PF diz que “Mineiro” montou estrutura para dinheiro ilícito do Master
Entre Investimentos foi usada para enviar recursos a fundo nos EUA ligado a pessoas próximas de Eduardo Bolsonaro

Entre Investimentos foi usada para enviar recursos a fundo nos EUA ligado a pessoas próximas de Eduardo Bolsonaro
A Polícia Federal afirma que Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro” , arquitetou uma estrutura empresarial para operar parte do fluxo financeiro ilícito oriundo do Banco Master. A informação consta na representação da PF no inquérito 5070, liberada nesta 6ª feira (11.set.2026) depois de o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, retirar o sigilo de procedimentos relacionados ao caso Master .
“Mineiro” fechou um acordo de colaboração premiada homologado em 9 de setembro pelo ministro André Mendonça, do STF, depois de firmado com a Procuradoria Geral da República.

A estrutura, de acordo com a corporação, envolvia principalmente a Entre Investimentos e Participações Ltda., a Entrepay Instituição de Pagamentos S.A. ( liquidada pelo Banco Central ) e a Cactus Assessoria e Serviços Ltda. A análise teve como base o RIF (Relatório de Inteligência Financeira) 144413, do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), além de dados extraídos de dispositivos de Daniel Vorcaro, fundador do Master.
O RIF reuniu 168 comunicações de operações suspeitas envolvendo direta ou indiretamente os principais envolvidos. As transações analisadas foram feitas de 24 de janeiro de 2019 a 24 de maio de 2026. O documento foi produzido depois de o Coaf identificar indícios de lavagem de dinheiro ou de outros crimes relacionados.
A Entre Investimentos, de propriedade de Freixo, aparece também no fluxo financeiro relacionado ao financiamento do filme “ Dark Horse” , sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo a PF, a empresa foi usada como veículo para enviar recursos ao Havengate Development Fund LP, nos Estados Unidos. O fundo era administrado por uma empresa ligada a Altieres Santana e a Paulo Sergio Camin Calixto, apontado pela PF como advogado de Eduardo Bolsonaro (PL).

O documento cita ainda que o Banco Master teria investido cerca de R$ 614 milhões em empresas do Grupo Entre, de Freixo. Para a corporação, a escolha da Entre como veículo das remessas internacionais “não se deu de forma aleatória ou impessoal” . Em uma conversa com Fabiano Zettel, Vorcaro orientou que um pagamento destinado ao filme fosse feito “via entre” . A mensagem é citada pela PF na análise do fluxo financeiro relacionado à produção.
No caso de “ Dark Horse” , a PF identificou remessas da Entre Investimentos para o Havengate que somaram US$ 12,3 milhões em 2025. O contrato de financiamento da produção previa US$ 24 milhões, e os valores enviados eram praticamente correspondentes às parcelas previstas no acordo.
O Relatório de Inteligência Financeira do Coaf diz que Freixo era chamado de “pioneiro nas Bahamas” por estruturas offshore que teria montado no país. Em 2 de dezembro de 2025, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) rejeitou uma proposta de Termo de Compromisso apresentada por Freixo, pela Entre Investimentos, pelo Banco Master e por Daniel Vorcaro.
O Havengate havia sido criado para um projeto imobiliário no Texas que não saiu do papel e recebeu a 1ª remessa relacionada ao filme, de US$ 2 milhões, em fevereiro de 2025. A PF afirma que a estrutura do fundo envolvia Altieres Santana e Paulo Sergio Camin Calixto, advogado apontado pela corporação como ligado a Eduardo Bolsonaro.
A PF pede o aprofundamento da investigação para esclarecer a origem dos recursos, o trânsito e a destinação dos valores e os beneficiários finais. A corporação também quer esclarecer o papel de Freixo, Flávio Bolsonaro (PL), Eduardo Bolsonaro, Mario Frias (PL) e outros envolvidos na estruturação, cobrança, execução e destinação dos aportes.
O Poder360 procurou Eduardo Bolsonaro e a assessoria de imprensa de Mario Frias, por meio de aplicativo de mensagem, além de Flávio Bolsonaro, por meio de e-mail, para perguntar se gostariam de se manifestar a respeito do inquérito da Polícia Federal. A Entre Investimentos também foi procurada, por e-mail, para localizar Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, e solicitar uma manifestação sobre o caso. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-justica/pf-diz-que-mineiro-montou-estrutura-para-dinheiro-ilicito-do-master/.

Antonio Carlos Freixo Júnior (foto), o “Mineiro”, fechou um acordo de colaboração premiada com a PGR, homologado em 9 de setembro pelo ministro André Mendonça, do STF — Foto: Poder360
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