Petróleo dispara quase 5% e ultrapassa US$ 105 após novos ataques de houthis
O preço do petróleo disparou mais de 4% e ultrapassou US$ 105 pela primeira vez desde maio após os houthis, grupo do Iêmen aliado do Irã , anunciarem que tomaram o controle da cidade de Mocha, importante zona portuária do país e que serve de alternativa para o escoamento do petróleo vindo da Arábia Saudita . Leia mais (09/10/2026 - 10h28)

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O preço do petróleo disparou mais de 4% e ultrapassou US$ 105 pela primeira vez desde maio após os houthis, grupo do Iêmen aliado do Irã , anunciarem que tomaram o controle da cidade de Mocha, importante zona portuária do país e que serve de alternativa para o escoamento do petróleo vindo da Arábia Saudita .

O barril Brent, referência mundial, alcançou US$ 105,84 (R$ 542,38) por volta das 9h30 (horário de Brasília) em uma subida de 4,57% em relação ao fechamento de quarta-feira (9). A disparada ocorreu depois que os houthis divulgaram que estenderam também o domínio no estreito de Bab el-Mandeb, que liga ao Mar Vermelho ao Oceano Índico e era usado como alternativa para navios da Arábia Saudita transportarem petróleo.
Nos últimos dias, o grupo aumentou a ofensiva sobre cidades sauditas e diz que agora bloqueou a opção usada no lugar do estreito de Hormuz, que está com o tráfego interrompido desde o início da guerra em 28 de fevereiro e por onde passava 20% da produção mundial de petróleo e gás.
A situação levou o preço do petróleo a disparar a partir das 8h30, quando foram divulgadas as primeiras informações dos houthis. Até então, o contrato de novembro era negociado na casa dos US$ 102. Com a forte alta, o Brent chegou ao seu maior valor desde 20 de maio, quando estava em US$ 106,92.

O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, superou a casa dos três dígitos e estava em US$ 100,16 (R$ 513,27), alta de 4,28%, por volta das 10h.
A ação dos houthis nesta quinta foi uma resposta às declarações do presidente dos EUA, Donald Trump , nessa quarta-feira (9) que disse que esperava que a guerra terminasse após as eleições de meio de mandato , marcadas para novembro.
Os houthis entraram na atual guerra ao lado do Irã com um ataque a Israel em 28 de março, mas permaneceram em grande parte inativos antes de declarar um bloqueio naval contra a Arábia Saudita em julho e intensificar, em setembro, os ataques ao sul do reino.

Nesta quinta-feira, as autoridades sauditas de Defesa Civil emitiram alertas de emergência na cidade de Khamis Mushait, no sudoeste do país, pela quarta vez em 24 horas, em meio aos ataques dos houthis.
O Paquistão transmitiu ao Irã uma advertência saudita para que contenha seus aliados houthis no Iêmen, em uma tentativa de impedir que a crise saia de controle, disseram pessoas ligadas aos governos sauditas, paquistanesas e iranianas.
Uma autoridade iraniana de alto escalão confirmou que o Paquistão transmitiu a mensagem a Teerã na terça-feira e que a resposta foi que "o Irã não controla os houthis".
O estreito de Bab el-Mandeb, ou Portão das Lágrimas, assim chamado por suas perigosas condições de navegação, fica entre o Iêmen, na Península Arábica, e Djibuti e Eritreia, na costa africana, o que o torna um alvo estratégico de grande valor para os houthis, que controlam as áreas mais populosas do Iêmen e grande parte do norte do país.
É uma das rotas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo bruto e combustíveis do Golfo com destino ao Mediterrâneo, pelo Canal de Suez ou pelo oleoduto Suez-Mediterrâneo, na costa egípcia do Mar Vermelho, além de mercadorias destinadas à Ásia, incluindo petróleo russo.
As forças do governo iemenita e seus aliados estão se deslocando para o sul ao longo da costa do Mar Vermelho, em direção a Dhubab, localizada diretamente às margens do estreito, em frente à ilha de Perim, disseram fontes militares do governo. Segundo elas, controlar Dhubab e a ilha é fundamental para assumir o domínio do estreito.
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Outro fator que ajudou na alta do petróleo nesta quinta foi a paralisação das atividades da refinaria de petróleo de Ryazan, pertencente à russa Rosneft, após um ataque de drones sofrido no último domingo (6), disseram duas pessoas do setor à agência de notícias Reuters nesta quinta-feira.
A principal unidade da refinaria, a CDU-6, e também a unidade CDU-4 foram paralisadas após o ataque. Os dois locais afetados são responsáveis por quase a metade da capacidade da refinaria e processam cerca de 12 milhões de toneladas de petróleo por ano, ou cerca de 240 mil barris por dia.
A Ucrânia mantém os ataques à infraestrutura energética russa numa tentativa de enfraquecer a economia do país, enquanto a guerra já se arrasta há mais de quatro anos e meio.
O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que os ataques tinham como objetivo semear a discórdia dentro da Rússia.
A Rosneft não respondeu a um pedido de comentário sobre o ataque à refinaria, localizada cerca de 200 quilômetros (124 milhas) a sudeste de Moscou.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/petroleo-dispara-quase-5-e-ultrapassa-us-105-apos-novos-ataques-de-houthis.shtml.

Navio-cargueiro Tihamah é danificado após ataques no Iêmen - Divulgação/Ministério do Transporte do Iêmen/via Reuters · Divulgação/Ministério do Transporte do Iêmen/via Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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