Petrobras descobre indícios de petróleo em poço exploratório na bacia da Foz do Amazonas
A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (14) que identificou a presença de hidrocarbonetos em um poço exploratório na bacia sedimentar da Foz do Amazonas, em águas ultraprofundas na costa do Amapá. Leia mais (08/14/2026 - 19h06)

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A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (14) que identificou a presença de hidrocarbonetos em um poço exploratório na bacia sedimentar da Foz do Amazonas, em águas ultraprofundas na costa do Amapá.

A presença de hidrocarbonetos não garante que há um reservatório comercial de petróleo ou gás, embora fontes da empresa acreditem que se trate de petróleo. A avaliação geralmente demanda a perfuração de outros poços para delimitar as reservas.
Segundo a companhia, a descoberta foi constatada por meio de perfis elétricos e de indicativos identificados nas rochas. A perfuração do poço ainda está em andamento, e a estatal afirma que as operações têm como objetivo dar continuidade à avaliação exploratória da área.
"Nosso otimismo em relação à margem equatorial se confirma hoje", disse, em nota, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard. "Essa primeira descoberta na costa do Amapá é resultado da dedicação e da competência da Petrobras."

A Petrobras, o governo e petroleiras privadas com atuação no país veem a região como a principal fronteira para novas descobertas de petróleo no Brasil, ajudando a repor o declínio das reservas do pré-sal, hoje a principal área produtora.
O poço Morpho (1-BRSA-1405-APS) está localizado a cerca de 175 km da costa do estado, em uma área com lâmina d'água (distância entre a superfície e o fundo do mar) de 2.886 metros. A região é alvo de embates entre o governo e organizações ambientalistas.
A descoberta ocorreu no bloco FZA-M-59, na margem equatorial brasileira, onde a Petrobras é operadora e detém 100% de participação.

"As operações de perfuração permanecem em curso, visando a continuidade da avaliação exploratória, de forma segura e com respeito ao meio ambiente e às pessoas", disse a empresa em comunicado.
O setor passou a apostar no potencial da região após descobertas de petróleo na Guiana, que tem características geológicas semelhantes às da margem equatorial brasileira.
A Petrobras afirmou que a atuação no bloco faz parte de sua estratégia de recomposição das reservas de petróleo e gás por meio da exploração em áreas de fronteira. Segundo a companhia, a iniciativa busca contribuir para o atendimento da demanda nacional de energia durante a transição energética.

O bloco FZA-M-59 foi adquirido pela Petrobras na 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizada em 2013, sob o regime de concessão.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), comemorou a descoberta. "Lutamos pelo direito de pesquisar a Margem Equatorial e conhecer as nossas riquezas. Lutamos para que, sendo possível a exploração, essa riqueza seja transformada em emprego, renda, oportunidades e qualidade de vida para o povo amapaense e contribua para o desenvolvimento do Brasil", disse, em nota.
A perfuração de Morpho teve um dos mais conturbados processos de licenciamento ambiental do país, com idas e vindas e atropelos sobre a área técnica do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis), que chegou a recomendar o arquivamento do processo.
O instituto finalmente concedeu a licença em outubro de 2025, sob pressão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O documento foi emitido às vésperas da COP30, em Belém, e entrou na mira de organizações presentes ao evento.
Para ambientalistas, a abertura de novas fronteiras para a produção de petróleo contraria alertas de cientistas sobre a necessidade de reduzir a queima de combustíveis fósseis para enfrentar a mudança climática.
O governo defende que o Brasil não pode abrir mão de explorar as riquezas de seu subsolo. Na COP, dois meses após autorizar a perfuração, Lula propôs, sem sucesso, a aprovação de medidas para reduzir o consumo de fósseis.
O Morpho é o primeiro do bloco 59 a ser prospectado pela estatal, que já solicitou ao Ibama, responsável pelo licenciamento, a perfuração de mais três poços na mesma área: PAD-Morpho, Manga e Crotalus.
No caso desses três poços a mais, o órgão ambiental federal solicitou mais dados antes de dar uma autorização. Os documentos do licenciamento mostram que o Ibama não se opôs, até agora, à extensão da exploração em busca de petróleo nessa parte da costa amazônica.
Na semana passada, a estatal divulgou resultados referentes ao primeiro trimestre completo sob efeito da alta do petróleo após o início da guerra no Irã . O lucro líquido foi de R$ 52,4 bilhões, quase o dobro (97% a mais) em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Foi o melhor resultado desde o segundo trimestre de 2022, em meio ao conflito na Ucrânia.
Pelo desempenho, a Petrobras anunciou a distribuição de R$ 17,4 bilhões em dividendos a seus acionistas. Acionista majoritário, o governo federal terá direito a R$ 6,2 bilhões (incluindo fatias de bancos públicos e fundos de pensão).
O resultado da Petrobras no trimestre foi puxado pela alta do petróleo e pelo recorde de produção de petróleo e gás. A cotação média do Brent subiu 54,1% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, para US$ 104 por barril. A produção aumentou 14%, para 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/petrobras-faz-descoberta-de-petroleo-em-poco-exploratorio-na-bacia-da-foz-do-amazonas.shtml.

Logotipo da estatal brasileira de petróleo Petrobras no Rio de Janeiro - Ricardo Moraes/Reuters · Ricardo Moraes/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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