Brasil

    Petrobras descobre indícios de petróleo em poço exploratório na bacia da Foz do Amazonas

    A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (14) que identificou a presença de hidrocarbonetos em um poço exploratório na bacia sedimentar da Foz do Amazonas, em águas ultraprofundas na costa do Amapá. Leia mais (08/14/2026 - 19h06)

    Folha de S.Paulo
    14 de agosto de 2026 às 22:06
    Petrobras descobre indícios de petróleo em poço exploratório na bacia da Foz do Amazonas
    Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (14) que identificou a presença de hidrocarbonetos em um poço exploratório na bacia sedimentar da Foz do Amazonas, em águas ultraprofundas na costa do Amapá.

    Logotipo da estatal brasileira de petróleo Petrobras no Rio de Janeiro - Ricardo Moraes/Reuters · Ricardo Moraes/Reuters
    Logotipo da estatal brasileira de petróleo Petrobras no Rio de Janeiro - Ricardo Moraes/Reuters · Ricardo Moraes/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A presença de hidrocarbonetos não garante que há um reservatório comercial de petróleo ou gás, embora fontes da empresa acreditem que se trate de petróleo. A avaliação geralmente demanda a perfuração de outros poços para delimitar as reservas.

    Segundo a companhia, a descoberta foi constatada por meio de perfis elétricos e de indicativos identificados nas rochas. A perfuração do poço ainda está em andamento, e a estatal afirma que as operações têm como objetivo dar continuidade à avaliação exploratória da área.

    "Nosso otimismo em relação à margem equatorial se confirma hoje", disse, em nota, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard. "Essa primeira descoberta na costa do Amapá é resultado da dedicação e da competência da Petrobras."

    Placa com o logo da Petrobras fixada em parede curva de azulejos brancos, com prédio de vidro ao fundo.
    Placa com o logo da Petrobras fixada em parede curva de azulejos brancos, com prédio de vidro ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A Petrobras, o governo e petroleiras privadas com atuação no país veem a região como a principal fronteira para novas descobertas de petróleo no Brasil, ajudando a repor o declínio das reservas do pré-sal, hoje a principal área produtora.

    O poço Morpho (1-BRSA-1405-APS) está localizado a cerca de 175 km da costa do estado, em uma área com lâmina d'água (distância entre a superfície e o fundo do mar) de 2.886 metros. A região é alvo de embates entre o governo e organizações ambientalistas.

    A descoberta ocorreu no bloco FZA-M-59, na margem equatorial brasileira, onde a Petrobras é operadora e detém 100% de participação.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "As operações de perfuração permanecem em curso, visando a continuidade da avaliação exploratória, de forma segura e com respeito ao meio ambiente e às pessoas", disse a empresa em comunicado.

    O setor passou a apostar no potencial da região após descobertas de petróleo na Guiana, que tem características geológicas semelhantes às da margem equatorial brasileira.

    A Petrobras afirmou que a atuação no bloco faz parte de sua estratégia de recomposição das reservas de petróleo e gás por meio da exploração em áreas de fronteira. Segundo a companhia, a iniciativa busca contribuir para o atendimento da demanda nacional de energia durante a transição energética.

    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável
    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O bloco FZA-M-59 foi adquirido pela Petrobras na 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizada em 2013, sob o regime de concessão.

    O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), comemorou a descoberta. "Lutamos pelo direito de pesquisar a Margem Equatorial e conhecer as nossas riquezas. Lutamos para que, sendo possível a exploração, essa riqueza seja transformada em emprego, renda, oportunidades e qualidade de vida para o povo amapaense e contribua para o desenvolvimento do Brasil", disse, em nota.

    A perfuração de Morpho teve um dos mais conturbados processos de licenciamento ambiental do país, com idas e vindas e atropelos sobre a área técnica do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis), que chegou a recomendar o arquivamento do processo.

    O instituto finalmente concedeu a licença em outubro de 2025, sob pressão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O documento foi emitido às vésperas da COP30, em Belém, e entrou na mira de organizações presentes ao evento.

    Para ambientalistas, a abertura de novas fronteiras para a produção de petróleo contraria alertas de cientistas sobre a necessidade de reduzir a queima de combustíveis fósseis para enfrentar a mudança climática.

    O governo defende que o Brasil não pode abrir mão de explorar as riquezas de seu subsolo. Na COP, dois meses após autorizar a perfuração, Lula propôs, sem sucesso, a aprovação de medidas para reduzir o consumo de fósseis.

    O Morpho é o primeiro do bloco 59 a ser prospectado pela estatal, que já solicitou ao Ibama, responsável pelo licenciamento, a perfuração de mais três poços na mesma área: PAD-Morpho, Manga e Crotalus.

    No caso desses três poços a mais, o órgão ambiental federal solicitou mais dados antes de dar uma autorização. Os documentos do licenciamento mostram que o Ibama não se opôs, até agora, à extensão da exploração em busca de petróleo nessa parte da costa amazônica.

    Na semana passada, a estatal divulgou resultados referentes ao primeiro trimestre completo sob efeito da alta do petróleo após o início da guerra no Irã . O lucro líquido foi de R$ 52,4 bilhões, quase o dobro (97% a mais) em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Foi o melhor resultado desde o segundo trimestre de 2022, em meio ao conflito na Ucrânia.

    Pelo desempenho, a Petrobras anunciou a distribuição de R$ 17,4 bilhões em dividendos a seus acionistas. Acionista majoritário, o governo federal terá direito a R$ 6,2 bilhões (incluindo fatias de bancos públicos e fundos de pensão).

    O resultado da Petrobras no trimestre foi puxado pela alta do petróleo e pelo recorde de produção de petróleo e gás. A cotação média do Brent subiu 54,1% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, para US$ 104 por barril. A produção aumentou 14%, para 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    De 2ª a 6ª pela manhã, receba o boletim gratuito com notícias e análises de economia

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/petrobras-faz-descoberta-de-petroleo-em-poco-exploratorio-na-bacia-da-foz-do-amazonas.shtml.

    Imagem 1
    1 / 4

    Logotipo da estatal brasileira de petróleo Petrobras no Rio de Janeiro - Ricardo Moraes/Reuters · Ricardo Moraes/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)