Pelo fim das candidaturas policiais
Ao menos 1.229 candidaturas no pleito de 2026 possuem relação com as polícias, Civil ou Militar, ou com as Forças Armadas -6% do total de mais de 20 mil candidatos. Os dados são de um levantamento da Agência Pública com base na Justiça Eleitoral . Leia mais (08/26/2026 - 20h54)

Advogado, é professor de direito internacional e direitos humanos na FGV Direito SP. Doutor pela Central European University (Budapeste), escreve sobre direitos e discriminação
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Ao menos 1.229 candidaturas no pleito de 2026 possuem relação com as polícias, Civil ou Militar, ou com as Forças Armadas —6% do total de mais de 20 mil candidatos. Os dados são de um levantamento da Agência Pública com base na Justiça Eleitoral .
Embora tenha havido uma redução significativa em números absolutos das candidaturas de policiais e militares —37,4% em relação ao pleito de 2022—, o montante ainda é relativamente expressivo —queda proporcional de apenas 0,71% em comparação a quatro anos atrás— e os números continuam a preocupar pelo uso da farda e das instituições como alavanca eleitoral.
A maior parcela é de policiais militares (46,14% do total), e partidos de direita representam a parte mais expressiva das candidaturas (41,46% do total entre PL, Republicanos, Podemos e Novo, em ordem decrescente).

O problema não é o volume de candidaturas, mas o uso da posição institucional armada para impulsionar o voto. Parte do problema é regulatório. Pelas regras atuais, a quarentena para agentes de segurança e militares se candidatarem varia de dois a seis meses, a depender do cargo. A proposta de atualização do Código Eleitoral, em debate no Senado , reduziu em 2025 a quarentena proposta de quatro para dois anos.
A quarentena deveria ser maior e as garantias contra a partidarização das polícias deveriam ser fortalecidas. Isso passa, inclusive, por regular as redes sociais de agentes de segurança pública. Policiais influencers utilizam o dia a dia operacional como trampolim de visibilidade para suas posições políticas.
Pesquisa do Instituto Sou da Paz deste ano revelou que 28,6% das polícias no país não possuem regulação própria sobre o uso das redes sociais por seus agentes. Por vezes a violação vem da própria polícia: o Intercept Brasil revelou nesta quarta (26) que a PM paulista tem publicado imagens de câmeras policiais com cenas de espetacularização da violência e exposição de moradores, vítimas e suspeitos.
Ser policial, ou promotor ou militar é carreira de Estado, e como tal não cabe na urna.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/thiago-amparo/2026/08/pelo-fim-das-candidaturas-policiais.shtml.

Eleitor, esse desconhecido - série de reportagens — Foto: Folha de S.Paulo
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