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    Pedido de freio no desenvolvimento de IA por big techs aprofunda disputa entre EUA, China e Europa

    A ausência de regras internacionais para a inteligência artificial e o pedido do CEO da Anthropic, Dario Amodei, para desacelerar o desenvolvimento dos modelos da tecnologia provocaram chumbo cruzado entre porta-vozes nos Estados Unidos, na China e na Europa e os principais laboratórios de IA americanos.

    UOL
    15 de setembro de 2026 às 03:00
    Pedido de freio no desenvolvimento de IA por big techs aprofunda disputa entre EUA, China e Europa
    Três homens aparecem em retratos individuais alinhados horizontalmente. O da esquerda está de perfil para a direita, com cabelo curto e escuro, vestindo camisa branca e paletó escuro. O do centro está de frente, usa óculos de armação escura — Foto: UOL

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    A ausência de regras internacionais para a inteligência artificial e o pedido do CEO da Anthropic, Dario Amodei, para desacelerar o desenvolvimento dos modelos da tecnologia provocaram chumbo cruzado entre porta-vozes nos Estados Unidos, na China e na Europa e os principais laboratórios de IA americanos.

    Da esq. para dir., o CEO da OpenAI, Sam Altman, o CEO da Anthropic, Dario Amodei; e Elon Musk; Amodei pediu às empresas de inteligência artificial que desacelerassem o desenvolvimento da tecnologia, em meio a preocupações crescentes sobre o
    Da esq. para dir., o CEO da OpenAI, Sam Altman, o CEO da Anthropic, Dario Amodei; e Elon Musk; Amodei pediu às empresas de inteligência artificial que desacelerassem o desenvolvimento da tecnologia, em meio a preocupações crescentes sobre o — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A Anthropic defende publicamente uma pausa global no setor desde junho , e o manifesto do executivo ganhou tração no sábado (12) após declarações do engenheiro Jacob Coxon, 27, ex-funcionário da empresa e da OpenAI. Coxon afirmou que as companhias estão "apostando com o futuro da humanidade".

    Enquanto o presidente americano, Donald Trump, criticou a implementação de qualquer regulamentação do setor, o Ministério das Relações Exteriores chinês disse que um freio tecnológico por parte das empresas seria uma "estratégia de contenção típica da Guerra Fria". O Banco Central Europeu alertou que o bloco deve buscar autonomia.

    Especialistas em governança dizem que a manifestação de Amodei reforça o risco da dependência global de tecnologias produzidas na China e nos Estados Unidos, países que concentram os modelos mais avançados.

    Homem observa painel que mostra variação das ações na Bolsa de Seul - Greg Baker - 28.jul.26/AFP · Greg Baker - 28.jul.26/AFP
    Homem observa painel que mostra variação das ações na Bolsa de Seul - Greg Baker - 28.jul.26/AFP · Greg Baker - 28.jul.26/AFP — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O diretor do CGEE (Centro de Gestão de Estudos Estratégicos), Caetano Penna, compara a situação com os acordos de não proliferação nuclear. "Quem já tem armas nucleares redige os tratados e chama isso de segurança para a humanidade, mas cria barreiras de entrada", afirma.

    De acordo com Penna, uma desaceleração nos laboratórios americanos poderia diminuir o acesso de pesquisadores externos aos avanços. "O risco é que as regras sejam produzidas por meia dúzia de empresas de dois países, enquanto os efeitos são distribuídos pelo mundo", diz. Para ele, o Brasil pode abordar o tema no G20, na ONU ou na Organização de Cooperação Mundial em Inteligência Artificial ( Waico ), fundada pela China.

    A presidente do conselho do Anthropic Institute, Marina Favaro, que atua na formulação de políticas de desarmamento, afirma que a empresa desenvolve mecanismos de prestação de contas para garantir que todos os concorrentes reduzam o ritmo de pesquisas.

    Dois homens observam tela grande com dados da Bolsa da Coreia. Índice KOSPI exibe 6.023,66 pontos, queda de 732,09 (-10,84%).
    Dois homens observam tela grande com dados da Bolsa da Coreia. Índice KOSPI exibe 6.023,66 pontos, queda de 732,09 (-10,84%). — Foto: UOL · Fonte: UOL

    OpenAI, Google e xAI sinalizaram concordância com a desaceleração no avanço da tecnologia de ponta. Em um sinal dos temores dos investidores, as ações da japonesa SoftBank, que detém cerca de 13% da OpenAI, despencaram 10,7%.

    O mercado de ações respondeu com recuos de até 1,2% no índice Nasdaq, que centraliza os papéis de tecnologia em Wall Street, 3,3% no coreano Kospi, onde estão fabricantes de chips como SK Hynix e Samsung Electronics. Embora a Bolsa de Hong Kong tenha avançado 0,2%, as ações do laboratório chinês de IA Z.AI desabaram 7,5%.

    O CEO da OpenAI, Sam Altman, defendeu a criação de uma instituição independente para avaliar riscos e declarou que a segurança deve se sobrepor ao risco de processos antitruste. "Não acreditamos que precisamos esperar por uma isenção antitruste ou legislação para começar o trabalho de fornecer essa confiança", disse em publicação no X.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Altman teve um breve encontro com Trump nesta segunda, após o presidente repudiar a iniciativa da Anthropic.

    O presidente americano criticou propostas de regulação, sob o argumento de que podem provocar falências no setor. Em publicação na rede Truth Social, ele defendeu que o controle da tecnologia depende apenas de "um presidente forte".

    "Nós já temos um tremendo poder criminal e regulatório sobre as empresas. Existe uma teoria conspiratória maluca contra data centers, e quem está feliz com isso é a China. Quem ganhar a disputa por IA, ganha tudo", escreveu.

    (FILES) An illustration photograph taken on February 20, 2025 shows ChatGPT app and website are displayed on a phone and laptop screens, in a residential property in Guildford, south of London. The American company OpenAI announced on Septe
    (FILES) An illustration photograph taken on February 20, 2025 shows ChatGPT app and website are displayed on a phone and laptop screens, in a residential property in Guildford, south of London. The American company OpenAI announced on Septe — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Para o diretor do think tank Reglab, Renato Leite Monteiro, a falta de marcos regulatórios previsíveis expõe as empresas a decisões políticas arbitrárias. Ele cita o bloqueio imposto pelo governo americano aos modelos Mythos e Fable 5, da Anthropic, após o início da distribuição comercial. "A regulação serve para evitar que decisões pontuais paralisem operações", afirmou.

    Desde que Trump vetou o lançamento de um modelo da Anthropic fora dos Estados Unidos, houve uma reação na China e na Europa sobre a concentração de poder na Casa Branca e em território americano.

    Nesta segunda, o Ministério das Relações Exteriores da China reforçou essa posição.

    "O real propósito seria utilizar barreiras tecnológicas e monopólios na definição de regras para conter o desenvolvimento de IA da República Popular da China (RPC), preservar a hegemonia monopolista dos EUA em tecnologias de fronteira e excluir a RPC da governança global de IA", disse o porta-voz do ministério, Guo Jiakun.

    Também nesta segunda, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, afirmou que a Europa corre o risco de ficar sem acesso à IA devido a uma decisão externa. "Essa é uma forma de influência que nenhum parceiro comercial jamais teve sobre a Europa, e poderia ser usada em qualquer negociação, sobre tarifas ou impostos digitais, por exemplo."

    Segundo Lagarde, a Europa precisa de modelos que sejam "bons o suficiente" para a maioria das tarefas e que funcionem com infraestrutura europeia, para que a ameaça de isolamento perca sua força.

    Para Penna, que trabalhou na formulação do Pbia (Plano Brasileiro de Inteligência Artificial), o Brasil deve reforçar os próprios investimentos em tecnologia. "Numa tecnologia que virou questão geopolítica, nenhum país vai parar ao mesmo tempo. O que precisamos é continuar avançando no Pbia, investindo no que efetivamente limita o nosso desenvolvimento, que é capacidade de computação e processamento, supercomputadores, energia, formação de pessoas, e capital para transformar pesquisa em inovação."

    O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu nesta segunda uma "ação urgente" para regulamentar a inteligência artificial devido aos riscos sem precedentes representados pelos sistemas mais avançados.

    "Estamos à beira de uma mudança irreversível, que afeta não apenas a nós, mas também as futuras gerações da humanidade", disse Türk. "Exorto os Estados e as empresas a se mobilizarem urgentemente em estruturas multilaterais. Todos os direitos humanos estão ameaçados [por essa tecnologia], incluindo o direito à vida", avaliou.

    O professor de políticas públicas da Universidade Federal do ABC (UFABC) Sérgio Amadeu aponta um conflito de interesses na atuação das empresas. "Uma empresa não é a solução para definir a regulação de seu próprio ramo. O lucro move a corporação, mas a sociedade e o meio ambiente não se movem apenas pelo lucro", disse.

    7 de abril de 2026: Anthropic anuncia lançamento do Mythos, modelos com capacidades hackers sem precedentes 5 de junho: Anthropic pede pausa global no desenvolvimento da IA em artigo publicado no site da empresa 9 de junho: Empresa lança Fable 5 , versão do Mythos com controles contra ataques cibernéticos 12 de junho: Trump veta acesso de não americanos à tecnologia da Anthropic 9 de julho: OpenAI lança GPT-5.6 Sol com capacidades aumentadas e travas de segurança 17 de julho: Lançamento do Kimi K3, modelo aberto chinês , de alta capacidade 22 de julho: Agentes de IA da OpenAI atacam o site Hugging Face 24 de julho: Big techs lançam manifesto contra barreiras ao desenvolvimento de IA de código aberto por alegações de segurança 28 de julho: IAs da OpenAI e Anthropic apresentam comportamento suspeito na internet em teste do Reino Unido 30 de julho: Anthropic afirma que modelos de IA do Claude invadiram três companhias 5 de agosto: Agente de IA da Meta invade o sistema de uma empresa e fez mudanças por conta própria 26 de agosto: OpenAI relata que dois agentes invadiram a própria infraestrutura da empresa 4 de setembro: Grupo de agentes de IA rebeldes da OpenAI invade site alemão e o transforma em fórum para outros agentes de IA 9 de setembro: Ex-pesquisador da Anthropic dá entrevista ao Financial Times alertando sobre risco existencial em 2030 12 de setembro: CEO da Anthropic lança novo manifesto pedindo desaceleração no desenvolvimento tecnológico 13 de setembro: Executivos de OpenAI, Google e xAI concordam com Anthropic 14 de setembro: Governos reagem

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/tec/2026/09/pedido-de-freio-no-desenvolvimento-de-ia-por-big-techs-aprofunda-disputa-entre-eua-china-e-europa.shtml.

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    Da esq. para dir., o CEO da OpenAI, Sam Altman, o CEO da Anthropic, Dario Amodei; e Elon Musk; Amodei pediu às empresas de inteligência artificial que desacelerassem o desenvolvimento da tecnologia, em meio a preocupações crescentes sobre o — Foto: UOL

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