Petrobras diz não saber quanto de petróleo há na Margem Equatorial
Apesar da incerteza, a presidente da estatal disse estar "otimista" quanto à extração de petróleo; perfuração do poço custa cerca de US$ 1 milhão por dia

Apesar da incerteza, a presidente da estatal disse estar “otimista” quanto à extração de petróleo; perfuração do poço custa cerca de US$ 1 milhão por dia
A presidente da Petrobras Magda Chambriard disse nesta 2ª feira (17.ago.2026) que a estatal não sabe o real tamanho da reserva de petróleo na Margem Equatorial, mas que está “ otimista ” com as possibilidades.
“ Tem petróleo, mas não sabemos quanto ”, disse Magda, em anúncio oficial da empresa, em um navio no Amapá, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A presença de petróleo na Margem Equatorial não significa que a área já está pronta para ser explorada. A descoberta ainda está na fase exploratória, período em que a companhia perfura poços e envia sondas para debaixo do solo para verificar a presença, o volume, a qualidade e a viabilidade econômica de um determinado reservatório.
O petróleo foi encontrado no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, na Margem Equatorial. A estrutura está localizada a cerca de 175 km da costa do Amapá e quase 500 km da foz do rio Amazonas. A perfuração começa após 2.886 metros de água. A Petrobras está explorando o poço desde 20 de outubro de 2025.
“ Todas as etapas do estudo até agora confirmaram que nós temos razões para otimismo. Nós vamos continuar explorando, aprofundando esse poço e produzindo dados e informações em outros poços na área” , afirmou. A Petrobras ainda precisa perfurar cerca de 1.000 metros para chegar ao fundo planejado do poço.
A estatal também enviará amostras do óleo ao seu centro de pesquisas para determinar características como densidade e qualidade. Uma análise preliminar apresentou indicações positivas, mas a companhia afirmou que o material demora cerca de 4 dias para chegar ao laboratório porque não pode ser transportado de avião.
Os dados obtidos no Morpho já permitem definir a localização dos próximos 3 poços. Magda afirmou que a Petrobras pretende perfurar mais 3 poços no mesmo bloco e outros 5 na área.
A companhia não deu prazo para uma eventual produção. Questionada sobre quando o petróleo poderia começar a ser extraído caso a comercialidade seja confirmada, Magda respondeu: “ O máximo que a gente conseguir antecipar ”. A etapa produtiva ainda dependerá da confirmação da descoberta comercial, da elaboração do projeto de desenvolvimento e de novo processo de licenciamento ambiental.
A Petrobras projeta investir US$ 3 bilhões na Margem Equatorial. A perfuração do Morpho custa cerca de US$ 1 milhão por dia. Depois de aproximadamente 300 dias de operação, os gastos com o poço somam algo em torno de US$ 300 milhões.
A estatal também informou ter investido aproximadamente R$ 150 milhões no complexo de proteção ambiental montado para a atividade, que inclui centros de atendimento à fauna em Oiapoque (AP) e Belém (PA), embarcações, aeronaves e estruturas de resposta a emergências.
A proximidade da região com a foz do rio Amazonas é vista como um risco ambiental crítico. Acidentes de vazamento de químicos e óleo, afirma a Petrobras, precisarão ser respondidos com prontidão.
A Margem Equatorial é uma faixa marítima que se estende ao longo do litoral do Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte. A região é considerada uma nova fronteira para a indústria de óleo e gás por apresentar características geológicas semelhantes às áreas produtoras da Guiana e do Suriname.
A Petrobras identificou hidrocarbonetos no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, a cerca de 175 km da costa do Amapá e quase 500 km da foz do rio Amazonas. A perfuração é realizada em lâmina d’água de 2.886 metros. A estatal detém 100% do bloco, adquirido na 11ª Rodada de Licitações da ANP, em 2013.
A nova fronteira é tratada pelo governo como estratégica para a reposição das reservas nacionais. A produção brasileira deve atingir 5,3 milhões de barris por dia em 2030, mas tende a cair com o declínio do pré-sal. Sem novas descobertas, o volume pode recuar para 1,4 milhão de barris diários em 2040, cenário em que o Brasil voltaria a depender mais da importação de petróleo .
Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-energia/petrobras-diz-nao-saber-quanto-de-petroleo-ha-na-margem-equatorial/.

Magda Chambriard (foto) discursa em anúncio de descoberta de petróleo na Margem Equatorial — Foto: Poder360
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