‘Petróleo chique’ na Foz do Amazonas: entenda e saiba por que é tão valorizado
Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro 11/03/2022 REUTERS/Pilar Olivares " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/03/2026-03-25T223336Z_1_LYNXMPEM2O1E2_RTROPTP_4_BRAZIL-FUEL-PETROBRAS-INVESTORS.jpg?fit=1280%2C853&quality=70&strip=all" />Primeiras análises de amostras do poço Morpho indicam óleo com grau API entre 35 e 40, semelhante ao produzido na Guiana; resultado final deve sair nas próximas semanas The post ‘Petróleo chique’ na Foz do Amazonas: entenda e saiba por que é tão valorizado appeared first on InfoMoney .

O petróleo encontrado pela Petrobras ( PETR4 ) na Bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá, pode ter uma característica que aumenta seu potencial comercial: ser um óleo leve. As primeiras análises das amostras retiradas do poço Morpho indicam um grau API entre 35 e 40, segundo uma fonte do setor com conhecimento dos testes realizados pela estatal. Quanto maior o API, mais leve é o petróleo e, em geral, maior tende a ser seu valor para as refinarias.
A Petrobras ainda não concluiu a caracterização do óleo. As amostras estão sendo analisadas no Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação da companhia (Cenpes), no Rio de Janeiro, e os resultados finais devem ser conhecidos nas próximas semanas. O material percorreu mais de 2 mil quilômetros por via marítima entre a costa do Amapá e o Rio de Janeiro.
Ao visitar a operação da Petrobras no Amapá, no mês passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou atenção para a aparência do óleo e afirmou que o teste seria promissor.

— Parece que está refinado já de tão leve. Temos a chance de ter um petróleo muito chique — disse Lula em coletiva de imprensa.
Mudança coincide com saída de Tim Cook do comando da gigante, mas tem outra razão: uma rotação dentro da tese de inteligência artificial; veja o ranking
Mas o que significa, afinal, ter um petróleo “chique”? Na indústria, o grau API é uma escala usada para medir a densidade do petróleo bruto. A lógica é inversa à da densidade. Quanto maior o número, mais leve é o óleo. E um petróleo mais leve tende a exigir menos processamento para ser transformado em derivados como gasolina, diesel e querosene de aviação.

Se o resultado preliminar da Petrobras for confirmado, o óleo encontrado no poço Morpho estará entre os mais leves já descobertos no Brasil e terá um grau API semelhante ao de petróleos produzidos na Guiana.
Os principais tipos de petróleo produzidos pela ExxonMobil na Guiana apresentam API entre cerca de 32° e 34°. O campo de Liza, por exemplo, tem API de 31,9°, enquanto o poço exploratório Unity Gold apresenta API de 34°, segundo dados da ExxonMobil.
No Brasil, a diferença também ajuda a dimensionar o resultado. O petróleo de Tupi, no pré-sal da Bacia de Santos e maior campo produtor do país, tem API em torno de 28°. Búzios fica perto de 28,5°, enquanto Mero apresenta entre 29° e 30°, dependendo da corrente analisada.

Já óleos como o de Marlim, no pós-sal da Bacia de Campos, com API entre aproximadamente 20° e 23°, e o de Jubarte, de cerca de 17°, são considerados mais pesados.
Controladora do TikTok ampliou a captação após forte demanda dos bancos e pretende usar os recursos para expandir sua infraestrutura de inteligência artificial
Mas o grau API não determina sozinho a qualidade de um petróleo ou quanto vale seu barril. O teor de enxofre, a acidez, a composição química e o perfil de destilação também interferem na avaliação feita pelas refinarias e pelo mercado.

Tupi, por exemplo, apresenta cerca de 0,26% a 0,37% de teor de enxofre, Búzios fica na faixa de 0,31% a 0,33% e Mero em aproximadamente 0,30% a 0,31%, dependendo da corrente analisada. Isso significa que importantes campos do pré-sal brasileiro também produzem o chamado petróleo doce.
Além disso, não existe um petróleo ideal para todas as refinarias. Cada unidade é projetada para processar determinadas características de óleo.
No Brasil, as refinarias foram tradicionalmente preparadas para petróleo mais pesado da Bacia de Campos. Com a descoberta do pré-sal, passaram por ajustes para se adaptar a um petróleo mais leve. Além disso, a Petrobras importa petróleo justamente para equilibrar as misturas do óleo.

Por isso, geólogos lembram que, se o petróleo da Bacia da Foz do Amazonas seguir as características da Guiana, e apresentar um API na casa dos 30° ou acima, estará em uma faixa semelhante à de importantes petróleos do pré-sal brasileiro e próxima das principais correntes produzidas atualmente na Guiana.
As amostras retiradas do poço Morpho foram transportadas em condições controladas para preservar as características originais do óleo e permitir uma avaliação detalhada de sua densidade, composição e potencial comercial. Por esse motivo, o material não pôde ser transportado por via aérea.
A análise realizada no Cenpes ainda precisa confirmar não apenas o grau API, mas também outras características físico-químicas importantes para determinar como esse petróleo poderá ser processado e qual será seu valor comercial.

A Petrobras recebeu o aval do Ibama na sexta-feira para perfurar mais três poços no bloco FZA-M-59 na Bacia da Foz do Amazonas. Além disso, está em andamento o processo de licenciamento em outros blocos, como 57, 86, 88, 125 e 127. Todos esses seis blocos foram arrematados na 11ª Rodada de Licitações da ANP, em 2013.
Em junho do ano passado, a estatal adquiriu ainda 10 blocos na Bacia da Foz do Amazonas no 5º Ciclo de Oferta Permanente, todos em parceria com a Exxon, mas vai operar apenas cinco.
Publicado originalmente por InfoMoney. Leia a matéria completa em https://www.infomoney.com.br/business/petroleo-chique-na-foz-do-amazonas-entenda-e-saiba-por-que-e-tao-valorizado/.

Foto: InfoMoney
Compartilhe
Espalhe essa notícia

