Política

    PF vê Mendonça mais disposto a investigar Moraes do que Toffoli

    Informação consta em relatório citado por Moraes em pedido a Fachin para incluir relator do Master inquérito das fake news

    Poder360
    4 de setembro de 2026 às 02:18
    PF vê Mendonça mais disposto a investigar Moraes do que Toffoli
    Foto: Poder360

    Informação consta em relatório citado por Moraes em pedido a Fachin para incluir relator do Master inquérito das fake news

    Um relatório de inteligência da Polícia Federal indicou que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal , demonstrou interesse em abrir uma investigação contra o colega Alexandre de Moraes, mas adotou uma postura mais amena diante de elementos relacionados a Dias Toffoli. O documento cita também um comportamento “ defensivo ” em relação a Kássio Nunes Marques.

    O relatório foi elaborado reservadamente por integrantes da PF para analisar a atuação de Mendonça na supervisão das operações Sem Desconto e Compliance Zero , que apuram irregularidades relacionadas aos escândalos do Banco Master e do INSS.

    Antes do confronto público entre os ministros, integrantes da PF já produziam, paralelamente aos autos, relatórios de inteligência sobre a atuação de Mendonça
    Antes do confronto público entre os ministros, integrantes da PF já produziam, paralelamente aos autos, relatórios de inteligência sobre a atuação de Mendonça — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    A elaboração do documento se deu em paralelo ao andamento dos processos judiciais. Acabou nas mãos de Moraes depois de ele próprio determinar o envio dos documentos ao seu gabinete, por meio do inquérito 4.781, conhecido como inquérito das fake news. O ministro retirou o sigilo dos documentos.

    Segundo a análise da PF, Mendonça teria adotado disposições diferentes diante de autoridades mencionadas nas investigações, apesar da “ similaridade de estágios e de elementos ”. Em relação a Moraes, o ministro teria pedido mais de uma vez que a equipe policial apresentasse uma provocação para permitir o início de uma investigação formal. Quanto a Toffoli, teria relativizado as informações já enviadas pela PF ao Supremo.

    “ Quanto ao Ministro Alexandre de Moraes, o discurso do relator denota interesse no início de investigação formal quanto a ele, tendo solicitado mais de uma vez que a equipe de investigação encaminhasse alguma provocação a ele nesse sentido. Já quanto ao Ministro Dias Toffoli, há contemporização da parte do relator, apesar dos graves elementos de prova já encaminhados pela Polícia Federal ao STF ”, diz o documento.

    André Mendonça e Alexandre de Moraes
    André Mendonça e Alexandre de Moraes — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    No caso de Nunes Marques, a PF classifica a postura de Mendonça como “ abertamente defensiva”. O relatório relata episódio em que o ministro “ teria sugerido ” a agentes da PF que eventuais imputações feitas contra Nunes Marques pela imprensa seriam, na verdade, uma tentativa de enfraquecer ele próprio.

    Esse trecho do documento, contudo, é classificado pela PF como um elemento de “ baixa confiança ” e uma hipótese sob observação. O relatório explica que é uma constatação baseada integralmente em relatos e que não dispõe de uma comparação documental entre as providências adotadas em relação a cada ministro.

    Moraes incorporou o argumento da assimetria ao pedido apresentado nesta 5ª feira (3.set.2026) para incluir André Mendonça no inquérito das fake news. Na decisão, destacou o trecho em que o relatório atribui ao colega interesse em investigá-lo e ressaltou a avaliação de que o relator dos casos Master e INSS teria adotado posturas diferentes em relação a Moraes, Dias Toffoli e Kássio Nunes Marques.

    “ Há, portanto, a presença de fortes indícios da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade pelo Ministro André Mendonça, com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos ”, afirmou Moraes.

    Antes do confronto público entre os ministros, integrantes da PF já produziam, paralelamente aos autos, relatórios de inteligência sobre a atuação de Mendonça. Os documentos foram elaborados depois de policiais considerarem suspeitas ou atípicas determinadas intervenções do relator nas operações Sem Desconto e Compliance Zero. Entre elas, estavam a exigência de acesso aos dados brutos apreendidos, o controle sobre a composição das equipes e a participação nas tratativas de colaboração premiada. Os relatórios afirmavam não ter caráter acusatório nem valor probatório.

    Na 3ª feira (1º.set.2026), Mendonça retirou o sigilo de informações da Compliance Zero que apontavam contatos entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Depois da decisão, Moraes afirmou ter recebido notícias sobre a existência dos relatórios internos e, usando o inquérito das fake news, determinou que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, enviasse imediatamente os documentos ao seu gabinete.

    A PF encaminhou os relatórios por meio do ofício 40 de 2026. Na 5ª feira (3.set), Moraes adotou as conclusões como fundamento de uma decisão judicial e afirmou haver “ fortes indícios ” contra Mendonça. Com isso, deu consequência jurídica a documentos que haviam sido elaborados para uso interno e se declaravam sem valor probatório. Moraes não abriu diretamente uma investigação contra o colega: enviou o material ao presidente do STF, Edson Fachin, “ para as providências que entender necessárias ”, e levantou o sigilo da decisão e dos relatórios.

    O inquérito das fake news ( inquérito 4.781 ) foi aberto pelo STF em 14 de março de 2019 por determinação direta do então presidente da Corte, Dias Toffoli. Ele nomeou de ofício como relator o ministro Alexandre de Moraes. Os 2 ministros foram colegas de turma no curso de direito na Universidade de São Paulo.

    A medida de Toffoli foi um ato incomum. Investigações são uma atribuição de policiais e integrantes do Ministério Público. Quando há um novo processo no Supremo, o relator é sorteado de forma aleatória por um sistema eletrônico. Outra peculiaridade é que o inquérito continua aberto até hoje e em sigilo. Também não tem prazo para ser encerrado. O ministro decano (mais antigo) do STF, Gilmar Mendes, declarou em abril de 2026 , de forma explícita, que o inquérito das fake news é um instrumento que a Corte usa quando entende ser necessário se defender de críticas: “Tenho a impressão de que o inquérito continua necessário e vai acabar quando terminar. É preciso que isso seja dito em alto e bom som. O Tribunal vem sendo vilipendiado. […] Foi um momento importante abrir o inquérito e mantê-lo até as eleições” .

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-justica/pf-ve-mendonca-mais-disposto-a-investigar-moraes-do-que-toffoli/.

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    Antes do confronto público entre os ministros, integrantes da PF já produziam, paralelamente aos autos, relatórios de inteligência sobre a atuação de Mendonça — Foto: Poder360

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