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    Pesquisa consegue controlar colesterol alto por até um ano com dose única de tratamento

    Colesterol alto está ligado às doenças que mais matam no mundo Adobestock As doenças ligadas ao colesterol alto estão entre as que mais matam no mundo. Uma pesquisa apresentada agora mostrou que pode ser possível controlar essa condição crônica com um tratamento de aplicação única: uma edição genética que "desliga" um gene ligado ao acúmulo de LDL, o colesterol ruim, e conseguiu manter os índices controlados por até um ano em pacientes. O estudo foi apresentado na semana passada no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia e publicado no New England Journal of Medicine. O tratamento foi t

    G1
    3 de setembro de 2026 às 07:01
    Pesquisa consegue controlar colesterol alto por até um ano com dose única de tratamento
    Foto: G1

    Colesterol alto está ligado às doenças que mais matam no mundo — Foto: Adobestock

    As doenças ligadas ao colesterol alto estão entre as que mais matam no mundo. Uma pesquisa apresentada agora mostrou que pode ser possível controlar essa condição crônica com um tratamento de aplicação única: uma edição genética que "desliga" um gene ligado ao acúmulo de LDL, o colesterol ruim, e conseguiu manter os índices controlados por até um ano em pacientes.

    O estudo foi apresentado na semana passada no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia e publicado no New England Journal of Medicine. O tratamento foi testado em 15 pacientes, acompanhados por cerca de um ano após receberem a terapia.

    ‘Meu colesterol estava alto perto do coração e meu médico ficou preocupado
    ‘Meu colesterol estava alto perto do coração e meu médico ficou preocupado — Foto: G1 · Fonte: G1

    O colesterol alto é um dos principais fatores de risco para as doenças cardiovasculares. No Brasil, infarto e AVC são a principal causa de morte, com mais de 300 mil óbitos por ano — e o colesterol alto, segundo o Ministério da Saúde, atinge 40% da população brasileira.

    Hoje, quem tem colesterol alto controla os índices com estatinas, medicamentos eficazes, mas que precisam ser tomados continuamente, ao longo de toda a vida. O que o estudo mostra agora é uma nova fronteira: a possibilidade de controlar essa doença crônica com um tratamento de dose única.

    O estudo ainda é inicial, está na fase de análise de segurança, mas a próxima etapa da pesquisa já está em andamento, com um número maior de pacientes. Os resultados devem ser divulgados até o fim deste ano — a partir daí, a expectativa é iniciar conversas com órgãos reguladores para um estudo de fase 3.

    A pesquisa abre uma nova perspectiva na terapia genética, tipo de tratamento que atua diretamente sobre o DNA para tratar doenças. Até agora, essa abordagem vinha sendo aplicada principalmente a doenças raras. O resultado aponta um caminho para que ela também alcance doenças comuns.

    "Estamos vendo a terapia genética abrir novas fronteiras, com possibilidades em doenças comuns a boa parte da população. Isso aumenta o impacto desse tipo de tratamento e nos mostra a importância de conhecer e pesquisar esse tipo de processo", explica a geneticista Lygia da Veiga Pereira.

    Infográfico mostra como funciona edição genética que combateu o colesterol alto — Foto: Arte/g1

    Como funciona a edição genética por trás do tratamento

    O corpo produz dois tipos de colesterol e o LDL, conhecido como colesterol ruim, funciona como um transportador de gordura pela corrente sanguínea.

    O problema é que esse transporte facilita o acúmulo de gordura nas paredes dos vasos, formando placas que podem obstruir a circulação e levar a infarto ou AVC.

    O novo tratamento usa a tecnologia CRISPR, uma ferramenta que funciona como uma espécie de tesoura molecular: ela localiza um trecho específico do DNA e faz um corte preciso ali, capaz de desativar um gene.

    Neste caso, o alvo é o gene ANGPTL3, presente nas células do fígado — órgão que produz boa parte do colesterol e dos triglicerídeos do corpo.

    Em condições normais, o ANGPTL3 fabrica uma enzima que atrapalha o organismo a eliminar o LDL e os triglicerídeos do sangue. Ao usar o CRISPR para desativar esse gene, os pesquisadores impedem a produção dessa enzima. O resultado é que o corpo passa a metabolizar essas gorduras com mais eficiência.

    ➡️ E como eles descobriram que esse mecanismo funcionaria? Cientistas identificaram uma população da Itália em que as pessoas nasciam com uma mutação que torna o ANGPTL3 defeituoso. Essas pessoas tinham índices de colesterol e triglicerídeos baixos ao longo de toda a vida, além de baixa incidência de doenças cardíacas. A terapia genética tenta replicar essa mesma proteção nos pacientes tratados.

    Publicado originalmente por G1. Leia a matéria completa em https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/09/03/pesquisa-consegue-controlar-colesterol-alto-por-ate-um-ano-com-dose-unica-de-tratamento.ghtml.

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    ‘Meu colesterol estava alto perto do coração e meu médico ficou preocupado — Foto: G1

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