PL vai explorar contra-ataque de Dino a Mendonça para argumentar que Lula interfere em investigações
O PL vai explorar o contra-ataque ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça para tentar desgastar o presidente Lula (PT) na campanha e ajudar Flávio Bolsonaro (PL) . O partido entende que o recrudescimento do conflito interno na corte tende a piorar o embate institucional que tem o escândalo do Master como pano de fundo. Leia mais (09/09/2026 - 17h22)

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O PL vai explorar o contra-ataque ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça para tentar desgastar o presidente Lula (PT) na campanha e ajudar Flávio Bolsonaro (PL) . O partido entende que o recrudescimento do conflito interno na corte tende a piorar o embate institucional que tem o escândalo do Master como pano de fundo.

A avaliação foi compartilhada à Folha, sob reserva, por lideranças do PL. O grupo foi contrariado nesta quarta-feira (9) com a decisão do ministro Flávio Dino de reintegrar Andrei Passos Rodrigues ao comando da Polícia Federal . O delegado foi afastado na terça (8) por decisão de Mendonça, relator do caso Master.
A decisão de Dino foi vista no PL como um contra-ataque ao colega do STF. A crise segue com a pressão sobre o presidente do Supremo, Edson Fachin , para retirar de Mendonça as relatorias do Master e também do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Governistas aguardam uma decisão nesse sentido.
O PL prefere que as relatorias permaneçam com Mendonça, mas entende que uma eventual mudança forçada no comando dos casos do Master e do INSS dará munição a Flávio Bolsonaro para denunciar uma suposta intervenção do governo contra as investigações. Em outras palavras, o grupo entende que o ministro criou uma armadilha da qual não há saída fácil para Lula e aliados.

O afastamento de Andrei empurrou o governo para o centro da crise, após Mendonça levantar o sigilo da ação que apura a relação banqueiro Daniel Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes. A medida expôs diálogos com o dono do Master, que pediu ajuda do magistrado junto a Andrei Rodrigues e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Dessa forma, o PL vê uma margem para desgastar o governo diante do possível envolvimento de Andrei e Gonet, escolhidos por Lula para comandar a PF e a PGR, e também de Moraes, indicado ao STF por Temer, mas que se tornou um aliado de Lula e um antagonista da direita e, principalmente, da família Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro, nesse sentido, reclamou durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG), classificando a decisão de Dino como "uma 'canetada' contra os precedentes históricos do Supremo" e "uma tentativa de interferir num processo judicial".

"Só no STF do Brasil três ministros votando em colegiado valem menos do que um!", reclamou o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ). O deputado faz referência à confirmação do afastamento de Andrei pela segunda turma do Supremo.
Uma ala do partido, por outro lado, reconhece que a crise pode se voltar contra Flávio Bolsonaro, que também está envolvido com Vorcaro no caso Dark Horse. O senador pediu dinheiro a Vorcaro para financiar um filme sobre o pai. O banqueiro teria repassado R$ 63,7 milhões.
O grupo teme que, sem Mendonça na relatoria do caso, aumentam as chances de vazamentos contra Flávio Bolsonaro. O PL também se preocupa com operações que possam resvalar no escândalo, como é o caso da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme.
A empresa recebeu repasses através de uma emenda parlamentar do deputado Mario Frias (PL-SP). Há uma auditoria sigilosa sobre o recebimento da verba em curso na CGU (Controladoria-Geral da União), sob pedido justamente de Flávio Dino, relator no STF de ações sobre irregularidades na destinação de emendas.
Dessa forma, o PL entende que a crise do STF com o Master ajuda Flávio Bolsonaro a superar o próprio episódio Dark Horse, ao mesmo tempo que gera receio de um possível revide de ministros adversários em outras frentes. Os aliados do senador destacam que o perfil de Moraes não indica que o magistrado ficará acuado após a ofensiva de Mendonça.
Enquanto isso, segundo interlocutores, o presidente Lula entrou em campo para tentar debelar a crise sem precedentes que se instalou na cúpula do Judiciário. A avaliação de assessores foi a de que Mendonça agiu politicamente ao levantar o sigilo parcial do Master às vésperas do primeiro turno e que, assim como aponta o PL, uma disputa sem fim no STF prejudica a campanha do petista.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/pl-vai-explorar-contra-ataque-de-dino-a-mendonca-para-argumentar-que-lula-interfere-em-investigacoes.shtml.

Ministros Flávio Dino e André Mendonça em solenidade no STF - Pedro Ladeira - 22.fev.24/Folhapress · Pedro Ladeira - 22.fev.24/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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