no lago Amanã para exames.

    Boto-cor-de-rosa parcialmente submerso em água de rio, com vegetação ao fundo.
    Boto-cor-de-rosa parcialmente submerso em água de rio, com vegetação ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Doze receberam transmissores via satélite que registram localização, profundidade e temperatura da água durante os deslocamentos. Os dados permitem identificar áreas de refúgio e compreender como a espécie responde às secas extremas.

    Um estudo publicado na revista Science em 2025, liderado por Fleischmann, mostrou que o aquecimento extremo dos lagos é resultado da combinação de radiação solar intensa, redução da profundidade, baixa velocidade dos ventos e alta turbidez da água.

    A pesquisa identificou ainda que a temperatura dos lagos amazônicos aumentou, em média, 0,6°C por década entre 1990 e 2023 . Isso indica que esses episódios tendem a se tornar mais frequentes com o avanço das mudanças climáticas.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em 2025, o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) divulgou o Guia para Emergências com Mamíferos Aquáticos Amazônicos em Situações de Seca Extrema . O material estabelece protocolos para identificar áreas críticas, organizar equipes e orientar intervenções antes que ocorram novos episódios de mortalidade. O Instituto Mamirauá também desenvolve, em parceria com a ONG WWF e a rede de pesquisadores MapBiomas, um sistema de alertas por sensoriamento remoto.

    Buscando reduzir os impactos da seca sobre as comunidades ribeirinhas, a entidade promove, ainda, treinamentos para agentes de saúde, produz materiais educativos e distribui insumos para o tratamento emergencial da água. Neste mês, novas oficinas devem reunir lideranças de 50 comunidades do lago Tefé para avaliar as medidas adotadas nas últimas secas e aperfeiçoar os protocolos de preparação para futuros eventos extremos. Procurados por email e por telefone, o Governo do Amazonas e a Prefeitura de Tefé não responderam a questionamentos sobre as medidas preventivas para os mamíferos aquáticos.

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    Mudanças climáticas poderão levar à predominância de espécies generalistas e não lenhosas nas comunidades de plantas da Caatinga
    Mudanças climáticas poderão levar à predominância de espécies generalistas e não lenhosas nas comunidades de plantas da Caatinga — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/08/plano-contra-seca-extrema-no-amazonas-une-ciencia-e-ribeirinhos-para-salvar-botos.shtml.

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    Assistentes de campo realizam contenção física do boto-vermelho para captura científica no lago Amanã, no Amazonas, em outubro de 2025 - Miguel Monteiro · Miguel Monteiro — Foto: Folha de S.Paulo

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