PF investiga produtora de 'Dark Horse' e Mario Frias por suspeita de fraude e organização criminosa
OUTRO LADO: Nas redes, deputado diz que ação é

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A Polícia Federal apura se o deputado federal Mario Frias ( PL ) e a dona da produtora que fez o filme " Dark Horse ", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Karina Ferreira da Gama, praticaram os crimes de desvio de recursos públicos federais, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Também são investigadas as práticas de fraude em procedimentos de contratação e falsidade documental devido à movimentação de valores expressivos e à utilização de múltiplas pessoas jurídicas.
As informações estão na decisão do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou uma operação nesta quinta-feira (10) na qual os dois foram alvos.
A apuração teve como base movimentações financeiras do ICB (Instituto Conhecer Brasil), ONG que também é presidida por Karina Gama.

Há a suspeita de que os R$ 750 mil repassados à produtora Go Up Entertainment para a realização do filme teriam como origem dinheiro público recebido de emendas parlamentares de Frias .
No documento, a PF aponta que, de abril de 2024 a julho de 2026, Frias e Karina teriam operado para o desvio de recursos públicos federais repassados ao ICB em proveito próprio ou de terceiros, por intermédio de emendas parlamentares, em Brasília, São Paulo e Pirassununga (SP).
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O esquema teria sido feito, segundo as investigações, mediante contratações com indícios de simulação, pagamentos sem comprovação da efetiva contraprestação dos serviços contratados e utilização de fornecedores com vínculos pessoais, políticos ou comerciais com o núcleo investigado.
O grupo também teria apresentado documentos para justificar a aplicação dos recursos em desacordo com as finalidades pactuadas nos termos da aplicação das emendas parlamentares.
Os dois, segundo a PF, também podem ter feito contratações custeadas com recursos públicos, sem observar requisitos legais, com a seleção de fornecedores previamente definidos e sem adequada comprovação da vantagem das contratações, "favorecendo interesses particulares em detrimento dos princípios da administração pública".

Karina, representantes de empresas e outros indivíduos não identificados pela polícia, ainda são investigados por supostamente terem falsificado contratos, orçamentos e demais documentos particulares relacionados à execução da emenda, segundo as investigações.
A PF afirma, porém, que já identificou a existência de uma sofisticada estrutura financeira e operacional destinada à circulação de recursos entre entidades, empresas e pessoas físicas vinculadas ao núcleo investigado.
Há também notícias, segundo a polícia, da utilização de empresas sediadas no exterior no esquema, como é o caso da Go Up Entertainment LLC.
De acordo com a decisão de Dino, a Go Up pagou no período de filmagens, de 20 de outubro a 7 de dezembro de 2025, R$ 906,7 mil a um hotel e outros R$ 653 mil a uma empresa de alimentação.
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente, sempre afirmou que não foram utilizados recursos públicos no filme. Ele não é investigado neste inquérito, mas sim em outra apuração sobre o "Dark Horse" que está sob relatoria de André Mendonça .
A defesa de Frias não foi localizada . Em suas redes sociais, o deputado publicou um vídeo criticando a operação. Ele chamou a ação de "cortina de fumaça", ressaltou não haver mandado de prisão contra ele e disse que o processo não tem fundamento.
Já o advogado de Karina, Ricardo Sayeg, disse que apresentou um recurso, chamado de reclamação constitucional, na presidência do STF e que a medida não discute o mérito da investigação.
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Também afirmou que a sua cliente estava contribuindo espontânea e voluntariamente e atendeu, na última sexta-feira, à solicitação da Polícia Federal e "entregou mais de 20 mil laudas de documentos, o que prova sua boa-fé e lealdade processual".
"Entretanto, nossa defesa técnica insiste em assegurar a autoridade das decisões da presidência do STF e a competência do juiz natural. Acreditamos em nossas instituições e confia-se na Suprema Corte para a plena garantia do devido processo legal", disse.
À coluna Mônica Bergamo Karina negou irregularidades , disse que se sente ameaçada e que, se for presa, não tem o que delatar.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/pf-investiga-produtora-de-dark-horse-e-mario-frias-por-suspeita-de-fraude-e-organizacao-criminosa.shtml.

O deputado federal Mário Frias (PL-SP) durante homenagem na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) - Rafaela Araújo- 5.dez.25/Folhapress · Rafaela Araújo- 5.dez.25/Folhapress — Foto: UOL
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