Pegadas de 66 milhões de anos são primeira trilha conhecida de um T. rex adulto
Marcas isoladas já tinham sido identificadas, mas é a primeira descrição de uma sequência de várias pisadas

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Pesquisadores do Museu da Natureza e Ciências de Denver, nos Estados Unidos , e da Universidade de John Moores em Liverpool, na Inglaterra, encontraram, pela primeira vez, um conjunto de pegadas atribuídas a um adulto de Tyrannosaurus rex .

O famoso dinossauro , um dos maiores predadores que já existiu, é conhecido por diversos fósseis do Cretáceo Superior (66 milhões de anos) da Formação Hell Creek, no estado Dakota do Norte, nos EUA, mas esta é a primeira trilha identificada do animal, que viveu até o final do Cretáceo .
Os achados foram divulgados na última terça-feira (8) na revista Journal of Vertebrate Paleontology .
Com idade estimada em 66,5 milhões de anos, o rastro contém quatro pegadas, de cerca de um metro cada, duas do membro direito e duas do esquerdo, totalizando sete metros de extensão. Segundo os autores, a atribuição a um indivíduo adulto de T. rex é possível por ser uma espécie já conhecida do local, devido ao padrão tridáctilo (três dedos) das pegadas e à distância entre elas, embora o estado de preservação destas impeça uma descrição mais detalhada de suas características.

"O consenso científico aponta para três tiranossaurídeos em Hell Creek: duas espécies do Nanotyrannus , de pequeno porte, e uma espécie de maior porte, o Tyrannosaurus rex . A única espécie grande o bastante para deixar pegadas de cerca de 1 m de comprimento é o T. rex . Por isso, estamos bem confiantes que os vestígios eram deste animal", diz Tyler Lyson, curador sênior de paleontologia de vertebrados do Museu de Natureza e Ciência de Denver e coordenador da pesquisa.
Pegadas isoladas de possíveis T. rex já tinham sido identificadas, mas é a primeira vez que paleontólogos descrevem uma sequência de várias pegadas deixadas pelo célebre dino. Os rastros deixados pelo espécime criaram depressões profundas no sedimento fino da formação, que posteriormente foram preenchidas com uma água altamente carbonatada. Esta composição levou à formação de concreções na rocha, preservando as impressões.
"Este modo de preservação, uma concreção ao redor de um molde da pegada, é incomum, e esse tipo de busca deverá ser empregado de forma mais ampla. Paleontólogos de vertebrados são treinados a procurar ossos fósseis. Não tenho dúvida de que esse modo de preservação levará à descoberta de outras sequências de pegadas de dinossauros", diz Lyson.

As pegadas foram encontradas em 2025 em uma área protegida federal administrada pelo Serviço Florestal dos EUA perto de Marmarth, aproximadamente 33 metros abaixo do limite entre as formações Hell Creek e Fort Union, próximo à camada geológica que marca a extinção em massa ocorrida há 66 milhões de anos . Os Tyrannossaurus rex , assim como outros dinossauros não-avianos e vertebrados terrestres de mais de 40 kg, foram extintos nesta época.
A equipe de cientistas usou técnicas de escaneamento digital in situ para obter imagens tridimensionais das pegadas, que permitiu a análise detalhada. Foi assim que Peter Falkingham, professor de paleobiologia da universidade britânica e primeiro autor do estudo, pode estudá-las, mesmo sem nunca tê-las visto pessoalmente.
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"A tecnologia que podemos usar na era digital permitiu que meus colegas escaneassem as pegadas em campo e depois me enviassem as informações em 3D, para que eu as visualizasse virtualmente. Assim, pude examiná-las quase tão de perto quanto eles", disse Falkingham.
Com as reconstituições em 3D das pegadas, os cientistas fizeram os cálculos referentes à distância, comprimento e possíveis características biológicas do animal. Segundo eles, o dono das pegadas se deslocava a uma velocidade entre 1,5 e 2 m/s, equivalente a cerca de 5,4 km/h a 7,2 km/h, condizente com estudos recentes sobre deslocamento de T. rex , embora não fosse algo incompatível com outros tiranossaurídeos de grande porte.
No artigo, os pesquisadores afirmam que "escavações futuras podem ajudar a revelar mais características anatômicas do pé e de locomoção, ou podem ainda apresentar outros parâmetros da trilha que indicam um comportamento de deslocamento distinto." Uma quinta pegada, em novas atividades de campo realizadas durante o verão deste ano, já foi identificada, afirma Lyson.
Há, porém, um desafio potencial envolvendo novas escavações, uma vez que a posição no estrato (camada) das pegadas sugere que o início ou a continuação dos vestígios foram comprometidos pela compressão do sedimento.
Mas nem tudo está perdido: a equipe de Lyson pretende fazer uma remoção do local de pelo menos três das pegadas —com uso de helicópteros, devido ao tamanho e fragilidade do material— e transportá-las até o Museu de Denver, onde devem ser preparadas e, posteriormente, expostas ao público.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2026/09/pegadas-de-66-milhoes-de-anos-sao-primeira-trilha-conhecida-de-um-t-rex-adulto.shtml.

Reconstituição artística de um T. rex adulto andando próximo ao lago que teria deixado as pegadas encontradas em Hell Creek, na Dakota do Norte, EUA - Andrey Atuchin · Andrey Atuchin — Foto: UOL
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