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    PF apura corrupção, coação e obstrução na cúpula política do Maranhão

    Documentos revelam apurações que envolvem integrantes da família Brandão e estrutura descrita pela PF como ecossistema empresarial criminoso

    Metrópoles
    14 de agosto de 2026 às 15:36
    PF apura corrupção, coação e obstrução na cúpula política do Maranhão
    Foto: Metrópoles

    Decisões que tiveram o sigilo retirado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF) , revelam investigações sobre suspeitas de corrupção, desvios de emendas parlamentares, coação de testemunhas e obstrução de Justiça envolvendo integrantes da cúpula política do Maranhão.

    Nos documentos, a Polícia Federal (PF) descreve a estrutura investigada como um “ecossistema empresarial criminoso” e aponta ações destinadas a impedir o avanço das apurações.

    O ex-secretário Raimundo Cutrim, alvo da PF em uma operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, é apontado pelos investigadores como coordenador de um núcleo de contrainteligência que teria pago subornos para garantir o silêncio sobre o assassinato do empresário João Bosco, ocorrido em 2022.

    Vinícius Schmidt/Metrópoles
    Vinícius Schmidt/Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Conforme mostrou a coluna, Cutrim teria usado a experiência como delegado aposentado para atuar na coação de testemunhas, em tentativas de suborno e em fraudes processuais.

    A PF afirma que o objetivo das manobras era garantir o “silêncio absoluto” sobre a suposta participação de agentes públicos e integrantes da família Brandão em crimes que incluem corrupção e um homicídio ocorrido em 2022.

    Os investigadores apontam que Cutrim teria repassado cerca de R$ 160 mil em espécie a familiares de investigados presos . Segundo a PF, ele atuava como interlocutor estratégico da família Brandão para evitar que investigados firmassem acordos de colaboração com o STF.

    Prédio-sede da Polícia Federal em Brasília - Metrópoles
    Prédio-sede da Polícia Federal em Brasília - Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Em áudios obtidos pela PF, o ex-delegado aparece instruindo familiares a construir uma versão de “estado de necessidade” para justificar mudanças em depoimentos e, segundo os investigadores, isentar Daniel Brandão, atual presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA), de qualquer participação no homicídio do empresário João Bosco, em 2022.

    De acordo com a PF, há elementos de que Cutrim atuou para que Gilbson Júnior, apontado como responsável pela morte de Bosco, e a esposa dele alterassem versões apresentadas em depoimentos.

    A investigação aponta ainda encontros entre Cutrim e o pai de Gilbson que teriam como objetivo afastar a participação do conselheiro do TCE-MA no caso. Gilbson está preso na Penitenciária Federal de Brasília.

    Daniel Brandão é sobrinho do governador do Maranhão, Carlos Brandão. Segundo a PF, o conselheiro estaria presente na reunião que resultou no assassinato de Bosco, mas seu nome teria sido omitido das investigações conduzidas pela Polícia Civil do Maranhão, que concluiu o inquérito tratando o episódio como uma briga privada.

    Além do conselheiro, a PF aponta que o grupo teria contado com o apoio financeiro de Marcus Brandão, irmão do governador. Segundo os investigadores, ele seria a origem de parte dos recursos em espécie movimentados por Cutrim.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/colunas/manoela-alcantara/pf-apura-corrupcao-coacao-e-obstrucao-na-cupula-politica-do-maranhao.

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