Brasil

    PL anabolizado e STF enfraquecido em eventual governo Flávio eliminariam freios impostos a Bolsonaro

    A eleição de uma robusta bancada do PL no Congresso Nacional e o enfraquecimento do STF (Supremo Tribunal Federal) devem minar, em um eventual governo Flávio Bolsonaro (PL), barreiras que seu pai enfrentou para impor sua agenda ao longo do mandato. Leia mais (10/07/2026 - 13h21)

    Folha de S.Paulo
    7 de outubro de 2026 às 16:21
    PL anabolizado e STF enfraquecido em eventual governo Flávio eliminariam freios impostos a Bolsonaro
    Homem de camisa azul claro no centro grita com expressão intensa, cercado por pessoas que erguem punhos cerrados. Microfones de diferentes emissoras estão à frente, indicando coletiva de imprensa à noite. — Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    A eleição de uma robusta bancada do PL no Congresso Nacional e o enfraquecimento do STF (Supremo Tribunal Federal) devem minar, em um eventual governo Flávio Bolsonaro (PL), barreiras que seu pai enfrentou para impor sua agenda ao longo do mandato.

    O candidato a presidente Flávio Bolsonaro comemora o resultado do primeiro turno durante entrevista à imprensa em Brasília - Gabriela Biló - 04.out.2026/Folhapress · Gabriela Biló - 04.out.2026/Folhapress
    O candidato a presidente Flávio Bolsonaro comemora o resultado do primeiro turno durante entrevista à imprensa em Brasília - Gabriela Biló - 04.out.2026/Folhapress · Gabriela Biló - 04.out.2026/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O senador terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% do presidente Lula ( PT ).

    O PL terá a maior bancada do Senado , com 28 representantes . Há ainda 22 senadores de partidos com tendência a apoiar Flávio, somando 50 cadeiras. Na Câmara, o partido também terá a maior fatia, com 121 eleitos.

    Na gestão de Jair Bolsonaro ( PL ), entre 2019 e 2022, o STF e o Senado serviram como obstáculos contra medidas consideradas autoritárias, levando a embates entre o ex-presidente e os demais Poderes. Em 2018, o partido de Bolsonaro elegeu 52 deputados federais e quatro senadores.

    Flávio Bolsonaro fez ato político de 7 de Setembro na avenida Paulista
    Flávio Bolsonaro fez ato político de 7 de Setembro na avenida Paulista — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Agora, com a onda bolsonarista no Congresso e o STF debilitado, Flávio poderia governar com um sistema deficiente de freios e contrapesos.

    O candidato tem dito defender a democracia e o equilíbrio entre os Poderes e afirma que usará a possível maioria no Congresso para aprovar mudanças na Constituição.

    "O Brasil já me deu um Congresso muito mais à direita do que ele já é hoje. Com maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara. Para a gente mudar a Constituição, para a gente redemocratizar este país , para as instituições voltarem a respeitar a Constituição."

    Flávio Bolsonaro na campanha eleitoral de 2026
    Flávio Bolsonaro na campanha eleitoral de 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Nesta quarta (7), ele afirmou que sua fala se referia a aprovar PECs (propostas de emenda à Constituição) com propostas que tem defendido ao longo da campanha, como redução da maioridade penal, reforma do Judiciário e fim da reeleição para presidente. Abriu espaço para a ampliação do mandato de 4 para 5 anos.

    No primeiro ano da gestão Bolsonaro, o STF barrou, por exemplo, a transferência de competências para demarcação de terras indígenas da Funai (Fundação Nacional do Índio) para o Ministério da Agricultura.

    Em outra ação, o tribunal determinou que o Executivo não poderia extinguir, por meio de decretos, conselhos federais criados por lei. Em mais um exemplo, já no final do governo, o STF suspendeu trechos de decretos presidenciais que flexibilizavam a compra e o porte de armas.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Caso Flávio confirme o favoritismo e chegue ao Planalto, haverá menos espaço para uma atuação similar do STF, que sofre um desgaste pela crise aberta com as revelações de ligações entre ministros e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro , do Banco Master .

    Receba no seu email destaques das campanhas, pesquisas e disputas nos estados

    Além disso, o PL de Flávio conseguiu eleger uma bancada que apoia a abertura de processos de impeachment contra ministros, principalmente Alexandre de Moraes . Como mostrou a Folha , o Senado terá ao menos 49 integrantes pró-impedimento de magistrados.

    Trilili Urna Eletrônica
    Trilili Urna Eletrônica — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Flávio não esconde que a sua agenda no Senado é viabilizar a condenação de ministros, o que exige maioria de 54 entre 81. Diferentemente do pai, porém, o senador passou a reforçar que ele próprio é um defensor da integridade da corte e que os afastamentos seriam necessários para protegê-la.

    O senador tem defendido o impeachment de Moraes, visto como um inimigo do bolsonarismo, de Flávio Dino e de Cristiano Zanin. Os dois últimos foram indicados por Lula.

    Até 2030, caso seja eleito, Flávio também poderá indicar quatro ministros . Serão, portanto, seis os nomes que terão chegado à corte pelas mãos da família Bolsonaro —a maioria entre os 11 ministros. O candidato ainda pode ampliar esse número se houver impeachment de ministros.

    Para as vagas no STF, o candidato do PL já disse que, a exemplo de Bolsonaro, escolheria nomes alinhados à direita, contrários ao aborto e às drogas.

    Integrantes da campanha de Flávio afirmam que, em caso de vitória no dia 25 , já há um plano definido com os primeiros decretos e projetos a serem enviados ao Congresso, mas se recusam a divulgá-lo antes da eleição.

    Mas Flávio já indicou quais seriam algumas de suas primeiras medidas, que incluem o indulto ao pai e o fim da reeleição para a Presidência.

    Coordenador da campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN) afirma que um eventual governo do aliado não vai olhar pelo retrovisor e buscar vinganças, mas não irá se omitir.

    Cientistas políticos e entidades da sociedade civil, porém, manifestam preocupação com a possibilidade de que Flávio aprofunde medidas autoritárias adotadas no governo de seu pai. Eles apontam que, em outros países, a escalada autoritária avançou a partir do segundo mandato.

    Embora Flávio, depois de ter se tornado candidato, tenha se apresentado como representante de um bolsonarismo moderado , ele prometeu, diversas vezes, que receberá a faixa presidencial de seu pai, preso e condenado a mais de 27 anos de prisão pelo STF por tentativa de golpe de Estado.

    Além disso, antes de ter sido ungido pelo pai para concorrer ao cargo, Flávio disse à Folha , em junho do ano passado, que o próximo presidente deveria estar comprometido em fazer valer um indulto para Jair Bolsonaro, mesmo que o Supremo o declarasse inconstitucional. Mencionou o "uso da força" ao falar sobre essa possibilidade.

    Outra diferença em relação à conjuntura encontrada por Bolsonaro é que, se eleito, Flávio estará alinhado ao governo americano de Donald Trump (ao menos até o fim de 2028, com as próximas eleições presidenciais nos Estados Unidos ).

    Em 2022, a gestão Joe Biden deixou claro a autoridades políticas e militares que não apoiaria um golpe no Brasil e fez pressão para que os resultados das urnas fossem respeitados por Bolsonaro, conforme noticiaram veículos estrangeiros.

    A ponte com o governo Trump tem sido construída por meio do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que mora nos Estados Unidos e trabalhou pelo tarifaço contra o Brasil.

    Em vídeo no seu canal no YouTube, Eduardo sugeriu que pode ser ministro das Relações Exteriores caso Flávio se eleja. Também ameaçou retaliar diplomatas que, em sua visão, "sabotaram" o governo de seu pai. O ex-deputado foi condenado pelo STF pelo crime de coação por sua atuação nos EUA.

    Se eleito presidente, Flávio deve trabalhar para que o Congresso aprove, ainda neste ano, uma anistia irrestrita para os condenados pelos atos golpistas do 8 de Janeiro . Sem apoio da cúpula do Congresso, essa proposta bolsonarista só passou no Legislativo após ter sido transformada em redução de penas —que acabou travada no STF.

    Em seu plano de governo, o filho de Bolsonaro prevê ainda restringir a atuação criminal do Supremo , permitindo, por exemplo, que parlamentares sejam julgados por instâncias inferiores. Essa alteração também teria que ser aprovada por meio de uma PEC.

    O programa de governo de Flávio também projeta criar 500 mil novas vagas no sistema prisional e cinco novos presídios de segurança máxima inspirados no modelo de El Salvador . O filho de Bolsonaro já viajou ao país e elogiou o governo de Nayib Bukele , que lidera uma escalada autoritária na nação da América Central.

    A política de segurança de Bukele envolveu julgamentos coletivos e a prisão de milhares de inocentes, violando o devido processo legal, princípio das democracias liberais.

    Flávio também afirmou que uma de suas primeiras medidas será classificar as facções criminosas, como PCC e CV, como terroristas, medida já tomada pelo governo Trump , e criticada por adversários políticos e acadêmicos pela interferência externa no país.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    As principais notícias da semana sobre o cenário jurídico e conteúdos exclusivos

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/10/pl-anabolizado-e-stf-enfraquecido-em-eventual-governo-flavio-eliminariam-freios-impostos-a-bolsonaro.shtml.

    Imagem 1
    1 / 5

    O candidato a presidente Flávio Bolsonaro comemora o resultado do primeiro turno durante entrevista à imprensa em Brasília - Gabriela Biló - 04.out.2026/Folhapress · Gabriela Biló - 04.out.2026/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)