Brasil

    Pisa mostra que Brasil parou no mesmo lugar

    Os novos resultados do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) deveriam provocar no Brasil mais do que preocupação. Deveriam provocar uma mudança de estratégia. Leia mais (09/25/2026 - 08h00)

    Folha de S.Paulo
    25 de setembro de 2026 às 11:00
    Pisa mostra que Brasil parou no mesmo lugar
    Aluno de cabelos castanhos e jaqueta azul escreve com lápis em caderno aberto sobre mesa verde. Estojo transparente com materiais escolares está aberto ao lado. — Foto: Folha de S.Paulo

    Espaço de debate para temas emergentes da agenda socioambiental

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    Sala de aula na Escola Ensino Fundamental Presidente Pedrosa, em Curitiba, com alunos e professora para campanha publicidade de escola - Isabella Mayer/SECOM/ Divulgação - 07.ago.2025 · Isabella Mayer/SECOM/ Divulgação - 07.ago.2025
    Sala de aula na Escola Ensino Fundamental Presidente Pedrosa, em Curitiba, com alunos e professora para campanha publicidade de escola - Isabella Mayer/SECOM/ Divulgação - 07.ago.2025 · Isabella Mayer/SECOM/ Divulgação - 07.ago.2025 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Diretor presidente do Instituto Brasil Solidário

    Os novos resultados do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) deveriam provocar no Brasil mais do que preocupação. Deveriam provocar uma mudança de estratégia.

    O Pisa 2025 mostrou que o estudante brasileiro alcançou 408 pontos em leitura, contra 461 pontos na média dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Mais grave do que a diferença é aquilo que está por trás dela: somente 49% dos jovens de 15 anos atingem ao menos o nível dois de proficiência em leitura , considerado um patamar básico. Na média da OCDE, são 69%. E apenas 1% chega aos níveis mais elevados, contra 6% na OCDE.

    Dinheiro fictício ajuda crianças e jovens a aprender sobre finanças pessoais
    Dinheiro fictício ajuda crianças e jovens a aprender sobre finanças pessoais — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Isso significa que aproximadamente metade dos nossos jovens ainda não demonstra competências mínimas de compreensão e interpretação esperadas pelo Pisa.

    Não estamos falando apenas de saber ler palavras, mas de compreender, utilizar, avaliar e refletir sobre textos. Na verdade, estamos diante de um problema maior do que a alfabetização . Estamos falando da capacidade de compreender o mundo.

    É preciso reconhecer que o Brasil avançou em uma perspectiva histórica mais longa. Segundo o Inep , entre 2006 e 2025 a diferença em leitura entre o país e a média da OCDE caiu de 102 para 58 pontos. Mas reconhecimento não pode virar acomodação.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os resultados de 2025 permaneceram praticamente iguais aos de 2022 e próximos dos níveis observados desde 2015. Depois de uma década, continuamos praticamente no mesmo lugar em leitura.

    Durante muito tempo, tratamos a leitura principalmente como responsabilidade da Língua Portuguesa. Mas um aluno precisa interpretar um problema de matemática, compreender um gráfico, ler um contrato ou tomar uma decisão financeira.

    A leitura atravessa praticamente todas as decisões da vida. Mais do que fazer o aluno ler mais, precisamos criar situações em que ele precise interpretar, discutir e tomar decisões a partir do que lê.

    É nesse ponto que a experiência do IBS com jogos pedagógicos tem mostrado um caminho promissor. Em um jogo, o aluno lê porque precisa daquela informação para agir: compreender uma regra, interpretar uma carta, avaliar alternativas, calcular consequências ou mudar de estratégia.

    Leitura, matemática, argumentação e raciocínio passam a aparecer de forma integrada. O aluno lê para resolver um problema. O jogo não substitui o professor e também não é uma solução mágica. A diferença está na metodologia, na mediação do educador e na intencionalidade.

    E há uma convergência importante entre aquilo que se mede e aquilo que uma boa aprendizagem baseada em jogos pode estimular. O Pisa procura saber se o estudante consegue usar o que aprendeu diante de situações da vida real. Um jogo pedagógico bem construído faz justamente isso ao apresentar escolhas e consequências.

    Isso não significa afirmar que os jogos resolverão o desempenho do brasileiro. Mas metodologias ativas, quando estruturadas e acompanhadas por formação docente, podem fazer parte da resposta. O desafio seguinte é transformar evidência em política pública.

    Experiências bem-sucedidas ainda permanecem restritas a escolas, municípios ou organizações e precisamos levá-las a milhares de escolas, sem perder qualidade, formação docente e acompanhamento.

    E em uma sociedade inundada por informação e desinformação , compreender o que se lê tornou-se uma competência de cidadania. Quem não compreende bem um texto terá mais dificuldade para aprender matemática, interpretar ciência, administrar sua vida financeira , identificar uma notícia falsa, compreender seus direitos e participar plenamente da sociedade.

    Por isso, melhorar a leitura brasileira não é tarefa exclusiva dos professores de português. É tarefa da escola inteira. E talvez seja hora de entendermos que aprender pode envolver também jogar, decidir, experimentar, errar e tentar novamente. Os números mostram onde estamos. As experiências que já apresentam resultados nos mostram os caminhos possíveis.

    O que não podemos aceitar é passar mais dez anos discutindo o problema para, no próximo Pisa, descobrir que continuamos no mesmo lugar.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/papo-de-responsa/2026/09/pisa-mostra-que-brasil-parou-no-mesmo-lugar.shtml.

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    Sala de aula na Escola Ensino Fundamental Presidente Pedrosa, em Curitiba, com alunos e professora para campanha publicidade de escola - Isabella Mayer/SECOM/ Divulgação - 07.ago.2025 · Isabella Mayer/SECOM/ Divulgação - 07.ago.2025 — Foto: Folha de S.Paulo

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