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    PIB do 2º tri confirma desaceleração da economia brasileira, diz economista

    Crescimento de 0,5% ficou acima das expectativas, mas composição dos dados revela desaquecimento em setores sensíveis aos juros

    CNN Brasil
    1 de setembro de 2026 às 13:48
    PIB do 2º tri confirma desaceleração da economia brasileira, diz economista
    Foto: CNN Brasil

    A economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores, segundo dados do PIB (Produto Interno Bruto) divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira (1º).

    O resultado, embora ligeiramente acima das expectativas do mercado, que giravam em torno de 0,3% a 0,4%, confirma um movimento de desaceleração da atividade econômica no país .

    Para Juliana Trece, economista e coordenadora de contas nacionais do FGV Ibre, o dado reflete claramente esse processo de desaquecimento.

    Itália: PIB cresce 0,2% no 2º trimestre ante os três meses anteriores
    Itália: PIB cresce 0,2% no 2º trimestre ante os três meses anteriores — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    "Por mais que o PIB tenha vindo 0,5%, um pouquinho acima das expectativas, ainda assim confirma essa desaceleração. Quando a gente olha a composição do PIB, isso fica bastante evidente", afirmou.

    Um dos pontos que mais chamou a atenção de Juliana Trece no resultado foi a retração do consumo das famílias no segundo trimestre, componente que historicamente tem apresentado crescimento resiliente.

    Segundo a economista, esse recuo indica que as condições financeiras podem estar afetando diretamente esse segmento.

    IBGE: Consumo das famílias cai 0,4% no 2º trimestre de 2026
    IBGE: Consumo das famílias cai 0,4% no 2º trimestre de 2026 — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    "O consumo das famílias mostrou essa queda agora, no segundo trimestre, em comparação ao primeiro, o que mostra que as condições financeiras podem estar afetando realmente esse componente e já mostra um movimento de desaquecimento", explicou.

    Apesar de setores como a agropecuária e a indústria extrativa ainda apresentarem desempenho positivo — por serem menos sensíveis ao ciclo de juros elevados —, Juliana Trece destacou que segmentos mais dependentes do crédito, como a indústria de transformação, a construção civil e o próprio consumo das famílias, já demonstram sinais evidentes de enfraquecimento.

    Questionada sobre possíveis revisões nas projeções para a taxa Selic, Juliana Trece ponderou que o Banco Central levará em conta não apenas os dados do PIB, mas também as expectativas de inflação.

    PIB: economia brasileira cresce 0,5% no 2º trimestre de 2026, aponta IBGE
    PIB: economia brasileira cresce 0,5% no 2º trimestre de 2026, aponta IBGE — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A economista alertou para o risco de pressão inflacionária no segundo semestre, especialmente em razão dos possíveis impactos do El Niño sobre os preços dos alimentos.

    "O Banco Central vai olhar com certeza esses dados do PIB, mas vai olhar também outras questões que podem mudar a expectativa de inflação para aí sim tomar a decisão do ritmo do corte de juros", disse.

    Ela acrescentou que, embora o ciclo de cortes de juros deva se manter, a magnitude dos próximos movimentos ainda é incerta.

    PIB: economia brasileira cresce 0,5% no 2º trimestre de 2026, aponta IBGE
    PIB: economia brasileira cresce 0,5% no 2º trimestre de 2026, aponta IBGE — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O aumento do preço do petróleo também foi citado como fator de risco, uma vez que pode encarecer o transporte e insumos como o plástico, gerando pressão inflacionária indireta e levando o Banco Central a adotar uma postura mais cautelosa.

    O consumo do governo cresceu 3,1% em 12 meses, ante 0,5% do consumo das famílias no mesmo período. Juliana Trece, porém, relativizou a comparação, lembrando que o peso do consumo das famílias no PIB brasileiro chega a cerca de 60%, enquanto o consumo governamental representa em torno de 20%.

    "Em termos de peso, a relevância do consumo das famílias acaba sendo maior", pontuou.

    IBGE: Consumo das famílias cai 0,4% no 2º trimestre de 2026
    IBGE: Consumo das famílias cai 0,4% no 2º trimestre de 2026 — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A economista reconheceu, no entanto, que, por ser 2026 um ano eleitoral, pode haver algum estímulo via gastos públicos que esteja amortecendo parcialmente a desaceleração.

    No setor externo, as exportações de bens e serviços avançaram 8%, impulsionadas pelo petróleo e pela soja, enquanto as importações cresceram 2,1%, influenciadas principalmente pela demanda crescente por veículos elétricos.

    Juliana Trece destacou que a alta produção de petróleo no país, combinada com a demanda global aquecida, favoreceu as exportações.

    Itália: PIB cresce 0,2% no 2º trimestre ante os três meses anteriores
    Itália: PIB cresce 0,2% no 2º trimestre ante os três meses anteriores — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Já no setor de serviços, o destaque ficou com informação e comunicação, que avançou 7,5%, segmento que, segundo a economista, tem apresentado crescimento consistente desde a pandemia e é pouco sensível ao nível dos juros.

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/pib-do-2o-tri-confirma-desaceleracao-da-economia-brasileira-diz-economista/.

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