PIB de 0,5% frustra Fazenda, que estimava alta de 0,8%
Ministério aponta contribuição nula da demanda doméstica e diz que projeção de 2,3% para 2026 está "em revisão"

Ministério aponta contribuição nula da demanda doméstica e diz que projeção de 2,3% para 2026 está “em revisão”
O crescimento de 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto) no 2º trimestre de 2026 ficou abaixo da projeção de 0,8% da SPE (Secretaria de Política Econômica) do Ministério da Fazenda. A análise do governo aponta que os efeitos da política monetária restritiva continuam limitando a demanda doméstica e os setores mais sensíveis ao ciclo econômico, em um ambiente de endividamento elevado.
A avaliação consta de nota informativa elaborada pela SPE e divulgada nesta 3ª feira (1º.set.2026). Eis a íntegra (PDF – 364 kB).

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O resultado do trimestre ficou levemente acima da mediana das previsões do mercado, de 0,4%, mas abaixo da estimativa de 0,8% do governo. Na comparação com o mesmo período de 2025, o PIB cresceu 2,0%, ante projeção de 2,4% da Fazenda.
A contribuição da absorção doméstica para o crescimento foi nula no período de abril a junho, segundo a SPE. O resultado foi composto por desempenhos distintos entre os setores e componentes da economia:

A SPE afirma que o quadro é consistente com os efeitos ainda predominantes da política monetária restritiva sobre a absorção doméstica e os setores mais cíclicos, especialmente indústria de transformação, construção e comércio. A nota também relaciona a desaceleração do consumo às restrições de crédito.
O documento calcula carrego estatístico de 1,7% para 2026. Isso significa que, caso a atividade fique estagnada nos próximos trimestres, o crescimento acumulado do ano seria de 1,7%. No 1º semestre, o PIB acumula alta de 1,9% ante igual período de 2025.
A projeção atual da SPE para o PIB de 2026 é de 2,3% e está em revisão para o próximo Boletim Macrofiscal, com viés de baixa. Segundo o documento, a expectativa é de continuidade da desaceleração no 3º trimestre, seguida de retomada gradual no 4º trimestre, à medida que a flexibilização monetária tenha efeito sobre os componentes mais cíclicos da economia.
O Brasil ficou na 8ª posição entre os países do G20 que já divulgaram o PIB do 2º trimestre, segundo a Fazenda:
A União Europeia também registrou alta de 0,5%, mas aparece separadamente no comparativo da Fazenda e não deve ser tratada como um dos países do G20. O pior resultado entre os países listados foi o da Arábia Saudita, com retração de 4,9%.
Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-economia/pib-de-05-frustra-fazenda-que-estimava-alta-de-08/.

Ministério da Fazenda divulgou relatório sobre a atividade econômica brasileira nesta 3ª feira (1º.set.2026) — Foto: Poder360
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