Pequim amplia fiscalização de drones após acidente aéreo em seu maior edifício
Pequim lançou um programa de recompra de drones na tentativa de retirar os aparelhos de circulação, em meio ao endurecimento da fiscalização na capital chinesa após um avião atingir o prédio mais alto da cidade em junho . Leia mais (09/14/2026 - 11h04)

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
Pequim lançou um programa de recompra de drones na tentativa de retirar os aparelhos de circulação, em meio ao endurecimento da fiscalização na capital chinesa após um avião atingir o prédio mais alto da cidade em junho .

O governo recomprará drones de cidadãos que tenham cadastrado previamente seus aparelhos. Os demais donos terão até 15 de novembro, quando as regras entrarão em vigor, para retirar todos os drones de uma área restrita ao redor da cidade.
"Os órgãos de segurança pública realizarão patrulhas e inspeções... e reprimirão transferências para fora de Pequim feitas após o prazo", afirmou o jornal estatal Beijing Daily.
Em junho, uma aeronave de pequeno porte atingiu a Citic Tower , em um dos distritos empresariais mais movimentados da cidade, matando o piloto e ferindo outras 13 pessoas. O caso chocou os moradores, acostumados à segurança extremamente rígida da capital chinesa.

A aeronave havia decolado de uma escola de aviação nos arredores da cidade, e chegou a cerca de 7 km do complexo de Zhongnanhai, onde o líder Xi Jinping trabalha e ocasionalmente recebe líderes de outros países.
Mais tarde, a polícia sugeriu que o estado mental do piloto teria provocado o incidente. Os investigadores afirmam que o homem, identificado como um divorciado de 66 anos, havia feito diversas menções a suicídio em seu diário.
Receba no seu email os grandes temas da China explicados e contextualizados

A China vem endurecendo as regras para o uso de drones. O país é o maior fabricante mundial de drones comerciais, e a DJI, sediada em Shenzhen, responde por 70% a 80% do mercado global de aparelhos não militares e não governamentais, segundo a Drone Industry Insights.
No entanto, autoridades em todo o planeta tornaram-se mais cautelosas em relação à expansão desses aparelhos, já que a guerra da Ucrânia demonstrou a eficácia dos drones —inclusive modelos comerciais modificados— como armas.
Drones recreativos já são proibidos em várias cidades do mundo, incluindo Nova York , mas espera-se que as restrições em Pequim sejam mais severas.

Até a nova restrição entrar em vigor, os moradores de Pequim poderão vender seus aparelhos por até 3.000 yuans (cerca de R$ 2300), descartá-los ou limitar seu uso a áreas fora da zona de exclusão aérea, cujos limites ainda não foram detalhados.
O fotógrafo amador Neil Liu, 30, disse se sentir "triste" e "enganado" pela proibição em um país que anteriormente promovia a "economia de baixa altitude".
"Primeiro, disseram-me, após o cadastro, que eu poderia entrar e sair de Pequim [com o drone]", afirma Liu. "Ainda estou avaliando minhas opções: vendê-lo ou deixá-lo na casa de um amigo fora de Pequim para usá-lo em minhas viagens ao exterior."

Para alguns proprietários, as restrições impostas para ter um drone superam os benefícios.
Luo, uma funcionária de escritório na faixa dos 40 anos que mora em Pequim e pediu para ser identificada apenas pelo sobrenome, comprou um pequeno drone da DJI para o namorado há anos.
Ela reclamou que todos os anos recebia telefonemas da polícia, exigindo que eles se abstivessem de usá-lo antes de eventos políticos importantes.

"Certa vez, fui obrigada a assinar um documento em uma delegacia", disse. "Talvez eu use o programa de recompra para vendê-lo."
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Semanalmente, os principais fatos do globo, explicados de forma leve e interessante
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/pequim-amplia-fiscalizacao-de-drones-apos-acidente-aereo-em-seu-maior-edificio.shtml.

Pessoas caminham ao lado de uma placa com a frase "Zona proibida para drones", em um beco de Pequim - Pedro Pardo /AFP · Pedro Pardo /AFP — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

