Política

    PF diz que Discord não atuava de forma preventiva diante de crimes

    AGU ingressou com ação civil e pede à plataforma R$ 500 milhões por dano moral coletivo

    Poder360
    26 de agosto de 2026 às 20:43
    PF diz que Discord não atuava de forma preventiva diante de crimes
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    AGU ingressou com ação civil e pede à plataforma R$ 500 milhões por dano moral coletivo

    O diretor de Combate a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal , Otávio Margonari Russo , afirmou, nesta 4ª feira (26.ago.2026), que o caso Lívia não foi um episódio isolado e que a plataforma Discord não adotava postura preventiva diante de crimes envolvendo crianças e adolescentes.

    A declaração veio durante entrevista a jornalistas em que o Ministério da Justiça e Segurança Pública anunciou as medidas judiciais movidas pelo governo federal contra a plataforma, depois da morte de uma menina de 13 anos em Naviraí (MS), em 22 de julho.

    Segundo diretor de Combate a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal, Otávio Margonari Russo, o Discod responde no âmbito repressivo, porém sem grande eficiência
    Segundo diretor de Combate a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal, Otávio Margonari Russo, o Discod responde no âmbito repressivo, porém sem grande eficiência — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    “Caso Lívia em si não foi um caso isolado. Na verdade é corriqueiro este tipo de coisa” , afirmou o diretor.

    Ele destacou a experiência com casos de abuso sexual infanto-juvenil e ressaltou: “O que a gente tem visto hoje em dia, especialmente nessa plataforma, é muito mais difícil do que a gente vinha vendo antes.”

    Segundo Russo, a plataforma responde de forma repressiva, porém sem grande eficiência, pois depois que grupos são derrubados por crimes, logo ressurgem com os mesmos integrantes e com nome similar.

    Discord é uma plataforma social de mensagens instantâneas, criada em 2015 nos Estados Unidos, com maior popularidade entre jovens e jogadores de games on-line
    Discord é uma plataforma social de mensagens instantâneas, criada em 2015 nos Estados Unidos, com maior popularidade entre jovens e jogadores de games on-line — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    O caso ganhou destaque depois da morte de uma menina de 13 anos em Naviraí (MS), em 22 de julho. Segundo a Polícia Civil e o Ministério da Justiça e Segurança Pública, ela foi induzida a cometer suicídio durante uma transmissão na plataforma.

    A investigação cumpriu mandados contra 6 suspeitos e identificou o uso do Discord e do Telegram para recrutar vítimas, disseminar discursos de ódio e incentivar comportamentos violentos.

    O próprio Discord disse ao Ministério da Justiça uma falha no sistema de segurança durante o episódio. A transmissão começou às 2h20, mas a 1ª comunicação sobre risco iminente de morte ou lesão corporal grave só foi emitida às 3h50. O servidor foi retirado do ar às 4h15.

    A ANPD afirmou ter identificado “evidências robustas” de que a plataforma não adotou medidas razoáveis para reduzir riscos de exposição de menores a práticas relacionadas à violência, automutilação e suicídio.

    A agência sinalizou ainda uma dificuldade técnica: o Discord não tem acesso ao conteúdo das transmissões de vídeo enquanto estão no ar, o que impede a análise audiovisual em tempo real. A plataforma depende de mecanismos automatizados e de denúncias feitas pelos próprios participantes para identificar violações.

    Na 6ª feira (14.ago), a empresa enviou um ofício à ANPD solicitando prazo adicional de pelo menos 15 dias úteis para cumprir a determinação, prorrogáveis pelo mesmo período para comprovar a adoção das medidas. O Discord pediu também a revogação da determinação, alegando precisar de mais tempo para desenvolver soluções técnicas que suspendam as transmissões ao vivo para usuários no Brasil e impeçam que eles contornem as restrições.

    Em 24 de agosto, exatamente uma semana depois de cumprir a determinação da ANPD e suspender as transmissões ao vivo no Brasil, o Discord recorreu contra a medida. A empresa alegou falta de competência da ANPD para aplicar a restrição, além de vícios formais no processo e punição “desproporcional”.

    Desde então, a plataforma negocia com o governo federal a assinatura de um TAC (termo de ajustamento de conduta) para adequar funcionalidades às regras do Brasil, encerrar investigações e evitar novas punições à plataforma.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-justica/pf-diz-que-discord-nao-atuava-de-forma-preventiva-diante-de-crimes/.

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    Segundo diretor de Combate a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal, Otávio Margonari Russo, o Discod responde no âmbito repressivo, porém sem grande eficiência — Foto: Poder360

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